Projeto Manzuá lança exposição e vídeos sobre o universo da pesca artesanal da lagosta em Icapuí (CE)
Nos dias 10 e 17 de outubro, acontecem os lançamentos da exposição e da série audiovisual “Manzuá – Entra mas não sai”, na Praia da Redonda e no Centro, em Icapuí (CE). O projeto artístico e documental dedicado ao universo da pesca artesanal da lagosta nas comunidades litorâneas desse município cearense é composto pela exposição fotográfica assinada por Sérgio Carvalho e uma série de três vídeos produzidos por Tibico Brasil, além de duas oficinas de fotografia e vídeo voltadas a jovens da rede pública de ensino, que serão realizadas nos dias 16 e 17 de outubro. Toda a programação é gratuita.
Por meio da fotografia e do audiovisual, o projeto acompanha os pescadores, seus modos de trabalho, a construção dos manzuás, os preparativos em terra, a saída para o mar e a espera pelo retorno. Mais do que documentar uma atividade econômica, o projeto registra uma cultura construída historicamente na relação entre homens, mar, trabalho e natureza, que hoje passa por profundas transformações.
O objetivo do projeto é dar visibilidade à paisagem humana, cultural e natural das comunidades de Icapuí que vivem da pesca artesanal, valorizando os pescadores e pescadoras, seus saberes e seus artefatos tradicionais, especialmente o manzuá. Além disso, procura refletir sobre as transformações da pesca, as mudanças sociais e ambientais do território e a necessidade de preservar conhecimentos transmitidos entre gerações.
O projeto Manzuá integra a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), sendo realizado pelo Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, com o apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Secult Ceará), tendo sido contemplado pelo 14º Edital Ceará das Artes – Categoria Fotografia. Conta ainda com o apoio da AQUASIS, da Associação Preserve Peroba e Picos e da Casa de Cultura Cores da Vida.

Trabalho, memória coletiva e cultura
Na exposição, o manzuá surge entre corpos e rostos dos pescadores, suas mãos, ferramentas, embarcações, gestos do trabalho e paisagens marítimas e costeiras de Icapuí. O próprio mar assume forte presença visual e simbólica nas fotografias de Sérgio Carvalho, evidenciadas pela expografia de Marcus Braga.
O manzuá, dispositivo que intitula o projeto, deixa de ser apenas a armadilha utilizada na captura da lagosta. “Manzuá constrói menos um inventário da pesca artesanal do que uma cartografia afetiva de seus gestos, vestígios e permanências. A armadilha que dá nome ao projeto torna-se metáfora de uma memória coletiva: feita de madeira, rede, mãos e experiência, guarda conhecimentos transmitidos através das gerações. Antes de ser armadilha, o manzuá é conhecimento; antes de ser pesca, é trabalho; antes de ser trabalho, é memória; e, antes de tudo isso, é vida”, explica a curadora, Vanessa Ramos.
Vencedor de importantes prêmios e com passagens por grandes festivais, Sérgio destaca o caráter humanista do trabalho. “Fotografar Manzuá é, antes de tudo, aproximar-se. É compreender que não estou apenas diante de uma atividade de pesca, mas de homens e mulheres que construíram uma forma de existir profundamente ligada ao mar. Procuro chegar perto dos seus rostos, mãos, ferramentas e gestos, não para transformar suas vidas em algo exótico, mas para reconhecer a dignidade do trabalho e a memória que existe em cada um desses gestos. Fotografar essa comunidade é também escutar e compreender antes de representar”, detalha.
Entra mas não sai
Os três vídeos da série Entra Mas Não Sai, sob a direção e concepção do diretor e produtor audiovisual Tibico Brasil acompanham os bastidores e os dispositivos de aproximação utilizados por Sérgio Carvalho na construção do ensaio fotográfico Manzuá. Os vídeos utilizam esse processo como caminho para entrar no universo dos próprios pescadores, além de ampliar o registro ao agregar depoimentos deles.
“O título parte do princípio do próprio manzuá: uma armadilha construída para permitir a entrada da lagosta e dificultar sua saída. Na série, essa ideia ganha outro sentido ao se relacionar com homens que começaram muito cedo na pesca e permaneceram ligados a esse universo durante toda a vida”, explica Tibico.
As imagens revelam o ciclo da pesca artesanal da lagosta e procuram registrar alguns de seus momentos mais representativos. A narrativa começa ainda em terra, com a preparação e a pintura dos botes, a confecção dos manzuás e a organização dos equipamentos, e segue até a saída para o mar, o lançamento das armadilhas e a espera pela captura. Um dos momentos centrais é a abertura da temporada da lagosta, quando os pescadores saem juntos para o mar em uma espécie de procissão de embarcações em busca daquele que durante muito tempo foi considerado o “ouro do mar”.
Para o diretor, “registrar a pesca artesanal é acompanhar um tempo diferente, marcado pela preparação, pela partida, pelo movimento do mar e pela espera. O audiovisual permite aproximar o público desse ritmo, das paisagens e das transformações vividas por essas comunidades. Nosso desafio é fazer com que imagem, movimento, som e palavra ajudem a preservar a memória desse universo.”
Atividades formativas
O projeto Manzuá conta ainda com duas oficinas focadas em produção de vídeo e fotografia humanista, com Sérgio Carvalho e Tibico Brasil. No dia 16 de outubro, às 15h, vai ser realizada na Escola Estadual de Educação Profissional Jaime da Cunha Rebouças, para os alunos da rede pública de ensino. Já no dia 17 de outubro, a Casa de Cultura Cores da Vida recebe a exposição e a oficina, a partir das 19h.
O objetivo é despertar o interesse desse público pela produção artística e audiovisual, promovendo a inclusão social e a participação ativa da comunidade local em suas ações. Vale destacar que os eventos e as atividades formativas contam com intérprete de libras.
Além de proporcionar uma formação inicial técnica em fotografia e vídeo, as atividades buscam estimular nos jovens uma percepção mais consciente sobre o território em que vivem. Dessa forma, as oficinas unem a valorização das tradições culturais e o incentivo à preservação ambiental ao desenvolvimento da arte e da cultura local.
SERVIÇO
Lançamentos do Projeto Manzuá
Data: 10 de outubro de 2026
Horário: 17h
Local: Boca do Povo, Praia da Redonda, Icapuí/CE
Data: 17 de outubro de 2026
Horário: 19h
Local: Casa de Cultura Cores da Vida, Centro, Icapuí/CE
Oficinas
Data: 16 de outubro de 2026
Horário: 15h
Local: EEEP Jaime da Cunha Rebouças (CE 261, S/N, Serra do Mar, Bairro Mutamba, Icapuí/CE)
Data: 17 de outubro de 2026
Horário:19h
Local: Casa de Cultura Cores da Vida (Av. Newton Ferreira – CENTRO, Icapuí/CE)
Grátis
Mais informações: https://projetomanzua.alboompro.com/ @projeto.manzua
