Os gastos no exterior estão em alta e bateram níveis recordes recentes, refletindo uma retomada consistente do consumo internacional.
Em 2025, brasileiros desembolsaram cerca de US$ 15,7 bilhões apenas em viagens pessoais fora do país, dentro de um volume total que ultrapassa US$ 20 bilhões — o maior patamar em mais de uma década.
Esse movimento não se limita ao turismo. Ele sinaliza uma mudança mais ampla: o Brasil volta a olhar para fora — e isso inclui também decisões estruturais, como imigração e expansão de negócios.
Câmbio mais previsível muda o jogo
Nos últimos anos, especialmente em momentos de maior instabilidade global, o dólar chegou a encostar em R$ 6,00, pressionado por juros elevados nos Estados Unidos e fuga de capital de mercados emergentes.
Agora, ao operar em uma faixa mais estável — próxima de R$ 4,90 a R$ 5,10 — o cenário se torna mais previsível e favorece o planejamento financeiro internacional.
O advogado licenciado nos Estados Unidos, professor de pós-graduação de direito migratório e mestre pela Universidade do Sul da Califórnia, Vinícius Bicalho, explica que o câmbio é um dos principais gatilhos do movimento migratório brasileiro.
“Quando o dólar sobe muito, muitos projetos entram em pausa. Com a estabilização, há uma retomada natural — principalmente em processos ligados à carreira e ao empreendedorismo”, afirma.
Quais caminhos estão em alta
Com o cenário mais favorável, cresce o interesse por modalidades migratórias baseadas em qualificação e estratégia:
- EB-2 NIW (National Interest Waiver)
- EB-1A
- L-1
- Estruturação empresarial nos Estados Unidos
Segundo Bicalho, o momento favorece quem busca caminhos mais estruturados.
“A imigração qualificada hoje é acessível para quem se posiciona corretamente. Existem vias sólidas tanto para profissionais quanto para empresários”, destaca.
Mais do que custo, é previsibilidade
Além do aumento do consumo no exterior, o que sustenta esse movimento é a previsibilidade.
Com o dólar menos volátil, o risco de surpresas financeiras diminui — e isso favorece decisões mais robustas, como mudar de país ou expandir negócios.
“Não é apenas pagar menos. É conseguir planejar melhor. Isso reduz o risco e dá mais segurança para avançar”, reforça o advogado.
O custo — agora sob outra lógica
Processos migratórios envolvem investimento, especialmente quando incluem planejamento jurídico e estruturação empresarial.
Mas o atual patamar do dólar reduz significativamente essa barreira.
Um processo que pode girar em torno de US$ 25 mil, por exemplo, representava cerca de R$ 150 mil com o dólar próximo de R$ 6. Hoje, com o dólar abaixo de R$ 5, esse valor cai para aproximadamente R$ 120 mil.
A diferença pode ultrapassar R$ 25 mil — o suficiente para destravar decisões que antes estavam em espera.