Segundo Paranhos, o cenário já é planejado de forma intensa nas mesas de liderança das empresas do setor. “As agências que fornecem crédito estão mais atentas ao risco, sendo mais rígidas para liberar recursos. Com o aumento das incertezas comerciais, como as tarifas impostas pelos EUA, há uma necessidade ainda maior de comprovar robustez financeira e capacidade de adaptação “, explica. Essa nova realidade exige maior disciplina de gestão e decisões estratégicas baseadas em dados.
Apesar do panorama desafiador, Paranhos reforça que, ao agir de forma preventiva, as empresas podem evitar impactos maiores e colaborar com a resiliência de todo o ecossistema em que estão inseridos. “ Gosto de destacar três pontos cruciais que as lideranças precisam ter em mente: produtividade, eficiência e sustentabilidade. Aqueles que conseguem unir esses temas terão mais facilidade para desenvolver seus planejamentos. Além disso, é preciso ter um controle inteligente de gastos, priorizando investimentos que agreguem valor aos negócios ”, diz.
Nesse contexto, o VP da Falconi reforça recomendações estratégicas para mitigar os impactos das taxas de juros elevados e das novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos:
- Gestão financeira inteligente – Revisar os custos operacionais e estruturar um planejamento financeiro robusto é essencial para garantir a sustentabilidade dos negócios. Investir em produtividade e eficiência operacional é imperativo.
- Diversificação de mercados – Buscar novos destinos para exportação, dependendo da dependência de países que impõem tarifas elevadas, é uma estratégia prioritária. O mercado asiático e parceiros do Oriente Médio, por exemplo, ganham ainda mais relevância nesse cenário.
- Adoção de tecnologia e inovação – Utilizar recursos tecnológicos para reduzir perdas e aumentar o rendimento operacional pode compensar custos elevados. No setor de café, técnicas de manejo avançadas e colheita mecanizada são bons exemplos.
- Negociação de crédito e hedge financeiro – Explorar fontes alternativas de financiamento e proteger-se por meio de mecanismos como CRAs e hedge cambial pode reduzir a exposição às flutuações de juros e preços internacionais.
- Acompanhamento das políticas econômicas e comerciais – Monitorar alterações regulatórias, atuar em conjunto com entidades setoriais e participar do debate público fortalece a defesa dos interesses do agro brasileiro em fóruns nacionais e internacionais.
” Juros elevados, instabilidade geopolítica e restrições comerciais inesperadas são para uma crise e o setor agropecuário nacional precisa se adaptar rapidamente para manter sua competitividade. A diversificação, a inovação e a gestão eficiente se tornam ainda mais fundamentais para enfrentar os desafios por esse novo contexto econômico global “, finaliza Paranhos.