Saúde

Saúde bucal avança na infância, mas perda de dentes ainda desafia idosos no Ceará

Dados do SB Brasil revelam contraste entre prevenção nas novas gerações e histórico de doenças bucais entre pessoas de 65 a 74 anos

O Brasil tem avançado na prevenção de problemas bucais entre as crianças, mas a perda de dentes ainda representa um desafio importante entre a população idosa. O contraste aparece nos dados do levantamento epidemiológico SB Brasil, utilizado como referência para acompanhar as condições de saúde bucal da população. O cenário ganha destaque neste 25 de outubro, Dia Nacional da Saúde Bucal, data instituída pela Lei nº 10.498/2002.

Entre as crianças brasileiras de 5 anos, 53,17% estão livres de cárie na dentição de leite, segundo o levantamento. Já entre os idosos de 65 a 74 anos, o índice de dentes cariados, perdidos e obturados (CPO-D) permanece elevado. No Ceará, a média fica na faixa de 24 a 27 dentes afetados por pessoa, com mais de 90% desse resultado relacionado a dentes perdidos.

O cenário mostra como problemas que começam décadas antes podem repercutir na terceira idade. Para o cirurgião-dentista Dr. Davi Cunha, especialista em Implantodontia e Estética Oral, a perda dentária não deve ser encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento.

“Perder os dentes não é uma consequência natural de envelhecer. Na maioria dos casos, existe um histórico de cáries, doenças gengivais e ausência de acompanhamento odontológico adequado. Quando a perda acontece, o impacto vai muito além da estética: interfere na mastigação, na fala, na alimentação e na autoestima”, explica.

Reabilitação acompanha avanço da odontologia digital

Para pacientes que já apresentam perdas dentárias, a evolução das técnicas de reabilitação oral ampliou as possibilidades de tratamento. Recursos como scanners intraorais, tomografias computadorizadas e planejamento digital permitem que profissionais tenham maior previsibilidade na avaliação e na execução de procedimentos de implantodontia e prótese.

Segundo Dr. Davi Cunha, o uso dessas ferramentas também modificou a experiência do paciente.

“Hoje conseguimos planejar digitalmente boa parte do tratamento antes mesmo de iniciar o procedimento. Isso permite avaliar estruturas anatômicas, definir o posicionamento dos implantes e prever a reabilitação protética com mais precisão. O planejamento adequado contribui para procedimentos mais seguros e individualizados”, afirma.

No Ceará, a assistência odontológica também conta com uma rede pública de atendimento especializado, que inclui Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) e Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPDs), ampliando o acesso da população a procedimentos que vão além da atenção odontológica básica.

Prevenção começa na infância

Para o especialista, o principal caminho para reduzir a necessidade de tratamentos complexos no futuro continua sendo a prevenção. A manutenção dos dentes naturais ao longo da vida depende de hábitos construídos desde os primeiros anos e do acompanhamento profissional regular.

Entre os principais cuidados estão:

  • Higiene diária: escovação adequada com creme dental fluoretado e uso regular do fio dental;

  • Acompanhamento odontológico: consultas periódicas para identificar cáries, doenças gengivais e outras alterações ainda nos estágios iniciais;

  • Atenção aos sinais: sangramento gengival, dor, sensibilidade, mobilidade dos dentes e alterações na boca devem ser avaliados por um cirurgião-dentista.

“A melhor reabilitação ainda é aquela que conseguimos evitar por meio da prevenção. Quanto mais cedo os problemas forem identificados, maiores são as chances de preservar os dentes naturais e chegar à terceira idade com uma saúde bucal adequada”, ressalta Dr. Davi.

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