Emagrecimento acelerado com “canetas” acesas alerta para flacidez facial e aumenta procura por protocolos de sustentação
O uso de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, vem modificando o cenário de emagrecimento no Brasil. Dados de mercado apontam um crescimento expressivo na procura por esses medicamentos nos últimos anos, enquanto estudos clínicos publicados no New England Journal of Medicine registram reduções médias que variam entre 15% e 22% do peso corporal em protocolos terapêuticos específicos.
A perda acelerada de peso, no entanto, levantou um novo debate entre especialistas: o impacto facial. As clínicas de estética já observam aumento na procura por tratamentos específicos para flacidez, perda de volume e alteração do contorno do rosto após emagrecimento rápido, características que ficaram internacionalmente conhecidas como “Ozempic Face”.
Segundo a dentista especialista em harmonização facial, Dra. Eduarda Diógenes, o efeito ocorre porque o emagrecimento não reduz apenas a gordura corporal, mas também interfere na gordura facial e no suporte muscular da face.
“A perda de peso acelerada diminui o suporte da pele. O paciente perde gordura facial e, em alguns casos, massa muscular, o que altera contorno, firmeza e sustentação. A pele nem sempre retrái na mesma velocidade, e isso pode gerar flacidez e aparência de envelhecimento precoce”, explica.
A especialista destaca que o rosto é composto por compartimentos de gordura responsáveis pela sustentação e pela aparência jovem. Quando há redução abrupta desse volume, a estrutura óssea torna-se mais evidente, os sulcos podem se acentuar e a percepção de envelhecimento aumenta.
“O osso é a base estrutural da face. Quando o volume diminui rapidamente, a sustentação muda. Isso pode impactar diretamente a autoestima do paciente, especialmente quando a transformação corporal acontece em curto espaço de tempo”, afirma.
Diante desse cenário, cresce a defesa de uma abordagem integrada entre saúde metabólica e planejamento estético. De acordo com Dra. Eduarda, o ideal é que haja acompanhamento preventivo dividido em três etapas: antes, durante e após o emagrecimento.
“No pré-emagrecimento, é possível realizar um protocolo de sustentação estrutural para preparar o rosto. Durante o uso da medicação, ganhamos com estímulos leves, como aplicação estratégica de toxina botulínica, reforço de pontos estruturais e estímulo de colágeno para preservação firme. No pós, reorganizamos a estrutura facial de acordo com a nova anatomia do paciente”, detalhando.
A profissional reforça que o objetivo não é exagero, mas naturalidade e equilíbrio. “A harmonização deve respeitar as proporções e manter a identidade do paciente. O foco é acompanhar a transformação corporal de forma responsável, preservando qualidade de pele e sustentação.”
Os especialistas alertam que o uso das chamadas canetas emagrecedoras deve sempre ocorrer com prescrição e acompanhamento médico, e que procedimentos estéticos necessários sejam realizados por profissionais habilitados. A integração entre saúde e estética, segundo o especialista, é o caminho mais seguro para garantir resultados equilibrados, sem comprometer a autoimagem.
