Greve nos bancos públicos: a quem interessa o caos?
A paralisação no Banco do Brasil perde força, enquanto a greve na Caixa continua. Mais do que uma disputa trabalhista, o episódio levanta uma questão política que precisa ser feita: quem efetivamente se beneficia quando a população fica sem atendimento em dois dos principais bancos públicos do País?
DA REDAÇÃO
A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal continua, enquanto o movimento no Banco do Brasil chegou ao fim na maioria das bases sindicais. No BB, a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho foi aprovada por ampla maioria das bases, depois que Brasília e Rio de Janeiro, entre outras regiões, decidiram deixar o movimento. Com isso, deixou de existir a maioria nacional necessária para a continuidade da paralisação.
No Ceará, o Sindicato dos Bancários, que tem à frente a CUT – Central Única dos Trabalhadores, também aprovou o Acordo Coletivo de Trabalho. Segundo informações divulgadas pelo próprio sindicato, 56,71% dos trabalhadores aprovaram a proposta. A Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora (Intersindical) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), forças políticas que compõem a direção do Sindicato, passaram a orientar a aprovação do acordo do Banco do Brasil justamente diante da perda da maioria nacional para a continuidade da greve.
Há, inclusive, afirmações de que setores ligados ao chamado Centrão teriam influência em diretorias do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. Essas afirmações levam a sociedade a questionar quem de fato manda nessas instituições. E é justamente por isso que uma pergunta mais ampla precisa ser feita: quem estaria, afinal, interessado em produzir desgaste político por meio de dois dos maiores bancos públicos do País?

Na Caixa Econômica Federal, a direção da instituição é alvo de críticas de setores do movimento sindical, que questionam a condução das negociações e atribuem ao presidente da instituição financeira uma postura que, segundo esses dirigentes, estaria contribuindo para prolongar o conflito.
Há quem enxergue nesse comportamento uma tentativa de desgastar o governo federal e, indiretamente, favorecer forças políticas adversárias do governo Lula. Mas essa interpretação enfrenta um problema. E o Banco do Brasil?
O BB não é uma instituição comandada pela mesma estrutura política da Caixa. A atual presidente do Banco do Brasil foi indicada durante o governo Lula e sua trajetória está associada ao campo político do governo, porém duas vice-presidências da estatal já estiveram nas mãos do Centrão: a de Negócios de Governo e Sustentabilidade Empresarial; e a de Agronegócios e Agricultura Familiar.
Enquanto dirigentes sindicais e representantes dos bancos negociam, existe um terceiro personagem nessa história: o cidadão. É ele quem precisa receber um benefício, resolver um problema cadastral, obter crédito, movimentar por determinação judicial uma conta de falecido, regularizar documentação, acessar serviços sociais ou simplesmente ser atendido por um funcionário.
Caixa e Banco do Brasil não são bancos comuns. Quando uma agência fecha, portanto, não se trata apenas de uma porta comercial que deixa de funcionar. Existe impacto sobre a vida real das pessoas. Por isso, uma greve prolongada em bancos públicos não pode ser analisada apenas pelos números das assembleias sindicais. No BNB, comandado pelo ex-governador de Pernambuco Paulo Câmara (PSB), divergência entre forças sindicais impediu a eclosão de uma greve, havendo, até, cerceamento em assembleias virtuais de falas de defensores do movimento paredista no banco.
