Pedra nos rins não depende apenas de beber pouca água
Excesso de sódio, alimentação desequilibrada, obesidade e histórico familiar também favorecem os cálculos; especialista explica como a prevenção deve ser individualizada.
Por muito tempo, a recomendação de beber mais água foi tratada como resposta única para quem enfrenta cálculos renais. Essa crença simplificada, porém, ignora um conjunto de fatores que médicos especializados apontam como determinantes tão importantes quanto a hidratação e que raramente aparecem nas conversas sobre o tema.
O excesso de sódio no cardápio brasileiro, por exemplo, tem relação direta com a formação das pedras. “O sal em excesso obriga os rins a eliminar mais cálcio pela urina, e esse cálcio extra pode se cristalizar e dar origem aos cálculos”, explica o urologista Maxmillian Dutra, que também atua na área de Nutrologia. Embutidos, temperos prontos e alimentos ultraprocessados costumam concentrar quantidades de sódio muito acima do que a maioria das pessoas percebe ao montar o prato.
A obesidade entra nessa equação de forma menos óbvia, mas igualmente relevante. Alterações metabólicas associadas ao peso corporal elevado modificam a composição da urina, tornando-a mais propensa à cristalização. “Pacientes com resistência à insulina apresentam urina mais ácida, e esse ambiente favorece a formação de determinados tipos de cálculo”, detalha o especialista. Isso explica por que duas pessoas com hábitos alimentares parecidos podem ter riscos completamente diferentes.
O histórico familiar completa o quadro de variáveis que fogem do controle direto do paciente. Quem já teve parentes próximos com cálculos renais carrega uma predisposição que nenhuma quantidade de água resolve sozinha. Segundo o médico, “a genética define parte do terreno, mas o estilo de vida ainda tem grande peso na hora de a doença se manifestar ou não”.
Diante dessa complexidade, a mensagem central defendida por Dutra é a individualização do tratamento preventivo. Um exame de urina de 24 horas, avaliação da composição do cálculo já eliminado e histórico alimentar detalhado permitem traçar um plano específico para cada paciente, em vez de recomendações genéricas. “Cada pessoa tem uma combinação única de fatores de risco, e é essa combinação que deve guiar a prevenção, não uma fórmula pronta para todo mundo”, afirma.
Com o diagnóstico adequado, ajustes que parecem pequenos, reduzir determinado tipo de proteína, controlar o consumo de sal, tratar questões metabólicas de base, tendem a ter impacto muito maior do que simplesmente aumentar a ingestão de líquidos, reforçando que prevenir cálculos renais exige olhar além do óbvio.
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Fonte: Dr. Maxmillian Dutra – Urologista com atuação em Nutrologia.
