Julho Verde: HPV muda perfil do câncer de cabeça e pescoço e acende alerta para aumento de casos entre jovens
Campanha reforça a importância da vacinação, da prevenção e do diagnóstico precoce diante da mudança no perfil epidemiológico da doença
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam mais de 41 mil novos casos por ano de tumores relacionados à cabeça e pescoço no Brasil, considerando os cânceres de cavidade oral, faringe, laringe e tireoide. O número evidencia a relevância da conscientização e da identificação precoce da doença, fatores que aumentam significativamente as chances de sucesso do tratamento. A conscientização sobre esse cenário é o foco da campanha Julho Verde, dedicada à prevenção dos tumores de cabeça e pescoço.
Tradicionalmente associado ao envelhecimento e a fatores de risco como tabagismo e consumo excessivo de álcool, o câncer de cabeça e pescoço tem apresentado uma mudança importante em seu perfil epidemiológico. O número crescente de casos entre adultos jovens, especialmente em tumores da orofaringe, tem sido fortemente relacionado à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), ampliando o alerta para a necessidade de prevenção, vacinação e diagnóstico precoce.
Segundo o cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Haroldo Juaçaba, unidade da Rede ICC Saúde, Erick Siqueira, o aumento da incidência entre pacientes mais jovens tem chamado a atenção dos especialistas. “Temos observado um movimento bastante evidente nos consultórios e nas salas de cirurgia. O perfil do paciente está se tornando mais jovem e muitos acabam ignorando sintomas que, nos estágios iniciais, podem ser confundidos com problemas comuns de garganta ou até mesmo odontológicos”, explica.

De acordo com o especialista, os tumores de orofaringe, região que compreende as amígdalas e a base da língua, são os que mais refletem essa mudança epidemiológica, em razão da associação com a infecção pelo HPV.
“Hoje observamos cada vez mais pacientes com menos de 50 anos diagnosticados com câncer de orofaringe associado ao HPV. Isso representa uma mudança importante no perfil epidemiológico da doença e reforça a necessidade de ampliar a prevenção por meio da vacinação, do diagnóstico precoce e da conscientização da população sobre esse fator específico. Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que o cigarro e o consumo excessivo de álcool continuam sendo fatores de risco importantes para o desenvolvimento desses tumores”, ressalta o médico.
Vacinação é uma das principais formas de prevenção
Embora o HPV seja amplamente conhecido por sua relação com o câncer do colo do útero, sua participação no desenvolvimento de tumores da cabeça e pescoço ainda é pouco difundida entre a população.
“A vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é uma das ferramentas mais eficazes de prevenção que temos atualmente. Muitas pessoas ainda associam essa vacina exclusivamente à prevenção do câncer do colo do útero, quando ela também desempenha um papel importante na redução do risco de tumores da orofaringe relacionados ao vírus”, destaca Erick.
Além da vacinação, os especialistas orientam a adoção de práticas sexuais seguras, a interrupção do tabagismo, a moderação no consumo de bebidas alcoólicas e a procura por avaliação médica sempre que sintomas persistirem por mais de duas semanas.
Atenção aos sinais
O diagnóstico precoce é determinante para aumentar as chances de cura e preservar funções essenciais, como a fala, a respiração e a deglutição. Quando identificado em fases avançadas, o tratamento pode exigir procedimentos mais complexos, envolvendo cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
Entre os principais sinais de alerta estão:
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Feridas na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias;
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Rouquidão ou alteração persistente da voz;
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Caroços ou inchaços no pescoço;
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Dor ou dificuldade para engolir;
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Dor de garganta persistente.
Ao perceber qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar avaliação médica o quanto antes. “Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as possibilidades de um tratamento menos agressivo e com melhores resultados para o paciente”, conclui o especialista.
Referência nacional em oncologia, a Rede ICC Saúde, por meio do Hospital Haroldo Juaçaba, reúne mais de 80 anos de atuação dedicados à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e à pesquisa do câncer. Reconhecida por oferecer um dos ecossistemas de saúde mais completos do Brasil, a instituição é pioneira na incorporação de tecnologias e terapias modernas, disponibilizando tratamentos inovadores e promovendo o avanço da pesquisa oncológica no país. Aliando excelência assistencial, inovação e cuidado humanizado, a Rede ICC Saúde reafirma, durante a campanha Julho Verde, seu compromisso com a conscientização da população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento com uma equipe multiprofissional e especialistas altamente qualificados, fundamentais para ampliar as chances de sucesso no tratamento e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
