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Caio Megale, economista-chefe da XP, avalia decisão do Copom

O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., para 14,00%, conforme esperado de forma (quase) unânime pelos participantes do mercado. O comunicado pós-reunião foi neutro, em nossa avaliação, oferecendo sinais limitados sobre os próximos passos da política monetária.

O Comitê ajustou sua avaliação do cenário doméstico para incorporar os indicadores mais recentes de atividade econômica e inflação, que vieram mais fracos. Na última reunião, há apenas sete semanas, o Copom afirmava que os dados mostravam aceleração da atividade econômica e da inflação subjacente. Hoje, o Copom mencionou uma “moderação gradual da atividade econômica” e que a inflação subjacente desacelerou “para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta”.

Isso mostra não apenas que os indicadores recentes foram melhores, mas também nos lembra que os indicadores de alta frequência são voláteis — portanto, devemos relativizar as “verdades” de curto prazo.

A projeção do Copom veio em linha com o que a maioria dos participantes do mercado e nós esperávamos. O IPCA no cenário de referência (que utiliza a trajetória da Selic do boletim Focus) atinge 3,2% no primeiro trimestre de 2028.

O restante do comunicado trouxe mensagens semelhantes às da reunião anterior, mas acrescentou que o Comitê “monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos”. Também reforçou que o ambiente atual “demanda serenidade e cautela” e que manterá a política monetária com ” restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”. Acreditamos que, com essas palavras, o Copom efetivamente adotará uma abordagem dependente de dados.

Em nossa visão, os atuais choques de oferta global (energia, inteligência artificial, El Niño) e demanda doméstica (pacote expansionista fiscal e parafiscal), além das expectativas acima da meta ainda justificam uma pausa na calibragem da taxa de juros no patamar atual. Essa abordagem conservadora contribuiria para evitar uma deterioração adicional das expectativas de inflação e garantir um ambiente mais claro para um ciclo de afrouxamento mais assertivo e sustentável no próximo ano.

No entanto, reconhecemos que há sinais de que a economia e a inflação podem estar esfriando antes do esperado. Caso esse cenário se confirme nos dados que virão, uma pausa deixaria de fazer sentido, e o Copom deveria optar por continuar reduzindo gradualmente a taxa Selic nos próximos meses.

Por ora, mantemos nossa projeção para a Selic em 14,00% neste ano e 11,50% em 2027. Considerando que o cenário está particularmente volátil tanto no âmbito global quanto no doméstico, aguardaremos um pouco mais e reuniremos mais informações antes de ajustar nosso cenário para a taxa básica de juros brasileira.

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