Especialista avalia os desafios e oportunidades para a economia brasileira em 2025
O ano de 2025 se inicia com um cenário econômico desafiador para o Brasil. Após um desempenho acima das expectativas em 2024, impulsionado pelo setor de serviços, agronegócio e retomada da indústria, a economia brasileira enfrenta agora um período de ajustes. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superou projeções no ano passado, e a taxa de desemprego atingiu o menor patamar em anos. No entanto, desafios como a inflação persistente, o ajuste fiscal e o cenário internacional incerto exigem atenção.
Desafios fiscais e política monetária
A estabilidade fiscal continua sendo um dos principais desafios para o governo. Segundo El Khatib, é fundamental que o ajuste fiscal seja conduzido de forma crível para garantir a sustentabilidade das contas públicas. “O governo precisará aumentar a arrecadação e controlar os gastos sem comprometer a atividade econômica”, destaca.
Por outro lado, o Banco Central terá que encontrar um equilíbrio entre o controle da inflação e o crescimento econômico. Com Gabriel Galípolo assumindo a presidência da instituição, a expectativa é de uma política monetária que mantenha a independência técnica. O histórico de Galípolo na gestão pública sugere uma abordagem mais alinhada ao governo atual, mas ele precisará provar que sua gestão manterá um caráter técnico e imparcial.
“Galípolo precisará demonstrar autonomia para conquistar a confiança do mercado e evitar interferências que possam prejudicar a credibilidade do Banco Central”, complementa El Khatib.
Reformas estruturais e mercado financeiro
A implementação de reformas estruturais será determinante para a economia em 2025. A reforma tributária e a modernização da política fiscal são pontos de atenção. “A agenda econômica do governo inclui 25 medidas, como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a regulação das Big Techs. Se implementadas com sucesso, essas medidas podem melhorar o ambiente de negócios e atrair investimentos”, avalia o professor da FECAP.
O “humor” do mercado em relação ao Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dependerá da efetividade dessas reformas. A estratégia adotada pelo ministro para controlar o déficit e equilibrar as contas públicas precisará demonstrar resultados rápidos para evitar volatilidade no mercado financeiro. “A estabilidade fiscal e a previsibilidade econômica são essenciais para garantir a confiança dos investidores e estimular o crescimento”, pontua El Khatib.
Inflação e impacto no consumidor
A inflação segue como um dos principais desafios para 2025, especialmente no setor de alimentos. “Esperamos um aumento nos preços de itens como café, laranja e carnes, com projeção de alta entre 6% e 7% no setor alimentício. Por outro lado, produtos como leite e óleo de soja podem apresentar redução de preços”, aponta o professor da FECAP. O setor de energia também merece atenção, com possíveis aumentos nas tarifas devido à volatilidade do preço do petróleo e impactos da crise climática na geração de eletricidade.
A valorização do dólar também é um fator de preocupação. “Se o dólar continuar subindo, isso pode pressionar os preços dos combustíveis e insumos importados, impactando toda a cadeia produtiva”, explica o professor.
Cenário internacional e impacto no Brasil
As políticas econômicas globais também influenciarão a economia brasileira. “A nova gestão de Donald Trump nos EUA pode gerar impactos significativos, desde tarifas comerciais até mudanças nas relações diplomáticas e fluxos de investimento”, alerta o especialista. Questões como a política imigratória e as diretrizes ambientais também podem afetar o Brasil, principalmente no agronegócio e no setor de exportação.
O especialista: Ahmed Sameer El Khatib é Doutor em Finanças e Doutor em Educação, Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais, graduado em Ciências Contábeis, Pós-doutor em Contabilidade e Pós-doutor em Administração. É graduando e doutorando em Psicologia Clínica. É professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e professor adjunto de finanças da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).