O brasileiro não quer mais esperar: a nova economia da conveniência acelera o varejo sem vendedores
Consumidor busca compras mais rápidas, autonomia e disponibilidade 24 horas, enquanto varejo automatizado abre espaço para novos modelos de negócio e empreendedorismo no Brasil
Esperar para ser atendido, enfrentar filas ou depender do horário de funcionamento de uma loja está se tornando cada vez menos compatível com a rotina do consumidor brasileiro.
A transformação não aconteceu de uma vez. Ela começou com os caixas de autoatendimento, ganhou força com os aplicativos de delivery, avançou com o Pix e os pagamentos por aproximação e agora ocupa espaços cada vez mais diversos do varejo. Hoje, o consumidor já está acostumado a resolver sozinho grande parte da sua jornada de compra.
Escolhe o produto. Paga pelo celular. Não precisa falar com ninguém. E quer fazer tudo isso em poucos minutos. Essa mudança de comportamento está ajudando a transformar o varejo brasileiro e criando espaço para modelos baseados em autonomia, tecnologia e conveniência.
É nesse cenário que cresce o varejo automatizado
De mercados autônomos instalados em condomínios às vending machines presentes em hospitais, empresas, academias, universidades e centros comerciais, a tecnologia está aproximando produtos e serviços do consumidor sem a necessidade de uma estrutura tradicional de loja. Mais do que substituir atendentes, a transformação está criando um novo modelo de consumo.
Conveniência deixou de ser diferencial
Durante muito tempo, conveniência foi considerada um atributo adicional de determinados negócios. Hoje, ela se tornou parte da expectativa do consumidor.
A possibilidade de comprar um produto rapidamente, no local onde a pessoa já está e sem precisar alterar sua rotina passou a ter valor econômico. É por isso que pontos de venda menores, operações autônomas e formatos compactos vêm ganhando espaço no mercado.
Uma pessoa que está trabalhando em uma empresa, esperando atendimento em um hospital, frequentando uma academia ou estudando em uma universidade não necessariamente quer se deslocar até uma loja para comprar uma bebida ou um snack.
Ela quer resolver uma necessidade imediata e quer fazer isso rapidamente.
“Estamos vivendo uma mudança importante na relação das pessoas com o consumo. O consumidor não está necessariamente procurando uma grande experiência de compra para produtos do dia a dia. Muitas vezes, ele procura agilidade, disponibilidade e autonomia”, afirma Guilherme Álvares, fundador e CEO do Grupo Avend.
Essa mudança ajuda a explicar o crescimento de formatos automatizados no varejo. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising, o setor de franquias brasileiro ultrapassou R$ 301 bilhões em faturamento em 2025, com mais de 202 mil operações em funcionamento no País. Entre os movimentos que ajudam a explicar essa expansão estão justamente a digitalização, a busca por eficiência operacional e o surgimento de novos formatos de negócio.
Dentro desse cenário, modelos menores, mais enxutos e tecnologicamente conectados começam a chamar a atenção de empreendedores.
A máquina vende, mas a tecnologia administra
Por trás de uma vending machine existe muito mais tecnologia do que o consumidor imagina. A experiência é simples para quem compra: escolher o produto, realizar o pagamento e retirar o item. Mas, para quem opera o negócio, a automação permite acompanhar uma série de informações que antes exigiriam presença constante em um ponto de venda.
No Grupo Avend, as máquinas possuem sistemas de pagamento digital, integração com cartões, pagamentos por aproximação e QR Code. A operação também utiliza telemetria para registrar vendas em tempo real e acompanhar o desempenho dos equipamentos. Os dados são centralizados em uma plataforma digital que permite ao operador acompanhar vendas, estoque, produtos com maior saída e necessidades de reposição.
“Uma das grandes mudanças desse modelo é que o empreendedor deixa de administrar apenas uma máquina e passa a administrar informações. Ele consegue entender o que vende mais, quais horários têm maior movimento e quando precisa reabastecer determinado produto”, explica Guilherme.
A tecnologia também permite adaptar o negócio ao comportamento de cada local. Uma máquina instalada em uma academia pode ter um perfil de produtos diferente de uma operação instalada em uma empresa. Da mesma forma, o consumo em uma universidade pode ser completamente diferente do consumo em um hospital.
Essa possibilidade de ajustar o mix de produtos transforma cada ponto de venda em uma pequena operação orientada por comportamento de consumo. O modelo tecnológico da Avend foi desenvolvido justamente a partir da experiência prática da operação. Antes de entrar no franchising, a empresa operou dezenas de máquinas próprias, testando pontos, logística, abastecimento, comportamento do consumidor e rentabilidade. A experiência permitiu estruturar uma plataforma de gestão remota e uma operação baseada em dados.
Menos estrutura, mais eficiência
A transformação também chama a atenção de quem está do outro lado do balcão: o empreendedor.
Em um cenário econômico no qual juros elevados e crédito restrito continuam pressionando empresas e consumidores, modelos que exigem menor estrutura física e custos operacionais mais enxutos passam a despertar interesse.
A economia brasileira vem apresentando sinais de desaceleração, com crescimento projetado abaixo de 2% para 2026 e uma política monetária ainda restritiva, apesar da expectativa de continuidade na redução dos juros.
Para quem deseja empreender, isso significa que eficiência operacional deixou de ser apenas uma vantagem competitiva e passou a ser uma questão de sobrevivência.
É justamente nesse ponto que o varejo automatizado apresenta uma diferença importante em relação ao modelo tradicional: Não existe a necessidade de montar uma loja completa e não há equipe de vendedores para manter diariamente.
Além disso, a operação pode ser acompanhada de forma remota e o crescimento do negócio pode acontecer com a instalação de novos pontos de venda.
“O modelo tradicional de varejo normalmente exige uma estrutura grande antes mesmo da primeira venda. Você precisa pensar em aluguel, equipe, horário de funcionamento e uma série de custos fixos. No varejo automatizado, conseguimos construir uma operação mais enxuta e escalável”, afirma Guilherme.
De consumidor de conveniência a empreendedor do varejo automatizado
Fundada em 2021, a Avend nasceu a partir da operação própria de vending machines e, depois de validar o modelo, iniciou sua expansão pelo franchising em 2025.
A proposta foi transformar uma tecnologia já conhecida mundialmente em uma oportunidade de negócio mais estruturada para empreendedores brasileiros. Hoje, a rede trabalha com um modelo Home Based, no qual o franqueado pode acompanhar a operação remotamente, realizando a gestão dos equipamentos, vendas e estoque por meio de plataformas digitais.
O investimento inicial na franquia parte de aproximadamente R$ 55 mil, considerando equipamento, taxa de franquia e sistemas, além dos custos relacionados ao transporte e estoque inicial.
Segundo projeções da empresa, uma máquina pode gerar faturamento médio mensal em torno de R$ 10 mil, com lucro líquido médio projetado entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, dependendo do ponto comercial e do perfil de consumo.
A rentabilidade projetada fica entre 7% e 10% sobre o investimento inicial, com prazo estimado de retorno entre 10 e 16 meses.
Os números, no entanto, variam conforme localização, fluxo de pessoas, mix de produtos e desempenho da operação.
“A vending machine não é um investimento automático no sentido de não exigir gestão. O empreendedor precisa escolher bons pontos, acompanhar os dados, entender o consumidor e fazer uma boa gestão do abastecimento. A tecnologia reduz a complexidade, mas a estratégia continua sendo humana”, afirma Guilherme.
Essa combinação entre operação física e gestão digital é um dos fatores que vêm atraindo novos empreendedores para o setor.
O ponto de venda pode estar em qualquer lugar
Uma das mudanças mais importantes provocadas pelo varejo automatizado é a descentralização do ponto de venda. Durante décadas, o varejo funcionou a partir de uma lógica simples: o consumidor vai até a loja. Agora, em muitos casos, a loja vai até o consumidor.
Uma vending machine pode ser instalada em locais onde uma loja tradicional não seria economicamente viável.
Empresas, academias, hospitais., universidades, condomínios, shoppings, centros comerciais. Locais com fluxo constante de pessoas podem se transformar em pontos de venda sem a necessidade de construir uma nova estrutura.
“Existe uma mudança muito interessante acontecendo. O ponto de venda deixou de ser apenas um endereço comercial. Ele pode estar dentro de ambientes onde as pessoas já vivem, trabalham ou circulam”, explica Guilherme.
Para o empreendedor, isso amplia a possibilidade de expansão territorial. Para o consumidor, reduz o tempo entre a necessidade e a compra.
Um setor que ainda está começando no Brasil
Apesar do avanço da tecnologia e da crescente familiaridade do consumidor com o autoatendimento, o mercado brasileiro de vending machines ainda é considerado pouco explorado quando comparado a países da Europa, Ásia e América do Norte.
Essa distância também representa uma oportunidade. A expansão dos pagamentos digitais, a popularização do Pix, a familiaridade com aplicativos e a crescente presença de sistemas de autoatendimento estão criando um ambiente mais favorável para o crescimento desse tipo de operação.
A própria evolução do franchising brasileiro demonstra a abertura do mercado para formatos alternativos. O setor cresceu 10,5% em 2025 e ultrapassou R$ 301 bilhões em faturamento, com expansão em todos os segmentos analisados pela ABF.
Para Guilherme Álvares, o varejo automatizado ainda está apenas começando a ganhar escala no Brasil.
“Durante muito tempo, a vending machine foi vista apenas como uma máquina que vende refrigerante ou chocolate. Hoje estamos falando de um modelo de varejo muito mais completo, conectado, inteligente e adaptável. A máquina é apenas o ponto físico. O negócio está nos dados, na tecnologia e na capacidade de entender o comportamento do consumidor.”
A próxima transformação do varejo pode não ter balcão
A transformação do consumo não significa o fim das lojas tradicionais, mas que elas não serão mais a única forma de vender. O consumidor continuará frequentando lojas, supermercados, restaurantes e shopping centers. Ao mesmo tempo, quer resolver necessidades simples de forma cada vez mais rápida.
É justamente nesse espaço entre a necessidade imediata e a disponibilidade que o varejo automatizado começa a crescer. A nova economia da conveniência não é apenas sobre comprar sem falar com alguém. É sobre ganhar tempo, ter autonomia e encontrar o produto no momento em que precisa.
E, para o empreendedor, construir uma operação que pode crescer sem necessariamente repetir toda a estrutura de uma loja tradicional.
No Brasil, onde empreender ainda significa lidar com custos elevados, burocracia e desafios econômicos, modelos mais enxutos e orientados por tecnologia começam a chamar atenção.
A Avend aposta que esse movimento deve se intensificar nos próximos anos.
“Acreditamos que o futuro do varejo será cada vez mais híbrido. Teremos grandes lojas, experiências físicas e atendimento humano, mas também operações menores, autônomas e disponíveis o tempo todo. O consumidor vai escolher como quer comprar. E o empreendedor precisa estar preparado para atender essa nova realidade”, finaliza Guilherme Álvares.
SOBRE O GRUPO AVEND
Fundado em 2021, o Grupo Avend atua no mercado de varejo automatizado e vending machines. A empresa iniciou sua expansão pelo franchising em 2025 e desenvolveu um modelo de negócio baseado em gestão digital, monitoramento remoto e operação enxuta. O sistema permite ao empreendedor acompanhar vendas e estoque por meio de tecnologia, enquanto as máquinas são instaladas em diferentes pontos de circulação de consumidores. A empresa faturou R$ 20 milhões em 2025 e segue em expansão nacional.
