Saúde

Lesões esportivas aumentam entre praticantes de corrida e musculação; especialista explica como prevenir e voltar ao treino com segurança

O número de brasileiros adeptos da corrida de rua continua em expansão e tem impulsionado um novo comportamento em relação à prática esportiva. Em 2025, o país registrou um crescimento de 85% no número de corridas oficiais, passando de 2.827 para 5.241 eventos, segundo levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO). Ao mesmo tempo em que esse movimento incentiva hábitos mais saudáveis, também aumenta a incidência de lesões musculoesqueléticas entre atletas amadores e praticantes de atividades físicas.

Problemas como tendinites, entorses, estiramentos musculares, dores no joelho, lesões no ombro e na coluna estão entre as principais causas de interrupção da prática esportiva. Na maioria dos casos, essas ocorrências estão relacionadas ao excesso de carga, à execução inadequada dos movimentos, à ausência de preparação física ou ao retorno precoce aos treinos após uma lesão.

Segundo a fisioterapeuta Nívia Paula, sócia do Instituto Movis e especialista em fisioterapia traumato-ortopédica, muitas dessas lesões podem ser evitadas com orientação adequada e atenção aos primeiros sinais do corpo. “É comum que muitas pessoas aumentem a intensidade dos treinos rapidamente ou ignorem pequenos desconfortos, acreditando que a dor faz parte da evolução física. Mas a dor persistente nunca deve ser considerada normal. Quando investigada precocemente, a lesão pode ser tratada antes de comprometer o desempenho esportivo e a qualidade de vida”, destaca.

Entre as lesões mais frequentes em corredores estão a síndrome da dor femoropatelar, a fascite plantar, a canelite, as tendinites e os estiramentos musculares. Já entre praticantes de musculação, predominam lesões nos ombros, joelhos e região lombar, geralmente associadas ao excesso de carga, à execução incorreta dos exercícios e à falta de um planejamento progressivo de treinamento.

De acordo com Nívia Paula, a prevenção começa antes mesmo do início da atividade física e passa por uma avaliação funcional capaz de identificar limitações de mobilidade, desequilíbrios musculares e déficits de força que podem favorecer o surgimento de lesões.

“Cada pessoa possui características biomecânicas diferentes. Por isso, é fundamental que o planejamento dos exercícios considere fatores como mobilidade, estabilidade, força muscular e histórico de lesões. Essa avaliação permite corrigir desequilíbrios e reduzir significativamente o risco de problemas durante a prática esportiva”, reforça.

Quando a lesão acontece, outro comportamento comum é interromper completamente a atividade física ou, no extremo oposto, retornar aos treinos assim que a dor diminui. Segundo a especialista, essa decisão pode comprometer a recuperação e favorecer novas lesões.

“O desaparecimento da dor não significa que o organismo esteja totalmente recuperado. O retorno ao esporte deve acontecer somente quando força, mobilidade, estabilidade e capacidade funcional forem restabelecidas. Antecipar esse processo aumenta significativamente o risco de uma nova lesão”, afirma.

Nívia Paula explica que a reabilitação deve ser individualizada e considerar fatores como modalidade esportiva, intensidade dos treinos, idade, histórico clínico e objetivos de cada paciente. Recursos terapêuticos como terapia manual, exercícios específicos, eletroterapia, laserterapia, crioterapia e tecnologias voltadas à recuperação muscular podem contribuir para uma recuperação segura quando associados a uma avaliação criteriosa.

A especialista ressalta que a prevenção das lesões começa antes mesmo do primeiro treino. A recomendação é realizar uma avaliação física antes de iniciar ou intensificar a prática esportiva, respeitar a progressão das cargas, manter uma rotina de fortalecimento muscular, investir em mobilidade quando indicada, utilizar equipamentos adequados para cada modalidade, dormir bem, respeitar os períodos de recuperação e procurar avaliação profissional diante de dores persistentes ou limitações de movimento.

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