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A radioterapia na mama é segura para coração e pulmão?

Importante no tratamento contra o câncer de mama, a radioterapia precisa ser muito bem estudada para não afetar órgãos da região toráxica

 

A radioterapia é amplamente empregada no tratamento dos tumores de mama. Ela pode ser utilizada de forma intra-operatória, durante o procedimento cirúrgico ou após as cirurgias mamárias. Entretanto, há uma grande preocupação dos radio-oncologistas ao dirigir a dose de tratamento às áreas próximas ao tumor, pois é preciso saber se a radioterapia na mama é segura para coração e pulmão.

Um estudo publicado no Jornal da Sociedade Americana do Coração mostrou que a exposição do coração à radiação pode aumentar o risco de doenças cardíacas. Porém, o tratamento radioterápico tem comprovada eficiência no controle local do câncer de mama, impedindo o reaparecimento de novos tumores na mama e nas regiões vizinhas, contribuindo para o aumento da sobrevida.

Então, como proteger o coração (e o pulmão)?

No intuito de tornar o tratamento mais seguro possível, inúmeras instituições científicas, como as Sociedades Americana, Europeia e Brasileira de Radioterapia sugerem a adoção de rigorosos procedimentos. Ou seja, processos que assegurem que estas áreas recebam uma dose que não traga efeitos colaterais a curto ou a longo prazo.

“Todas as pacientes devem, antes da radioterapia, realizar uma tomografia de planejamento”, explica o radio-oncologista Miguel Torres, presidente do Instituto de Radioterapia São Francisco. Segundo o médico, esse exame utiliza o mesmo aparelho de tomografia normalmente empregado em radiologia.

“A paciente é colocada na mesma posição de tratamento e a tomografia localiza com precisão a mama, o coração, a artéria coronária anterior esquerda e o pulmão”, detalha o especialista. Essa tomografia serve de base para que se desenhe, de forma precisa e uniforme, as áreas a serem tratadas e a serem protegidas.

Plano sistematizado

Esse exame e os desenhos dos locais a serem tratados são levados a um sistema de planejamento computadorizado e, com o auxílio de um físico médico, os cálculos de dose são realizados. O radio-oncologista recebe, então, um mapa com as doses que cada área receberá. “Ele analisa cada caso de forma individual e, de acordo com orientações internacionais, estabelece se as doses recebidas pelos tecidos sadios são consideradas seguras”, comenta Torres.

O tratamento é liberado após a certeza de que as doses são seguras. “Também durante o tratamento são realizadas radiografias de controle que vão assegurar que a posição do paciente e as áreas a serem tratadas e protegidas estão rigorosamente dentro do plano aprovado”.

“Dessa forma, esses cuidados, hoje empregados de forma padronizada e rotineira, asseguram a todos a realização de uma radioterapia precisa, controlada e confiável”, comenta Miguel Torres. “Elas oferecem mínimas repercussões sobre o pulmão, coração e artérias coronarianas”, assegura Dr. Miguel.

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