Intenção de compra de imóveis cresce e mercado se adapta a novos perfis de consumidores
Pesquisa da Abrainc aponta intenção de compra de 52% no Brasil e destaca interesse em diferentes faixas de renda; no Ceará, vendas em Fortaleza e Região Metropolitana somaram R$ 5,8 bilhões entre janeiro e agosto de 2026
A intenção dos brasileiros de comprar um imóvel chegou a 52% no segundo trimestre de 2026, o maior percentual da série histórica iniciada em 2019. O indicador avançou três pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025, segundo pesquisa da Brain Inteligência Estratégica divulgada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). No Nordeste, a intenção de compra alcançou 59%, acima da média nacional.
O levantamento também aponta que o interesse pela aquisição está presente em diferentes faixas de renda familiar. Na análise por rendimento, a intenção de compra se aproxima de 52% na maioria dos grupos. Entre as famílias com renda mensal superior a R$ 20 mil, o indicador chegou a 58%. Os resultados evidenciam a importância de considerar as diferentes necessidades e condições financeiras dos consumidores na análise do mercado imobiliário.
Entre os interessados em comprar um imóvel, 37% apontam a saída do aluguel como principal motivação. Outros objetivos incluem deixar a casa dos pais, buscar mais espaço e adquirir um imóvel como investimento. A pesquisa indica ainda que 68% dos interessados pretendem realizar a compra em até dois anos. A intenção declarada, contudo, não significa necessariamente uma aquisição imediata, já que a decisão depende de fatores como renda, capacidade de financiamento, entrada disponível e condições de crédito.
O cenário de interesse pela compra é acompanhado pelo crescimento das vendas. De acordo com levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborado com dados da Brain, foram comercializadas 226.536 unidades residenciais novas no Brasil no primeiro semestre de 2026, alta de 5,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No Ceará, os indicadores também apontam movimentação no setor. Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE) mostram que Fortaleza e Região Metropolitana registraram R$ 5,811 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) entre janeiro e agosto de 2026. No período, foram comercializadas 11.610 unidades, crescimento de 3% na comparação anual. Os lançamentos somaram 12.751 unidades, alta de 40%.
Para Clausens Duarte, diretor-presidente da CR Duarte Engenharia, vice-presidente da área de Habitação de Interesse Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e vice-presidente do Sinduscon-CE, o cenário exige que o mercado imobiliário considere as diferentes necessidades habitacionais e capacidades financeiras dos consumidores.
Ele destaca que a intenção de compra pode estar presente em diversas faixas de renda, mas os objetivos, as possibilidades de financiamento e as características dos imóveis procurados variam conforme o perfil de cada família. Nesse contexto, o mercado precisa compreender essas diferenças para planejar empreendimentos alinhados à demanda e ampliar as possibilidades de acesso à moradia.
Na CR Duarte Engenharia, essa diversidade se reflete na atuação em segmentos com diferentes requisitos de renda familiar. A empresa desenvolve projetos como o Pop Arena, com renda mínima de R$ 3.200; o Smart Pop Maraponga, a partir de R$ 6 mil; e o Pop Art, a partir de R$ 9 mil. Os três empreendimentos são enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida. A variedade de empreendimentos exemplifica como as condições financeiras dos compradores são um dos fatores considerados na oferta de imóveis.
Enquanto parte dos consumidores busca sair do aluguel ou conquistar a primeira moradia, outros procuram mais espaço ou avaliam a compra como investimento. Clausens destaca que essas motivações influenciam a escolha do imóvel e precisam ser consideradas em conjunto com fatores como renda familiar, condições de financiamento, localização e características da unidade. Assim, embora a intenção de compra permaneça elevada, a concretização do negócio depende das condições financeiras de cada consumidor e de sua capacidade de obter crédito.
