Para Delfim Netto, estimular investimento privado é a única saída para o Brasil crescer

Possíveis caminhos e soluções para o país foram debatidos em reunião do G100 Brasil

 

Um dos economistas mais renomados do país e membro conselheiro do G100 Brasil, Antônio Delfim Netto acredita que a única medida capaz de impulsionar o crescimento do Brasil é estimular o investimento do setor privado na economia. Ele foi um dos oradores da 106ª Reunião do G100 Brasil, grupo que reúne alguns dos principais empresários, presidentes e economistas do país, realizada na manhã desta quinta-feira (12), em São Paulo.

Para Delfim, isso é possível por meio de uma política de oferta de forma acelerada, ou seja, um “fast tracking” para os investimentos, o que resolveria o problema de demanda a médio e longo prazo. “Não há outra saída que não seja estimular a demanda com uma política de oferta forte, rápida e urgente de privatizações, concessões e parcerias, financiadas pelo capital nacional e estrangeiro”, disse o economista.

“Se o governo tiver inteligência, garantir segurança jurídica para os investimentos e dar a devida atenção à taxa de retorno, por meio de agências reguladoras, podemos assegurar um volume de rendimentos para sanar o problema da falta de demanda. Não vejo outra saída”, completou.

Segundo ele, a agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes, vai justamente por esse caminho e pode render bons frutos, embora não a curto prazo. “A política do Paulo Guedes é a melhor solução. Ele tem mesmo que cobrir a deficiência da demanda por meio de uma sólida política de oferta. Demorará um pouco, mas ele está no caminho certo. Vai encontrar algumas barreiras, que são naturais, mas todas elas são superáveis”, concluiu Delfim Netto.

Pilares do desenvolvimento

Economista-chefe do Bradesco e membro do núcleo econômico do G100 Brasil, Fernando Honorato também acredita que o impulsionamento da demanda é um dos pilares para o desenvolvimento do Brasil. Ele acrescenta, ainda, dois outros pontos fundamentais. “Existem três pilares principais da agenda econômica. O primeiro é o da reforma fiscal, que traz queda de juros e protagonismo do setor privado; o segundo pilar que é o chamamos de empoderamento do consumidor; e o terceiro diz respeito justamente aos ajustes macroeconômicos, as privatizações, o que empurra a demanda por meio de investimento. Isso tudo é fundamental para que a economia volte a crescer”, disse o economista.

Apesar dos conflitos políticos internos que o Brasil atravessa, Honorato crê que o maior risco para esse crescimento está no cenário externo. “O principal tema que pode atrapalhar é o ambiente internacional. Há uma incerteza na política econômica de Estados Unidos e China que é bastante prejudicial. Esse é o principal problema. No mais, o empresário brasileiro sabe lidar com qualquer ruído político, ele vai fazer o seu negócio andar desde que a agenda econômica seja correta”, concluiu.

Sobre o G100 Brasil – Composto de 100 Membros Titulares (exclusivamente Empresários, Presidentes e CEOs), divididos nos setores de Indústria, Varejo, Serviços e Agronegócios, somando-se a 40 Membros (Economistas-Chefes, Cientistas-Políticos, Acadêmicos e Especialistas), efetivos e nomeados, congregando assim o alto intelecto necessário para o desenvolvimento destes trabalhos. Tendo por objetivo, através de reuniões fechadas e restritas aos Membros, o debate e o aprofundamento de temas atuais e de alto impacto, auxiliando na assertividade das estratégias planejadas e nas decisões corporativas, considerando o benchmarking e cooperação entre seus integrantes.

 

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