Setor de fertilizantes projeta recuperação em 2027 em meio a cenário desafiador
Crescimento de novas demandas no agronegócio deve impulsionar entrega de 47,5 milhões de toneladas, segundo estimativa apresentada no 20º Simpósio Sindiadubos NPK 2026
Após registrar o recorde histórico de 49,1 milhões de toneladas entregues em 2025, o mercado brasileiro de fertilizantes enfrenta um cenário adverso em 2026, com uma retração estimada entre 10% e 15%. No entanto, as projeções sinalizam uma recuperação para 2027, quando o volume de entregas deve atingir 47,5 milhões de toneladas. Os dados e análises foram apresentados durante o 20º Simpósio Sindiadubos NPK 2026, na última quinta-feira (22), em Curitiba (PR). O maior evento presencial do setor de fertilizantes reuniu público recorde de 1,2 mil participantes de mais de 350 empresas do Brasil e do exterior.
Na abertura do evento, o presidente do Sindicato das Indústrias de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), Aluisio Schwartz Teixeira, destacou as incertezas que marcaram o período recente. Segundo ele, o setor vivenciou flutuações atípicas de preços e forte pressão geopolítica internacional, agravadas por gargalos econômicos e regulatórios no ambiente doméstico. “Tivemos um ano extremamente difícil. Temos uma máxima no setor que um ano nunca é igual ao outro, mas este foi inacreditável. O gráfico de preços parecia um eletrocardiograma”, avaliou Teixeira.
O executivo apontou ainda que as guerras, sanções comerciais e restrições de navegação afetaram o fornecimento, enquanto internamente a alta taxa de juros, custos de frete e mudanças na tributação estadual e federal pressionaram as margens do produtor rural, reduzindo sua capacidade de investimento e compra de insumos. Apesar das turbulências e da disparada dos preços dos produtos, ele citou que 2026 trouxe uma lição importante para o setor: “não faltou adubo e não vai faltar”. Segundo o presidente do Sindiadubos-PR, quando a conta está apertada ou não fecha, o agricultor diminui ou deixa de usar fertilizantes, por isso a expectativa é de redução de 10% a 15% nas entregas este ano.
Menos nutrientes
Em sua palestra no Simpósio Sindiadubos NPK 2026, o engenheiro agrônomo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, estimou que as entregas de fertilizantes fechem o ano em 43,6 milhões de toneladas, o que corresponderia a uma queda de 11% em relação ao volume contabilizado em 2025. “Mas as projeções são atualizadas a cada mês, então esse percentual ainda pode ser maior”, salientou. De acordo com o especialista, a retração foi puxada pela cautela do produtor diante do custo total de produção e da perda de poder de compra.
Souza mostrou que o recuo na aplicação de nutrientes nas lavouras afetou todas as principais categorias de fertilizantes em 2026. “Em 2021, a média de P2O5 (pentóxido de fósforo) aplicada foi de 72,6 quilos. Neste ano, tivemos o menor nível da série histórica, mesmo com aumento de área e de produtividade: 45,2 quilos”, comparou, complementando que isso significa que o produtor usou 20 a 25% menos de fósforo. Conforme o analista, também houve perdas em nitrogênio (-21%), ureia (-20%) e sulfato de amônia (18%), no acumulado de janeiro a setembro.
Desafios e oportunidades
Em meio a tantos desafios, as entidades de classe setoriais e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) trabalham juntas em busca de soluções para uma extensa pauta de reivindicações. O presidente do Sindiadubos-PR ressaltou a necessidade de repactuação das dívidas rurais (para estancar a “sangria” e fazer o agronegócio voltar a crescer), redução da taxa de juros (que se reflete no crescente número de recuperações judiciais), revisão da tabela de frete mínimo (que encareceu o custo do transporte), regulamentação da reforma tributária (já que, em alguns estados, a tributação de ICMS e PIS/Cofins sobre os fertilizantes chega a 8%), e avanços no seguro agrícola (mais abrangente e que os produtores consigam pagar).
Apesar do momento de retração, a análise da Agrinvest aponta alavancas sólidas para a retomada do mercado a partir de 2027, com novas demandas que apresentam potencial para aquecer o setor de fertilizantes. “Temos um cenário de incertezas no curto prazo, mas há vetores claros de crescimento para os próximos anos. O volume de milho destinado à produção de etanol tem uma perspectiva excelente, assim como a expansão de culturas alternativas, como o sorgo, e o fortalecimento do ciclo da soja”, sinalizou Souza. Com a perspectiva de adequação da oferta e estabilização dos custos de produção, a expectativa do setor é de readequação do consumo, garantindo o suporte nutricional necessário para o aumento da produtividade da agricultura brasileira nas próximas safras.
Sobre o Sindiadubos-PR
Criado em 1987, o Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR) representa e promove os direitos da indústria de adubos e corretivos agrícolas no estado, oferecendo assessoria jurídica, técnica e trabalhista, além de divulgar informações e dados de mercado sobre fertilizantes e adubos minerais. O Sindiadubos-PR é filiado à Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), em cujo centro de eventos promove anualmente o Simpósio NPK, maior evento nacional presencial do setor de fertilizantes. Para mais informações, acesse: www.sindiadubos.org.br
