Especialista comenta sobre o papel da rotina na saúde mental dos adolescentes e o equilíbrio entre autonomia e suporte familiar
A ausência de previsibilidade no cotidiano pode elevar os níveis de cortisol (hormônio do estresse), dificultando a regulação emocional. Para jovens com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), a rotina é ainda mais crítica. De acordo com a Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), a falta de organização externa sobrecarrega as funções executivas do cérebro, resultando em procrastinação, baixa autoestima e esgotamento mental.
A transição para a autonomia não dispensa a supervisão. O acompanhamento de um adulto é essencial para mediar a relação do jovem com as responsabilidades. O diálogo aberto, livre de julgamentos, permite que o adolescente sinta segurança para relatar dificuldades.
De acordo com a psicóloga, neuropsicóloga e educadora parental, Sarah Rebeca Barreto, entre os sinais de alerta para as famílias estão: Isolamento social prolongado; Alterações drásticas no padrão de sono ou apetite; Queda súbita no rendimento escolar ou até mesmo irritabilidade excessiva ou desinteresse por atividades anteriores prazerosas.
Quando esses sinais persistem, o acompanhamento profissional de psicólogos ou neuropsicólogos torna-se indispensável para diagnosticar possíveis comorbidades e traçar estratégias de enfrentamento.
“A rotina na adolescência não deve ser vista como uma lista de obrigações religiosas, mas como um mapa que oferece segurança em meio às incertezas dessa fase. Para introduziri-la com leveza, é fundamental que o adulto valide os sentimentos do jovem e construa combinados em conjunto, respeitando a busca pela autonomia. Quando o adolescente entende que a organização do tempo serve para reduzir o estresse e ampliar suas possibilidades de lazer e descanso, a adesão acontece de forma mais natural e menos conflituosa. O foco deve ser o equilíbrio, e não a imunidade”, afirma um especialista.
