Da inovação ao paciente: o papel da indústria farmacêutica na ampliação do acesso aos medicamentos de alta complexidade no Brasil
Especialista explica como pesquisa, tecnologia e novas estratégias de distribuição podem aproximar tratamentos de alta complexidade dos pacientes e reduzir desigualdades no acesso à saúde no país.
O desenvolvimento de medicamentos destinados a doenças raras, câncer, condições autoimunes e outros quadros complexos ampliou as possibilidades de tratamento no Brasil. Entretanto, a existência de uma nova terapia não garante que ela chegará rapidamente a todos os pacientes que poderiam se beneficiar.
Entre a pesquisa e o início do tratamento, o medicamento passa por etapas como estudos clínicos, aprovação regulatória, definição de preço e avaliação para incorporação ao sistema público ou à saúde suplementar. Depois disso, ainda existem desafios relacionados à compra, ao armazenamento, à distribuição e à estrutura necessária para administrar ou acompanhar o uso.
Segundo Fernando Kutova, porta-voz da Expo-Hospital Brasil, a ampliação do acesso depende da colaboração entre diferentes setores. “A indústria desenvolve e produz a tecnologia, mas sua chegada ao paciente envolve hospitais, distribuidores, profissionais da saúde, órgãos reguladores e gestores públicos e privados. Quando essa cadeia não funciona de forma integrada, a inovação pode existir sem estar acessível”, explica.
Medicamentos de alta complexidade frequentemente exigem condições específicas de transporte e conservação, além de equipes capacitadas e acompanhamento contínuo. Em regiões distantes dos grandes centros, a ausência dessa estrutura pode aumentar o tempo entre a prescrição e o início da terapia.
“A logística também faz parte do cuidado. Não basta disponibilizar o medicamento se o paciente precisa percorrer longas distâncias para recebê-lo ou se a instituição não possui condições para armazená-lo e administrá-lo adequadamente. A tecnologia precisa chegar com segurança ao local onde será utilizada”, afirma Kutova.
Parcerias para transferência de tecnologia, produção nacional e compartilhamento de riscos podem ajudar a reduzir custos e ampliar a disponibilidade de determinadas terapias. Ferramentas de rastreabilidade, sistemas de gestão de estoque e análise de dados também contribuem para evitar desperdícios e antecipar problemas de abastecimento.
Outro desafio é conciliar a incorporação de novos tratamentos com a sustentabilidade dos sistemas de saúde. A avaliação precisa considerar evidências de segurança e eficácia, impacto orçamentário e benefício clínico, evitando tanto atrasos desnecessários quanto a adoção de tecnologias sem resultados suficientemente demonstrados.
“Inovação em saúde não deve ser medida apenas pelo lançamento de um medicamento. O avanço se completa quando existe diagnóstico, prescrição adequada, estrutura para o tratamento e continuidade do acompanhamento. Aproximar indústria, gestores e serviços de saúde é essencial para transformar pesquisa em benefício real para o paciente”, conclui Fernando Kutova.
Saiba mais: @expohospitalbrasil | www.expohospitalbrasil.com.br
Fonte: Fernando Kutova — porta-voz da Expo-Hospital Brasil.
