Estrogênio e progesterona na menopausa: dois hormônios essenciais, mas com funções diferentes
Especialista explica por que a terapia hormonal precisa considerar as necessidades individuais de cada mulher e o papel de cada hormônio no tratamento.
A transição para o fim da vida fértil afeta de forma direta o bem-estar e a saúde feminina, atingindo cerca de 80% das mulheres no Brasil com sintomas como ondas de calor intensas, insônia e oscilações severas de humor, segundo dados da Associação Brasileira de Climatério (Sobrac). Diante desse cenário, a busca por tratamentos que aliviem os desconfortos da menopausa traz à tona um debate constante nos consultórios: a diferença crucial entre a atuação do estrogênio e da progesterona na terapia de reposição hormonal.
Embora muitas pessoas tratem o tratamento como uma fórmula única e padronizada, o equilíbrio entre as duas substâncias exige uma análise minuciosa da anatomia e do histórico de saúde de cada paciente. O primeiro elemento atua como o principal responsável por combater as alterações vasomotoras, preservar a massa óssea, proteger o sistema cardiovascular e manter a lubrificação dos tecidos. No entanto, sua ação precisa ser cuidadosamente monitorada para evitar complicações estruturais.
“O estrogênio é a substância que devolve a vitalidade e alivia aqueles sintomas clássicos que tanto impactam a rotina e a autoestima da mulher. No entanto, quando ele é administrado isoladamente em quem ainda possui o útero, ocorre um estímulo contínuo no revestimento interno do órgão, o que pode aumentar significativamente o risco de desenvolvimento de hiperplasia e de neoplasias na região”, pontua o ginecologista Dr. Zarnowski, especialista em endometriose.
É exatamente para conter essa proliferação celular que a progesterona entra na prescrição médica. A combinação adequada dos dois componentes garante que o tecido uterino permaneça protegido e saudável, permitindo que a paciente aproveite todos os benefícios sistêmicos da terapia sem colocar a saúde em risco. Já as mulheres que passaram por procedimentos cirúrgicos para a remoção do órgão, por outro lado, costumam seguir protocolos distintos, nos quais o uso do protetor endometrial nem sempre se faz necessário.
Essa diferenciação anatômica reforça a importância de fugir de soluções genéricas ou de orientações baseadas no relato de terceiros. A escolha da via de administração, seja por meio de géis, adesivos transdérmicos ou comprimidos orais , bem como a definição das dosagens exatas, deve levar em consideração fatores como idade, tempo de início dos sintomas, histórico familiar de doenças crônicas e até a presença de condições ginecológicas prévias.
“Cada organismo responde de maneira única às oscilações e à queda na produção hormonal. Não existe uma receita pronta ou um tratamento universal para essa fase da vida. O verdadeiro segredo da medicina personalizada está em entender detalhadamente a necessidade de cada corpo, ajustando as combinações e as dosagens com critério para garantir total segurança e qualidade de vida a longo prazo”, conclui o médico.
Saiba mais sobre o trabalho do Dr. Michael Zarnowski: @drmichaelzarnowski
Fonte: Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose
