Eleições 2026 mostram por que investidor não deve esperar uma crise para iniciar sua diversificação patrimonial
Com o primeiro turno das eleições marcado para 4 de outubro, a reta final da disputa presidencial tende a ampliar a atenção dos investidores sobre propostas econômicas, trajetória fiscal, juros e ambiente regulatório. Em anos eleitorais, a incerteza sobre a condução futura da economia costuma aumentar a sensibilidade dos mercados às expectativas, com reflexos sobre Bolsa, câmbio e juros antes mesmo de qualquer mudança concreta na política econômica.
A volatilidade recente do mercado brasileiro ajuda a dimensionar esse cenário. Até 17 de agosto, o Ibovespa acumulava queda de 6,30% no mês, mas uma sequência de altas reduziu a perda mensal para apenas 0,33% no fechamento de agosto. Poucos dias depois, em 2 de setembro, o índice avançou 3,05% em uma única sessão, na maior alta diária desde março, em meio à reação do mercado a uma nova pesquisa presidencial e à entrada de capital estrangeiro. As mudanças rápidas de direção reforçam como expectativas econômicas e políticas podem provocar oscilações expressivas em pouco tempo e evidenciam o risco de tomar decisões patrimoniais de longo prazo a partir de movimentos circunstanciais do mercado.
Para André Peniche, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, o maior risco está em transformar a volatilidade do período em motivo para decisões precipitadas. “Quando a decisão é emocional, o investidor normalmente compra dólar quando ele já subiu, vende ativos quando eles já caíram ou muda a carteira sem uma estratégia clara. Eleições não devem ser o motivo para começar um planejamento patrimonial, mas sim um lembrete da importância de já ter esse planejamento estruturado”, afirma.
Além do impacto sobre as decisões individuais dos investidores, o período eleitoral também costuma elevar a sensibilidade dos mercados à tentativa de antecipar os possíveis rumos da economia. Adriano Murta, especialista em investimentos internacionais e advogado tributarista, ressalta que esse movimento faz parte da dinâmica de períodos de maior incerteza política. “Nos períodos eleitorais, é natural que os mercados monitorem de perto cada passo dos candidatos, o que costuma gerar oscilações no câmbio. Contudo, não existe qualquer indício de que toda eleição resulte em crise; o que ocorre é a elevação do grau de incerteza, tornando a curva de juros, o câmbio e a bolsa de valores mais sensíveis”, explica.
A experiência de outros ciclos eleitorais também mostra que buscar proteção somente quando a incerteza aumenta pode elevar o custo das decisões. No caso da internacionalização patrimonial, o planejamento envolve muito mais do que escolher o melhor momento para uma remessa: é preciso avaliar objetivos, tributação, declaração dos ativos no Brasil, origem dos recursos, escolha da jurisdição, titularidade dos bens, custos de manutenção e aspectos sucessórios. A construção gradual da exposição internacional também permite distribuir as movimentações ao longo do tempo, reduzindo a dependência de uma única cotação do câmbio.
Nesse processo, acompanhar pesquisas eleitorais pode fazer parte da leitura de cenário, mas não deve substituir a análise dos fundamentos econômicos. Trajetória fiscal, dívida pública, inflação, política de juros, reformas, segurança jurídica e previsibilidade regulatória são fatores capazes de produzir efeitos mais duradouros sobre a confiança e o preço dos ativos. “O foco precisa estar nos fundamentos e na capacidade institucional de execução, e não apenas na disputa eleitoral em si”, acrescenta Murta.
A diversificação internacional aparece, nesse contexto, como uma alternativa para reduzir a concentração do patrimônio em um único país, moeda ou ciclo econômico. Na avaliação de Peniche, a estratégia deve fazer parte de uma estrutura construída com visão de longo prazo. “Patrimônio não deve ser organizado de forma emergencial. Diversificar internacionalmente significa reduzir a dependência de uma única moeda, economia e jurisdição, distribuindo riscos de maneira mais equilibrada. Isso não significa abandonar o Brasil, mas construir uma estrutura mais resiliente, com acesso a mercados sólidos, como os Estados Unidos”, explica.
Para os especialistas, a principal mensagem diante das eleições de 2026 é que decisões patrimoniais precisam estar vinculadas a objetivos de longo prazo, e não às oscilações provocadas por pesquisas, declarações ou movimentos pontuais dos mercados. Revisar riscos e rebalancear investimentos pode ser necessário, desde que as mudanças sejam feitas de maneira técnica e planejada.
“Esperar uma eleição, uma alta forte do dólar ou uma crise para começar pode levar a decisões mais caras e apressadas. Quando essa proteção é construída gradualmente e de forma adequada, o investidor passa a atravessar esses ciclos com muito mais segurança”, conclui Peniche.
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Sobre André Peniche
André Peniche, com mais de 20 anos de experiência no mercado, é sócio-fundador da Murta Peniche Sociedade de Advogados, liderando as áreas de planejamento tributário e investimentos. Com passagens por grandes instituições financeiras e empresas, André se destaca pela sua expertise em otimização fiscal e pela atuação no mercado global, com foco em investimentos internacionais e expansão de negócios. Além disso, é Introducing Broker e Money Manager para o Swissquote Bank, oferecendo soluções inovadoras no setor financeiro.
Sobre Adriano Murta
Adriano Murta é o fundador e líder da M&P Capital Investments, especializada em assessoria e consultoria para investimentos no mercado financeiro e imobiliário dos Estados Unidos. Com mais de 20 anos de experiência, Adriano se destaca por sua habilidade em simplificar o processo de investimentos para brasileiros e investidores internacionais, oferecendo soluções personalizadas, eficazes e seguras.
