Ao participar nesta terça-feira (11/8) do lançamento da Plataforma Gasto Brasil no Congresso Nacional, o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, defendeu duas medidas conter as despesas dos governos federal, estaduais e municipais: a reforma administrativa e a redução anual de 1% na relação da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Utilizando os dados do Gasto Brasil, que totaliza R$ 3,4 trilhões, em comparação com o Impostômetro, Cotait reforçou que a despesa pública ultrapassa em R$ 1 trilhão a arrecadação, que totalizava R$ 2,4 trilhões. Ele relacionou os números apresentados ao cenário fiscal do país e defendeu maior controle sobre a gestão das contas públicas.
“Precisamos ter crescimento econômico no país. O país cresce 3% ao ano, mas a dívida vem crescendo 6%. Na prática, estamos decrescendo 3%, e o país está ficando mais pobre nessa mesma proporção. A relação dívida/PIB, que era de 71%, 72%, está beirando os 82% — cresceu exponencialmente, e esse gasto não foi feito com qualidade”, ressaltou.
Cotait reivindicou que no início da próxima legislatura seja iniciativa, imediatamente, a discussão da reforma administrativa e de uma forma ter uma métrica que sirva de redutor da relação dívida e PIB. Ele acredita ser possível diminuir os gastos em até R$ 120 bilhões por ano, principalmente em despesas desnecessárias.
Por outro lado, o presidente da CACB disse que se houver aumento do investimento e crescimento do PIB, não seria necessário realizar esses cortes. “O que interessa é a relação dívida e PIB. As dívidas públicas podem até estar em uma magnitude elevada desde que haja mais crescimento”, declarou. O dirigente disse que o Brasil precisa investir mais em infraestrutura e educação.
“Temos que ter um novo modelo que possa dar ao Brasil uma sinalização de redução da dívida em relação ao PIB. Esse é o principal termômetro. Se a dívida continuar a crescer nos ritmos atuais, o país vai ficar numa situação de insolvência”, salientou Cotait. Ele destacou que a apresentação do Gasto Brasil é um alerta do setor produtivo aos parlamentares. “Se esse problema não for resolvido, vamos perpetuar uma taxa de juros que inviabiliza qualquer produção”, manifestou.
Na visão de Cotait, o poder público gasta muito com poucos recursos para investimentos. “É preciso ter um crescimento econômico saudável, sustentável e não esse crescimento que é fictício que a gente cresce mais gera uma dívida duas vezes maior e que representa na verdade um decréscimo e um empobrecimento da classe média”, avaliou.
Gasto Brasil é um apoio ao controle social, afirmam parlamentares
O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) ressaltou que o acesso a números corretos permite compreender a dimensão dos gastos e avaliar sua eficiência. “Não é dizer se está se gastando muito, mas se estamos gastando bem, estamos gastando com qualidade”, afirmou. O deputado Luiz Gastão (PSD-CE) também destacou a importância da iniciativa para acompanhar a destinação dos recursos. “Essa plataforma vai dar uma transparência muito grande para que a gente possa avaliar para onde está indo esse recurso”, disse.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) ressaltou que é fundamental que o país saiba “no que gasta, onde gasta e a qualidade dos gastos que faz”, destacando ainda que os indicadores poderão ajudar a avaliar o retorno dos recursos para a sociedade. Já o senador Efraim Filho (PL-PB) lembrou que o equilíbrio fiscal também passa pelo controle das despesas. “O equilíbrio fiscal também se faz pelo lado da despesa, qualificando o gasto público, eliminando o desperdício, reduzindo custos”, afirmou.
A ferramenta também foi apontada como um instrumento de apoio à atuação dos parlamentares e de fortalecimento do controle social. O deputado Jorge Goetten afirmou que os indicadores do Gasto Brasil permitirão ao Congresso ser “mais assertivo” e “mais cuidadoso” nas decisões sobre os recursos públicos.
Para o Deputado Domingos Sávio, a participação da sociedade é essencial nesse processo, já que “dinheiro público vem dos impostos e tem quem paga”, reforçando o papel do contribuinte no acompanhamento da aplicação dos recursos. A deputada Soraya Santos reforçou que a plataforma une transparência e avaliação de resultados. “Todo gasto público, primeiro ele tem que ser transparente, segundo, tem que medir”, afirmou. Também participaram a deputada Adriana Ventura (Novo- SP) e os deputados Luiz Ovando (PP-MS), Cláudio Cajado (PP-BA) e Luiz Carlos Hauly (Pode-PR).
Apresentação no Congresso Nacional
O lançamento da Plataforma Gasto Brasil no Congresso Nacional foi realizado pela Confederações das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O painel monitora as despesas dos governos federal, estaduais e municipais. Com dados fornecidos online, a ferramenta foi criada, em 2025 pela CACB e a Associação Comercial da São Paulo (ACSP), para dar mais transparência às contas públicas e mensurar a qualidade do desembolso dos três entes da federação.
O vice-presidente da CNA, Humberto Miranda falou que “discutir a qualidade do gasto público é discutir o próprio futuro do Brasil”. Ele comparou o crescimento do país na última década com os países emergentes e que, mantido esse ritmo, “levaremos décadas para dobrar nossa renda, enquanto nossos concorrentes alcançarão esses resultados em menos de 20 anos”. Entre as razões, afirmou Miranda, estão a baixa produtividade, os juros elevados e o crescimento da dívida pública. O dirigente citou a carga tributária e os gastos com juros da dívida, “recursos que deixam de financiar infraestrutura, educação, inovação e investimentos”.
No evento no Congresso Nacional, que teve a presença de presidentes de federações e associações empresariais, foram apresentadas novas funcionalidades da plataforma, com informações ainda mais detalhadas, indicadores econômicos, valores por habitante, índices de qualidade da informação e novos recursos para consulta e comparação dos gastos públicos.
O coordenador da plataforma, Cláudio Queiroz, destacou três novidades após o primeiro ano de funcionamento do Gasto Brasil. “A informação por ente da federação das despesas com a previdência, onde agora consigo chegar até em nível de município, a criação de um indicador que classifica a qualidade da informação, e o aperfeiçoamento da interligação que temos com o Tesouro Nacional, que ficou 100% automático na atualização”, explicou.
Até a próxima quinta-feira (13), estará aberta à visitação a exposição do Painel Gasto Brasil, instalada no Espaço Mário Covas, Anexo II da Câmara dos Deputados.