O mercado brasileiro de eventos atravessa 2026 em ritmo de expansão e com demanda crescente por soluções capazes de qualificar a relação entre produtoras, marcas e público. Segundo a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), o setor registrou R$ 25,3 bilhões em consumo apenas no primeiro bimestre deste ano, o maior valor da série histórica para o período. A entidade também projeta crescimento de 7,8% em 2026.
É nesse cenário que surge o Mapa de Convergências, primeira plataforma interativa de pesquisa do oCamino, estúdio de estratégia e criação idealizado pelo empresário Juarez de Oliveira Júnior, o Jota. Recém-lançada, a ferramenta combina inteligência artificial e expertise humana para transformar respostas e experiências em leitura de público, identificação de padrões e dados estratégicos para tomada de decisão.
O produto foi desenvolvido em parceria com o Festival Fronteiras de Porto Alegre, a partir de entrevistas com pensadores que participaram do evento. O Mapa de Convergências propõe uma experiência em que o público responde às mesmas perguntas feitas aos palestrantes e descobre com quais perspectivas mais converge, quais visões tensionam sua forma de interpretar o presente e quais pontos de vista podem ampliar sua leitura sobre determinados temas.
Segundo Jota, o desafio não está apenas em coletar dados, mas em interpretá-los de forma útil. “Hoje, eventos, empresas e instituições têm acesso a muitas informações, mas nem sempre conseguem transformar esses dados em leitura estratégica. O oCamino nasce para ajudar a construir essa ponte entre informação, sensibilidade e tomada de decisão”, afirma o idealizador.
Além da pesquisa pós-evento
Um dos diferenciais do Mapa de Convergências está no contraponto às pesquisas tradicionais pós-evento. Em geral, esses levantamentos são enviados depois da experiência e medem aspectos como satisfação, avaliação da estrutura, opinião sobre a programação, entre outros. Embora úteis, esses dados nem sempre revelam por que determinados conteúdos mobilizam mais o público, quais temas geram identificação ou que tipo de experiência pode fortalecer a relação entre participante e evento.
O Mapa propõe outro caminho. Em vez de perguntar apenas se o público “gostou ou não gostou”, a ferramenta insere o participante em uma experiência ativa. A pessoa responde perguntas, constrói seu próprio mapa, compara suas respostas com as de pensadores, identifica afinidades e fricções e recebe uma devolutiva individual. Ao mesmo tempo, a plataforma gera uma leitura coletiva para quem organiza o evento.
Esse formato amplia a retenção porque o relacionamento não termina no encerramento da programação. O público pode voltar à plataforma, acessar conteúdos audiovisuais, compartilhar resultados, comparar perspectivas e continuar interagindo com os temas do evento.
Inteligência artificial com curadoria humana
O funcionamento do Mapa de Convergências combina tecnologia e análise humana. A inteligência artificial atua no apoio ao processamento, organização e cruzamento das respostas. Já a expertise humana entra na curadoria, validação, interpretação e construção das leituras editoriais que acompanham a experiência.
Essa combinação busca evitar um dos riscos mais comuns do uso isolado de tecnologia: gerar dados sem contexto. Para o oCamino, a inteligência de dados só se torna estratégica quando é lida a partir de perguntas qualificadas, repertório, sensibilidade e compreensão do ambiente em que será aplicada.
“O dado bruto não resolve sozinho. O que faz diferença é a capacidade de fazer boas perguntas, identificar padrões e transformar isso em caminho possível para quem precisa decidir”, afirma Jota.