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Empresa Vitória reforça o incentivo à educação com doação de um kit de leitura e estudos para o pequeno Moisés Aragão

Sete anos e sete letras da palavra Vitória separaram a história do pequeno Moisés, que deu uma reviravolta após um vídeo em que ele soletrava o nome da empresa de ônibus viralizar em todo o país no dia 14 de abril. A gravação feita pela fisioterapeuta Alline Santiago e postada pela página Fortaleza Ordinária sensibilizou a Empresa Vitória que, por meio do setor de Recursos Humanos, entregou na última sexta-feira (24) um kit de incentivo à leitura e estudos (livros, cadernos, calendários, lápis, borracha, acessórios, mochila e um tablet), bolsa, toalha, miniatura de tambor de óleo, um cartão vale-transporte com um mês de passagem e um convite antecipado para o passeio no Ônibus Iluminado em dezembro.

Criado pelos avós, os catadores Luciana Aragão e Carlos André Marques Monte, Moisés cursa o segundo ano na Escola Municipal Luiza Távora, em Caucaia. No entanto, ele faz parte dos 34% de brasileiros com idade até sete anos que ainda não estão alfabetizados, segundo o indicador “Criança Alfabetizada 2025”, divulgado em março deste ano. A formação de palavras e leituras de pequenos textos é um desafio que Carlos André tenta fazer Moisés superar sempre que estão juntos. E foi em mais uma saída de rotina de trabalho pelas ruas, no sábado, 11 de abril, que o letreiro na traseira do ônibus da Vitória virou protagonista dessa história e, ao mesmo tempo, chama a atenção para a importância da alfabetização para a sequência de toda a trajetória escolar.

O avô Carlos André (44) parou os estudos na alfabetização e não quer o mesmo destino para o neto, que é o seu xodó. Já a esposa Luciana estudou até a 7ª série e interrompeu por conta da gravidez. Pais de cinco filhos, a mais nova Ana Luíza (15) está no 1º ano do Ensino Médio e pretende continuar estudando. Vitória (18), Luan (19) e Pedro Henrique (21) pararam no Ensino Médio e, hoje, respectivamente, ajuda em casa, trabalha como lavador de carro e é estoquista de supermercado. A mais velha, Ana Maria (23), mãe de Moisés, saiu de casa por ter vergonha da profissão dos pais. E a condição para o pequeno passar as férias de julho com a mãe é, até lá, aprender a ler e escrever. E com tanto incentivo, a exemplo do kit que recebeu da Empresa Vitória, Moisés pode criar o gosto pelos estudos.

Em busca de mais garantias e um salário certo no final do mês, Carlos André, que já trabalhou com carteira assinada e há duas décadas trabalhou como catador, vinha distribuindo currículos sem muito sucesso. Mas, uma ação simples e valiosa para tentar ajudar na alfabetização do neto, após o vídeo viralizar, também lhe rendeu um emprego novo. Feliz com a oportunidade, ele revelou que não pretende deixar de vez as ruas, pelo menos para receber as doações. Ele já ganhou uma geladeira (apesar de não funcionar 100%, tem muito ajudado) e outros itens domésticos que não tinham mais utilidade para quem doou, mas para a família tem feito toda a diferença. Já nas ruas, até panela de pressão elétrica ele achou e fez um pequeno concerto e funciona muito bem até hoje.

“Eu sempre vi a Vitória como uma empresa muito boa e passei a admirar ainda mais com esta ação para o meu neto. A Vitória não veio à toa, ela veio para mudar a vida das pessoas. É isso que ela está fazendo para nós”

Carlos André Marques Monte

A família de Carlos André costuma andar de ônibus sempre que precisa ir para o Centro de Caucaia ou para Fortaleza e, na opinião dele, os ônibus são muito confortáveis ​​e chiques. A partir de agora, com o trabalho de carteira assinada que conseguiu em Fortaleza, vai passar um andar de ônibus durante uma semana. E o peso que puxava em sua carroça por muitos quilômetros, em torno de 400 quilos, vai ganhar leveza e esperança de dias melhores para conquistar os seus próximos sonhos: terminar de construir uma casa no terreno que comprou por R$ 4 mil e um triciclo elétrico para buscar as doações que ganhar aos sábados. A esposa Luciana contou que para o sonho da casa ela mesma juntou recursos durante seis meses, mas a casa foi erguida com madeira e a estrutura está comprometida devido às chuvas. Hoje, apenas um quarto foi concluído em alvenaria.

De acordo com a coordenadora de Recursos Humanos de Vitória, Jacqueline Mendes, desde julho de 2019 a empresa mantém um espaço de leitura com 140 títulos atualmente, incentivando esse hábito não só para colaborador, pois o empréstimo é extensivo aos familiares. “A maioria dos nossos colaboradores concluiu o Ensino Médio e, ao disponibilizar títulos sobre literatura brasileira, literatura estrangeira, psicologia, filosofia, educação, administração, negócios, liderança, organização, poesia, cordel e muitos outros, procuramos manter essa chama acesa e o gosto pelos estudos”, explica. No caso do pequeno Moisés, ela reforça que esse olhar para o outro faz parte da cultura da empresa e a ação foi feita com todo o carinho e cuidado para que fique para sempre na memória dele.

O Parceiro da Vitória, as lojas Zenir, que também aparece acima do letreiro do vidro traseiro dos ônibus, também participou da ação, doando móveis e um colchão novinho para Moisés. A entrega foi feita no mesmo dia do kit de incentivo à doação, na última sexta-feira (24).

 

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