Cidades

Fortaleza chega a 81% de área urbanizada e expansão da Região Metropolitana reforça debate sobre cidades planejadas

Especialistas apontam que crescimento urbano precisa ser acompanhado por planejamento, infraestrutura e soluções que priorizem a qualidade de vida

Fortaleza já tem 81,61% de seu território classificado como área urbanizada, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual coloca a capital cearense como a segunda mais urbanizada entre as capitais brasileiras, atrás apenas de Belo Horizonte, que registra 84,23%. O cenário também chama atenção para o avanço da urbanização na Região Metropolitana: entre 2019 e 2022, Aquiraz ampliou sua área urbanizada em 15,03 km², ficando entre os 20 municípios brasileiros que mais cresceram nesse indicador.

Os dados ajudam a dimensionar uma transformação que ultrapassa os limites territoriais da capital. De acordo com o IBGE, o período analisado foi marcado pela expansão horizontal de municípios inseridos em regiões metropolitanas, áreas turísticas, corredores logísticos e regiões de crescimento econômico. O instituto também aponta fenômenos como a dispersão urbana e a ocupação progressiva de áreas que anteriormente não eram urbanizadas.

Para especialistas em desenvolvimento urbano, o avanço da ocupação territorial traz um desafio que vai além de construir novas moradias: é preciso pensar previamente em mobilidade, infraestrutura, áreas verdes, serviços, convivência e integração entre diferentes funções da cidade.

Na avaliação de Susanna Marchionni, CEO da Planet Smart City no Brasil e especialista em desenvolvimento urbano sustentável, o crescimento das cidades precisa ser acompanhado por uma mudança na forma de pensar o planejamento urbano.

“O crescimento urbano é um processo natural das cidades, mas a forma como esse crescimento acontece faz toda a diferença. Quando novas áreas são planejadas desde o início, é possível integrar moradia, serviços, mobilidade, áreas verdes, tecnologia e espaços de convivência, criando ambientes mais eficientes e, principalmente, mais humanos. Além de urbanizar, o desafio é construir lugares onde as pessoas possam viver bem”, afirma Susanna Marchionni.

A executiva destaca ainda que a expansão para áreas metropolitanas pode representar uma oportunidade para desenvolver novos modelos de ocupação, especialmente em regiões que ainda apresentam espaço para um planejamento urbano mais integrado.

“Temos uma oportunidade importante quando olhamos para regiões que estão em processo de expansão. Em vez de reproduzir modelos urbanos que já apresentam problemas, podemos pensar desde o começo em bairros e cidades mais conectados, sustentáveis e inclusivos. A tecnologia é uma ferramenta importante nesse processo, mas ela precisa estar a serviço das pessoas e integrada ao planejamento urbano”, acrescenta.

Expansão de Aquiraz reforça tendência

O caso de Aquiraz ganha relevância nesse cenário. O município registrou acréscimo de 15,03 km² de área urbanizada entre 2019 e 2022, ocupando a 16ª posição entre os municípios brasileiros que mais ampliaram suas áreas urbanizadas no período. No Nordeste, Aquiraz ficou na oitava colocação e foi o único município cearense entre os 20 primeiros do ranking nacional.

É justamente na Região Metropolitana de Fortaleza que a Planet Smart City desenvolve projetos de urbanização planejada, entre eles a Smart City Aquiraz. A proposta da empresa combina planejamento urbano, infraestrutura, tecnologia, inovação social, sustentabilidade e serviços, buscando criar uma experiência de moradia integrada. Os projetos são desenvolvidos a partir da integração de soluções inteligentes, tecnologias digitais, serviços e inovação social.

Para Susanna, a discussão sobre o futuro da urbanização precisa considerar também a relação entre as novas áreas de ocupação e os centros urbanos já consolidados.

“Fortaleza já apresenta um alto grau de urbanização, e o crescimento da Região Metropolitana mostra que a dinâmica da cidade não termina nos limites do município. É preciso pensar esse território de maneira integrada. As pessoas moram em um município, trabalham em outro, utilizam serviços em diferentes regiões e se deslocam diariamente. Por isso, o planejamento das novas áreas precisa considerar essa realidade metropolitana”, explica.

A experiência da Planet no Ceará está diretamente relacionada a esse conceito. A empresa trabalha com projetos que buscam integrar diferentes usos do território e oferecer soluções de tecnologia, meio ambiente, arquitetura, planejamento e inovação social. A Smart City Aquiraz, por exemplo, foi planejada em uma área de 200 hectares e reúne soluções voltadas a diferentes aspectos da vida urbana.

Tecnologia como meio, não como fim

Embora o conceito de cidades inteligentes seja frequentemente associado à tecnologia, a proposta defendida pela Planet é mais ampla. Para Susanna, recursos tecnológicos devem ser utilizados para melhorar serviços, facilitar a comunicação e ampliar a qualidade de vida dos moradores.

“Quando falamos em cidade inteligente, não estamos falando apenas de tecnologia. Estamos falando de planejamento, de infraestrutura e de uma cidade pensada para as pessoas. A tecnologia é um meio para tornar os serviços mais eficientes, melhorar a experiência dos moradores e criar novas possibilidades de interação com o espaço urbano”, afirma.

A discussão ganha força diante do avanço da urbanização no Ceará e da necessidade de equilibrar crescimento econômico, expansão imobiliária e qualidade de vida. Para a Planet, o desafio das próximas décadas será fazer com que o crescimento das cidades seja acompanhado por modelos de ocupação capazes de integrar desenvolvimento, sustentabilidade e inclusão. Inovação social e digital surgem como elementos centrais para a transformação das cidades e novos projetos devem ser pensados para promover maior integração entre moradores, ambiente e serviços.

Nesse contexto, o avanço da urbanização de Fortaleza e de municípios da Região Metropolitana coloca em evidência uma questão que tende a ganhar cada vez mais espaço no planejamento urbano: não se trata apenas de quanto as cidades vão crescer, mas de como elas serão construídas para acolher as próximas gerações.

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