Agronegócio

Planejamento é caminho para o agro vencer impactos das taxas

Com o recente anúncio feito pelo governo norte-americano, os produtores devem investir na gestão eficaz para evitar os impactos financeiros nos negócios

O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário desafiador, marcado não apenas pela escalada das taxas de juros, tanto no Brasil quanto no exterior, mas também por novas barreiras comerciais que afetam diretamente a competitividade dos produtos nacionais. O anúncio recente do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras a partir de agosto adicionou um novo nível de complexidade para os exportadores do agro, que têm os EUA como um dos principais destinos para vendas.

A medida impacta especialmente cadeias relevantes como a do café (US$ 2 bilhões vendidos aos EUA em 2024), a da carne bovina (registrou alta de 12,6% das vendas para os EUA em 2025) e a do suco de laranja (o Brasil domina a produção global e quase metade das exportações brasileiras vão para os EUA). Os produtos desses setores são mais vendidos para o mercado norte-americano, o que acentua os riscos comerciais para o Brasil em um momento de instabilidade global.

Apesar da estimativa de produção nacional recorde de grãos (332,9 milhões de toneladas para a safra 2024/25, segundo a Conab), os produtores precisam lidar com os efeitos combinados de políticas monetárias restritivas, volatilidade cambial, aumento do custo de crédito e, agora, restrições comerciais em mercados estratégicos. Além disso, fatores climáticos atípicos continuam afetando o rendimento das atividades e a previsibilidade dos ciclos produtivos. Diante de tantas variáveis incontroláveis, o planejamento se consolida como a principal ferramenta de gestão para proteger a operação, manter o desempenho e garantir o crescimento sustentável.

VP de Agronegócios da Falconi, André Paranhos

“ Por mais que ainda devam existir rodadas de negociações até a efetiva cobrança extra sobre os produtos brasileiros, vivemos um período com muitas variações e adversidades que geram dúvidas em todos os segmentos ”, afirma o vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Agronegócio, André Paranhos. O executivo destaca que com o encarecimento do crédito e a retração dos mercados, principalmente após o anúncio das tarifas americanas, produtores, especialmente os de menor porte, enfrentarão mais dificuldades para investir em tecnologia e eficiência.

Segundo Paranhos, o cenário já é planejado de forma intensa nas mesas de liderança das empresas do setor. “As agências que fornecem crédito estão mais atentas ao risco, sendo mais rígidas para liberar recursos. Com o aumento das incertezas comerciais, como as tarifas impostas pelos EUA, há uma necessidade ainda maior de comprovar robustez financeira e capacidade de adaptação “, explica. Essa nova realidade exige maior disciplina de gestão e decisões estratégicas baseadas em dados.

Apesar do panorama desafiador, Paranhos reforça que, ao agir de forma preventiva, as empresas podem evitar impactos maiores e colaborar com a resiliência de todo o ecossistema em que estão inseridos. “ Gosto de destacar três pontos cruciais que as lideranças precisam ter em mente: produtividade, eficiência e sustentabilidade. Aqueles que conseguem unir esses temas terão mais facilidade para desenvolver seus planejamentos. Além disso, é preciso ter um controle inteligente de gastos, priorizando investimentos que agreguem valor aos negócios ”, diz.

Nesse contexto, o VP da Falconi reforça recomendações estratégicas para mitigar os impactos das taxas de juros elevados e das novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos:

  1. Gestão financeira inteligente – Revisar os custos operacionais e estruturar um planejamento financeiro robusto é essencial para garantir a sustentabilidade dos negócios. Investir em produtividade e eficiência operacional é imperativo.
  2. Diversificação de mercados – Buscar novos destinos para exportação, dependendo da dependência de países que impõem tarifas elevadas, é uma estratégia prioritária. O mercado asiático e parceiros do Oriente Médio, por exemplo, ganham ainda mais relevância nesse cenário.
  3. Adoção de tecnologia e inovação – Utilizar recursos tecnológicos para reduzir perdas e aumentar o rendimento operacional pode compensar custos elevados. No setor de café, técnicas de manejo avançadas e colheita mecanizada são bons exemplos.
  4. Negociação de crédito e hedge financeiro – Explorar fontes alternativas de financiamento e proteger-se por meio de mecanismos como CRAs e hedge cambial pode reduzir a exposição às flutuações de juros e preços internacionais.
  5. Acompanhamento das políticas econômicas e comerciais – Monitorar alterações regulatórias, atuar em conjunto com entidades setoriais e participar do debate público fortalece a defesa dos interesses do agro brasileiro em fóruns nacionais e internacionais.

” Juros elevados, instabilidade geopolítica e restrições comerciais inesperadas são para uma crise e o setor agropecuário nacional precisa se adaptar rapidamente para manter sua competitividade. A diversificação, a inovação e a gestão eficiente se tornam ainda mais fundamentais para enfrentar os desafios por esse novo contexto econômico global “, finaliza Paranhos.

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