Arte e Cultura

Suicídio ou assassinato: GETÚLIO VARGAS

Zelito Magalhães/texto
A Nação Brasileira acordou seu povo na manhã de 24 de agosto com a notícia da morte do presidente Getúlio Vargas. “O texto em três vias chegou às mãos de Getúlio para ser assinado durante a última reunião do ministério com o presidente, naquela madrugada. A carta-testamento nunca existiu. Vargas assinou o papel sem ler. O autor foi o publicita e industrial José Maciel Filho”. Gregório Fortunato, o guarda-costas do Presidente e denominado de “anjo negro” encontrava-se naquela madrugada no quarto contíguo de seu chefe.

O jornalista Carlos Lacerda
O jornalista CARLOS Frederico Werneck de LACERDA morreu de enfarte em 21 de maio de 1977. Houve quem dissesse que a causa- morte fora uma profunda frustração: o governo suspendera seus direitos políticos em 1968, caindo por terra seus sonhos de governar o país. No décimo aniversário de sua morte, aqui está, em suas próprias palavras, um apanhado das principais impressões de vida publicadas sob o título: ‘Rosas e Pedras do Meu Caminho’ (1967). No curso do depoimento de Carlos Lacenda condensado por Lorem Falcão, lê-se o tópico: “No dia em que Vargas se suicidou, 24 de agosto de 1954, eu acabava de passar a noite celebrando sua renúncia. Voltei à Igreja, rezei por sua alma, profundamente chocado com aquele desenlace que não desejaria jamais. A carta-renúncia nunca existiu. Não foi escrita por ele. O texto em três vias chegou às mãos de Getúlio para ser assinado durante a última reunião do ministério com o Presidente, na madrugada de 24 de agosto de 1954. Vargas assinou os papéis sem ler o conteúdo. O autor foi o publicista e industriar José Maciel Filho.

Carta-Testamento
Vazada nos seguintes termos, a carta dizia: “Eu vos dei minha vida. Agora vou oferecer a minha morte. Nada receio. Serenamente, dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história” – Getúlio Vargas.

A versão de Virgínia Lane
A vedete Virgínia Lane deu a seguinte versão sobre a morte de Getúlio Vargas, que foi publicada por Ruy Costa, colunista da Folha, edição de 16 de fevereiro de 2014: “Na madrugada de 24 de agosto, de 1954, o presidente Vargas estava na cama, em seu quarto, no Palácio do Catete, quando quatro homens embuçados entraram pela janela e o mataram a tiros. Não ria. Com ele, sob os lençóis, estava a vedete Virginia Lane, com quem Getúlio tinha um caso de amor há 15 anos. Da entrada dos assassinos pela janela até o fatal tiro no coração, Getúlio teve tempo de tomar importantes providências. A primeira foi pedir a Virgínia que jurasse nunca contar que ele fora assassinado – juramento que ela só quebrou há pouco. Asegunda foi chamar seu guarda-costas Gregório Fortunato, certamente dormindo aposento ao lado, para que tirasse Virgínia dali. Magicamente, Gregório materializou-se no quarto do presidente e, fiel às ordens do chefe, pegou Virgínia nos braços e a atirou pela janela.

As conclusões de Ruy Castro
Em edição da Folha de 16 de fevereiro de 2014, disse o jornalista Ruy Castro: “Pelas declações de Virginia Lane, não ficou muito claro o papel de Gregório nesse episódio. Por que ele dera preferência a salvar a vedete e não defender o presidente? E o que aconteceu aos outros dois homens que ficaram para trás? E como Virginia conseguiu sair do Catete pelada e cheia de fraturas, e tomar um táxi na rua sem ninguém perceber? Gregório Fortunado, também conhecido como “Anjo Negro”, era o protetor de Getúlio, que dormia num quarto contíguo.
No curso da matéria, diz Ruy que esse relato consta de uma entrevista concedida por Virginia à Rádio Globo, em 2012.

Virgínia Giacone Lane, filha de Arminda Carneiro Araújo e do imigrante italiano Luigi Oreste Giuseppe Damasceno Giacone, nasceu em Volta Redonda, Rio de Janeiro, a 28 de fevereiro de 1920. Cantora, foi considerada uma das maiores atrizes consagrada como “A Vedete do Brasil” – título concedido pelo então presidente Getúlio Vargas – ela marcou época nos anos de ouro do rádio e do teatro de revista com seus shows c marchinhas. Iniciando sua carreira artística aos 15 anos, no Cassino da Urca, Virgínia logo se tornou um icone do entretenimento nacional. Estrelou mais de 30 filmes, dentre os quais, “Anjo do Lodo”(195l); gravou cerca de 20 discos e eternizada na memória popular por interpretar marchinhas de carnaval – dentre essas “Sassaricando”/ todo mundo leva a vida no arame/A viúva, o brotinho e a madame…

Teve uma filha adotiva chamada Marta. Faleceu em São Paulo a 10 de julho de 2014, em consequência de falência múltima.

O perfil de Getúlio Vargas
Getúlio Dorneles Vargas nasceu em São Borja, RS a 19 de abril de1882, filho do casal Manuel do NascimentoVargas e Cândida Dorneles Vargas.
Pertencia a tradicional família de políticos. Tentou a vida militar na juventude, mas logo mudou de rumo e formou-se em Direito pela Faculdade de Porto Alegre. Iniciou sua carreira política como deputado estadual e em seguida federal. Após ser Ministro da Fazenda, no Governo de Washington Luis, elegeu-se governador do Rio Grande do Sul em 1928, destacando-se por suas habilidades em conciliar interesses de diferentes elites regionais. Em 1930, após ser derrotado na eleição, Getúlio Vargas liderou um movimento armado conhecido como ‘Revolução de 30’, que depôs o presidente Washington Luis e pôs fim à Revolução do Café com Leite. A primeira fase de seu governo é marcada pela Era Vargas, dividida em três momentos: Governo Provisório (1930-34) que começou e centralizou o poder, nomeando interventores nos estados e iniciou reformas trabalhistas, Governo Constitucional (1934-37). Após uma nova Constituição, foi eleito de forma indireta e enfrentou fortes conflitos dentre grupos de extrema-direita (integralistas) e de esquerda (comunistas) No Estado Novo (1937-1945) utilizando a farsa do Plano Cohen, Getúlio deu um golpe de estado.fechou o Congresso, censurou a Imprensa através do DIP-Departamento de Imprensa e Propaganda e instalou uma ditadura. Plano Cohen era uma farsa política forjada em 1937 por militares. Consistia de documento falso que simulava um plano secreto da Internacional Comunista para tomar o poder no Brasil, através de greves, incêndios e assassinatos.

Foi durante essa longa gestão que ocorreu a modernização estrutural do Brasil: a propaganda das grandes empresas de base, como a Vale do Rio Doce. Paralelamente, Vargas ganhou o apoio das massas ao instituir o Salário Mínimo, as férias remuneradas, a carteira de trabalho e a Consolidação das Leis doTrabaho -CLT. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a pressão para que o Brasil voltasse a ser democrático, Vargas foi deposto em 1945 por um golpe militar. No entanto, retornou ao poder em 1950, vencendo a eleição presidencial pelo voto direto.

Em seu segundo mandato (195l-1954) ocorreu forte oposição política, grave crise econômica e intensa tensão da mídia. O momento mais tenso ocorreu em agosto de 1954, após o atentado da Rua Toneleros, que vitimou o major Rubens Vaz e atingiu o jornalista opositor Carlos Lacerda. Pressionado por militares e politicos, para renunciar, Vargas teria se suicidado na madrugada de 24 de agosto de 1954.

O Pai dos Pobres
O termo refere-se historicamente a Getúlio Vargas. O apelido popular foi construido durante a Era Vagas (especialmente no Estado Novo) devido a implementação das leis trabalhistas, criação da CLT e políticas de bem-estar social que beneficiou a classe operária.
João Goulart e o Velório de Vargas

“Vargas morreu como um gaúcho. O imortal e grande patriota Getúlio Vargas, tombou como um patriota, mas o povo continua a caminhada, guiado pelos seus ideais” – disse João Goulart ”
Poeta decanta em versos a morte
Em sua inspiração poética, Zelito Magalhães compôs os versos que foram publicados na revista Universo Maçônico (São Paulo) edição dezembro/2016:
Faleceu o Presidente
Com um tiro no coração
Há 24 de agosto
O Brasil desmoronou-se
Quando correu a notícia
Getúlio suicidou-se.
A imprensa comentou
O povo também chorou
De luto deixa a Nação.
Com grande desgosto ardente
– Faleceu o Presidente
Com tiro no coração.
Morto foi ele encontrado
Num do salões do Catete
E ao lado do cadáver
Um explicável bilhete:
A sanha do inimigo
Leva a morte comigo.
Deixo minha retidão…
Com grande desgosto ardente
– Faleceu o Presidente
Com um tiro no coração

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