Política

Eleitorado evangélico ganha destaque na reta final da eleição, mas não forma um bloco único, diz teólogo

Em livro de título provocador, Samuel Silva questiona estigmas e propõe outro olhar sobre o protagonismo desse segmento.

A uma semana do primeiro turno, em 4 de outubro, candidatos de diferentes partidos buscam o apoio de eleitores evangélicos. Na votação, os brasileiros escolherão presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Com a disputa presidencial acirrada, o peso desse segmento está no radar de candidaturas de diferentes campos políticos.

Os dados mais recentes do IBGE sobre religião, referentes ao Censo 2022 e divulgados em 2025, dimensionam esse público: 47,4 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais se declararam evangélicos, o equivalente a 26,9% dessa faixa da população.

É essa combinação de peso numérico e diversidade que está no centro do livro “Evangélicos: ignorantes, pretos, pobres, pardos, periféricos ou protagonistas?”, do teólogo Samuel Silva.

A obra questiona rótulos frequentemente associados aos fiéis e propõe reconhecê-los como pessoas que interpretam a realidade, tomam decisões e constroem caminhos próprios.

Fé, identidade e transformação social

O livro analisa o papel da fé na vida de comunidades vulneráveis e as redes de apoio, pertencimento e organização construídas nesses espaços. Para Silva, essas relações podem fortalecer indivíduos, famílias e comunidades.

“O que vemos nas periferias não é passividade, mas reconstrução. A fé tem sido um instrumento de fortalecimento individual, familiar e comunitário”, diz o teólogo.

A obra aborda ainda a presença evangélica na política e em outras esferas da sociedade. Silva questiona a tendência de reduzir os fiéis a rótulos e destaca a diversidade de experiências e posições dentro desse segmento.

“Quando você transforma grupos inteiros em rótulos, você deixa de enxergar a complexidade e as mudanças que já estão em curso”, observa Samuel Silva;

O prefácio é assinado pelo pastor Tassos Lycurgo, professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), doutor em Educação e referência em debates sobre fé, filosofia e cultura.

“Este livro provocará concordâncias e desconfortos — e isso é um bom sinal. Ele convida à reflexão sobre responsabilidade individual e reconstrução, sem ignorar as injustiças sociais”, escreve Lycurgo.

A proposta da obra é deslocar o olhar: os evangélicos aparecem não apenas como objetos de análise, mas como sujeitos de suas próprias histórias. Embora não votem como bloco único, têm presença expressiva na sociedade e formam um contingente cujo voto pode influenciar o rumo de uma eleição.

Quem é Samuel Silva

• Teólogo, com formação pelo Instituto Vale da Bênção e pela Faculdade Unida (ES);

• Mestre em “Fé e Política” pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo;

• Tem especialização em Liderança Missional pela Saint John University, na Inglaterra;

• Pastor evangélico com atuação há mais de 20 anos em mobilização missionária e projetos sociais;

• Integra a Igreja Batista do Povo (SP), com foco em expansão missionária e implantação de igrejas no sertão brasileiro;

• Idealizador do Projeto Refúgio, iniciativa que já apoiou mais de mil imigrantes e refugiados em São Paulo;

• Também é autor de livros que abordam o diálogo entre cristianismo e islamismo, como “A Bíblia aos Olhos do Islã” e “O Último Profeta: Jesus ou Maomé?”.

 

Serviço:

Livro: “Evangélicos: ignorantes, pretos, pobres, pardos, periféricos ou protagonistas?”

Autor: Samuel Silva

Onde encontrar: À venda nas principais livrarias e plataformas de comércio eletrônico.

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