EducaçãoEducação

Da escola para o mundo real: estudantes desenvolvem cadeira de rodas controlada por expressões faciais

Projeto criado no contraturno da Academia Donaduzzi usa inteligência artificial e visão computacional

Projeto criado no contraturno da Academia Donaduzzi usa inteligência artificial e visão computacional. Primeiro protótipo em tamanho real está sendo desenvolvido e viabilidade de produção será avaliada

Levantar as sobrancelhas para fazer uma cadeira de rodas andar para frente e abrir a boca para fazê-la parar. O que começou como um projeto desenvolvido por estudantes no contraturno da Academia Donaduzzi, em Toledo, no Oeste do Paraná, agora avança para uma nova etapa: a construção do primeiro protótipo em tamanho real e a avaliação da viabilidade de transformar a tecnologia em um produto.

Face Control, criado pelos estudantes Fernando Miguel Koch e Laura Garbozza, utiliza inteligência artificial e visão computacional para reconhecer expressões faciais e transformá-las em instruções para uma cadeira de rodas motorizada. A proposta é ampliar a autonomia de pessoas com deficiência motora severa que não conseguem utilizar os mecanismos convencionais de controle.

O projeto começou em abril de 2025, a partir da preocupação de Fernando com as dificuldades enfrentadas por esse público. Ao pesquisar soluções existentes, os estudantes encontraram sistemas controlados por movimentos da cabeça ou por voz, mas também relatos de usuários que não conseguiam utilizá-los ou enfrentavam dificuldades em ambientes com ruído.

A alternativa foi desenvolver um sistema que não dependesse da fala nem de movimentos amplos do corpo. Depois de seis protótipos produzidos com impressão 3D, os estudantes chegaram a 98,5% de precisão no reconhecimento das expressões faciais utilizadas para controlar a cadeira.

Com investimento do Biopark, por meio da área de PD&I, a equipe está agora adaptando a tecnologia para uma cadeira de rodas motorizada em tamanho real. A etapa permitirá testar o sistema em condições mais próximas à realidade e analisar aspectos técnicos e a viabilidade de uma eventual produção para o público geral.

“Desde o início, o projeto nasceu de uma dor real. O estudante trouxe uma preocupação, pesquisamos soluções e começamos a construir uma alternativa. O interessante é acompanhar essa transformação: aquilo que começou como uma ideia no contraturno está caminhando para se tornar uma tecnologia aplicável, com potencial de trazer qualidade de vida para muitas pessoas”, explica o professor Lucas Souza, orientador do projeto, junto de Gustavo Luiz K. Klein.

O Face Control já recebeu uma moção de aplausos da Câmara Municipal de Toledo e dois prêmios na área de tecnologia e inovação, na Mostra de Projetos da Academia Donaduzzi e na Feira Científica do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (FENAAHs). Entre os dias 26 e 29 de agosto, será apresentado na Feira de Ciência, Engenharia e Tecnologia (FECET), a maior feira científica pré-universitária do Paraná, em busca de novas oportunidades para levar a pesquisa a outros eventos científicos

.

Da escola para o mundo real

A trajetória do Face Control traduz uma das propostas do Biopark Educação: aproximar os estudantes de problemas reais e transformar a escola em um espaço de experimentação, onde curiosidades e interesses possam se transformar em projetos, conhecimento e novas perspectivas de futuro.

“Preparar o estudante para a vida é oferecer ferramentas para que ele consiga olhar para a realidade, identificar problemas e buscar soluções. Nem todos vão empreender, mas todos precisam desenvolver autonomia, criatividade e capacidade de resolver problemas”, afirma Paulo Rocha, vice-presidente do Biopark Educação.

A experiência de Fernando é um exemplo desse processo. Estudante da Academia Donaduzzi e do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Donaduzzi, ele conquistou recentemente medalha de ouro na 2ª Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial (ONIA). A competição reuniu mais de 950 mil estudantes de 18 estados brasileiros, mas apenas 28 conquistaram o ouro. Na etapa final, Fernando desenvolveu um modelo de inteligência artificial para solucionar um problema utilizando o Santos Dumont, supercomputador dedicado à pesquisa científica.

 

Excelência que se traduz em resultados

A trajetória do estudante não é um caso isolado. A busca por excelência acadêmica, científica e no desenvolvimento de habilidades é uma característica do trabalho realizado pelo Colégio Donaduzzi e pela Academia Donaduzzi, que integram o ecossistema do Biopark e incentivam os estudantes a participar de olimpíadas, desenvolver projetos e enfrentar desafios em diferentes áreas.

Somadas, as duas instituições contabilizam 60 premiações em olimpíadas, competições científicas, tecnologia, empreendedorismo e xadrez. Entre os destaques estão medalha de ouro na etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Foguetes, 23 medalhas na Olimpíada Brasileira de Astronomia, duas medalhas de bronze na etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica, reconhecimento entre os dez melhores projetos do Brasil na Maratona de Empreendedorismo Jovem e 32 medalhas em diferentes etapas de competições de xadrez.

Mais do que o número de medalhas, os resultados mostram uma proposta de formação que busca colocar o estudante diante de desafios e ajudá-lo a descobrir, ainda na escola, como transformar conhecimento em projetos, soluções e possibilidades profissionais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.