Agronegócio

Embrapa faz primeiro depósito de amostras da biodiversidade brasileira em banco genético no Peru

Da esquerda para a direita: Francisco Laranjeira, Fernanda Vidigal, Silvia Massruhá e Paulo Melo.

Em uma importante oportunidade para conservação da diversidade global de cultivos clonais e com sementes recalcitrantes, dia 5 de novembro, Brasil, Chile e Equador depositaram conjuntamente cópias de segurança de sua diversidade de cultivos no Plant Cryo Vault (Cofre Criogênico de Plantas) no Centro Internacional da Batata (CIP) em Lima, Peru. A Embrapa, representada pela presidente da Empresa, Silvia Massruhá, fez o primeiro depósito de 14 parentes silvestres de abacaxi e 11 de mandioca, todas criopreservadas pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, localizada em Cruz das Almas (BA).

 

Silvia Massruhá esteve acompanhada pelo chefe da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Francisco Laranjeira, e pela pesquisadora Fernanda Vidigal, líder do projeto Uso de técnicas criogênicas para conservação a largo prazo de germoplasma vegetal de importância para a agricultura e a biodiversidade nacional, e do pesquisador Paulo Melo, da Supervisão de Cooperação Científica e Técnica Internacionais da Embrapa. Também participaram Kent Nnadozie, secretário executivo do Tratado de Plantas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e Fuad Gasi, coordenador do Svalbard Global Seed Vault.

A presidente destaca que “este primeiro depósito representa um avanço importante para a conservação da biodiversidade agrícola e reafirma o compromisso da Embrapa com a proteção dos recursos genéticos. Ao disponibilizar cópias de segurança de espécies nativas brasileiras em uma estrutura internacional de conservação, contribuímos não apenas para proteger esse patrimônio para as futuras gerações, mas também para fortalecer a cooperação científica entre países. A preservação da diversidade genética é estratégica para o desenvolvimento de cultivos mais resilientes e para a segurança alimentar diante dos desafios das mudanças climáticas”.

O evento de criopreservação é resultado da coordenação em parceria de vários países, voltados à salvaguarda da diversidade de cultivos propagados vegetativamente em um cofre internacional, usando a criopreservação, como inovação de custo-benefício para proteger a diversidade de cultivos. O objetivo principal é garantir estratégias de segurança alimentar mundial, em cenários de mudança climática. Quase metade dos 150 cultivos monitorados pelas Nações Unidas — incluindo batata, mandioca, batata-doce, banana e muitas espécies arbóreas — exigem abordagens de conservação que vão além do armazenamento convencional de sementes.

Estiveram na abertura do evento lideranças e pesquisadores no setor agrícola e de conservação de germoplasma, entre as quais Vivian Polar, diretora para a América Latina no CIP e Simon Heck, Diretor Geral da instituição, além de Vania Azevedo, diretora do CGIAR Genebank Accelerator, e de Geoffrey Hawtin, premiado com o Prêmio Mundial da Alimentação 2024 (em vídeo). A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, apresentou a palestra “Além das Fronteiras Nacionais: Embrapa, Criopreservação e o Futuro da Conservação da Biodiversidade de Culturas”, destacando o papel estratégico da pesquisa brasileira para a preservação da biodiversidade agrícola global.

O Plant Cryo Vault é uma instalação de última geração, em Lima, que fornece um backup de segurança e de longo prazo para esses cultivos, preservando tecidos vegetais em nitrogênio líquido a menos 196 °C. “O Plant Cryo Vault complementa o Svalbard Global Seed Vault (Cofre Global de Sementes de Svalbard) ao fornecer uma tecnologia inovadora para salvaguardar cultivos que não podem ser conservados por meio do armazenamento convencional de sementes, nos aproximando de uma rede de segurança global para a diversidade de cultivos”, disse Maarten van Zonneveld, Chefe do Banco de Germoplasma do CIP. O material depositado vai permanecer sob a propriedade dos países depositantes. O Cofre Criogênico de Plantas atua como guardião do material, garantindo que as amostras não serão usadas, estudadas ou manipuladas, podendo ser devolvidas sempre que solicitado aos países depositantes.

“Por trás de cada amostra congelada, existem anos de colaboração científica e confiança entre os países. Ao trocarem conhecimentos e trabalharem juntos, os pesquisadores estão construindo uma rede de conservação para salvaguardar a diversidade de culturas”, disse Vania Azevedo, Diretora do Acelerador de Bancos de Germoplasma do CGIAR (Grupo Consultivo para Pesquisa Agrícola Internacional), maior rede pública global de inovação agrícola. O Cryo Vault localizado no CIP, que começou como uma iniciativa regional entre cientistas da América Latina e do Caribe, está se tornando um modelo de cooperação internacional para a proteção da diversidade de culturas agrícolas.

Importância estratégica

Segundo a pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Fernanda Vidigal, trata-se de um momento muito importante para a equipe. “Foi um trabalho difícil porque foi o primeiro, mas conseguimos preparar os nossos materiais para enviar”, explicou. “Agora vamos passar a enviar amostras mais rotineiramente e esperamos que o Brasil possa ser uma das lideranças na América Latina em relação à criopreservação”, explica ela, líder do projeto Uso de técnicas criogênicas para conservação a largo prazo de germoplasma vegetal de importância para a agricultura e a biodiversidade nacional, iniciado em 2025 e prossegue até 2029.

O reconhecimento do trabalho foi reforçado pelo chefe da Unidade, Francisco Laranjeira. “É uma honra que os primeiros depósitos no Plant Cryo Vault sejam de espécies nativas do Brasil (abacaxi e mandioca) e que cientistas de nossa UD tenham desenvolvido as tecnologias que permitiram chegar a esse momento”, disse, destacando o compromisso da Embrapa com a conservação de recursos genéticos, assunto de segurança nacional.

O objetivo do projeto, considerado estratégico para a Embrapa como um todo, é desenvolver, aperfeiçoar e aplicar técnicas de criopreservação em enfoques complementares: estabelecimento de criobancos de germoplasma de espécies vegetativas ou de sementes recalcitrantes, para conservação estratégica de longo prazo de cópias de segurança — que serão armazenadas em criopreservação na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF); e uso de técnicas criogênicas como suporte a programas de melhoramento genético de cultivos de reconhecida importância socioeconômica. Participam do projeto também a Embrapa Clima Temperado e Embrapa Uva e Vinho (RS), Embrapa Hortaliças (DF), Embrapa Semiárido (PE) e Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE).

Lea Cunha – Embrapa Mandioca e Fruticultura

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