Do fluxo físico ao digital

Reinaldo Moura*

 

Há quase 4 décadas, empresas no Brasil começavam a avançar em um setor que estava sendo desbravado… Intralogística (Movimentação e Armazenagem).

Não sem motivo, o IMAM – Instituto de Movimentação e Armazenagem de Materiais iniciava sua jornada em 1979, apostando em um setor ainda pouco valorizado pelos profissionais.

Com o passar do tempo, inúmeras iniciativas no setor foram surgindo seguindo o lema “A Arte e a Ciência do Fluxo de Materiais”. Sim! Eventos, revistas, feiras de negócios, projetos, treinamentos de capacitação… a logística começava a ganhar corpo no Brasil mas, antes mesmo do mercado se desenvolver o suficiente (em comparação aos mercados de países mais desenvolvidos), alguns profissionais já começavam a estimular a descentralização dos esforços.

Assim, a união que poderia levar o Brasil a avançar mais neste setor pouco valorizado e que começava a ganhar relevância, começava a ser questionada e iniciava-se um processo de descentralização, inicialmente pela mídia segmentada (revistas impressas).

Foi assim que, a partir do “know-how” desenvolvido no IMAM, um dos pioneiros, o mercado brasileiro, por meio de profissionais do próprio setor, promoveu a criação de várias outras mídias impressas em um país que ainda não possuía a capacidade de absorver a grande oferta de soluções relacionadas com a logística de movimentação e armazenagem de materiais.

Assim, com oferta muito maior de a procura, mídias (principalmente revistas segmentadas) começavam a competir por preço e publicavam gratuitamente todo e qualquer tipo de notícia, relevante para o anunciante, mas não necessariamente para o leitor, aumentando ainda mais a oferta de produtos e serviços na área. E tudo isso antes mesmo da era da Internet (sites, blogs, Google etc.).

Com o avanço da Internet, no início dos anos 2000, as economias avançadas já estavam mais maduras e com mercados consolidados mas, aqui no Brasil, a desconstrução do mercado de movimentação e armazenagem se intensificou. O mesmo processo de descentralização, que segundo muitos profissionais da área, deveria ser positivo para a evolução do mercado, avançou para as feiras de negócios.

A feira Movimat (voltada principalmente para soluções de Movimentação e Armazenagem) era o principal evento de encontro de profissionais do setor, com foco no desenvolvimento de profissionais (visitantes) por meio de sua interação com as melhores soluções nacionais e internacionais e assim, uma feira que existia de 2 em 2 anos, passou a ser anual em 1997 com o lançamento do Salão da Logística que tinha o objetivo de intercalar a área de Operadores Logísticos com a área de soluções de Intralogística, reforçando ainda mais as ações do setor. Assim, uma feira anual, após quase 20 anos de esforço, deu ao IMAM a capacidade de dedicar toda sua estrutura à 2 eventos complementares.

Mas foi também neste cenário, onde o IMAM, que dedicava uma estrutura de mais de 50 profissionais aos principais eventos anuais do setor, se deparou com a realidade digital onde o virtual começava a tomar espaço do presencial e veio uma nova proposta: “Que tal incentivarmos grupos internacionais virem para o Brasil para dividirmos o mercado trazendo mais concorrência?”

E assim se deu, por meio de uma estratégia não muito inteligente, o mercado foi dividido e o evento já consolidado (“Movimat”) entrou para brigar com os gigantes internacionais em parceria com a Reed Exhibitions, que acabou adquirindo a feira de 32 anos de história em 2012. A partir daí, foram praticamente 6 anos de intensa competição que acabaram culminando com a saída da CeMAT do Brasil e com a Movimat somando forças com a Fenatran, voltando a ser bianual, em um ambiente de forte crise econômica e uma aceleração das relações cada vez mais virtuais.

Bem, mas e o futuro do setor no Brasil?

Hoje, apesar de estarmos isolados, intensificando as ferramentas de relacionamento digitais (cursos EAD, Webinars, Live etc.) e a Movimat continuar sendo realizada a cada 2 anos, observamos o setor de movimentação e armazenagem (intralogística) distribuído em várias frentes e eventos, dando uma sensação para o mercado que o setor está “órfão” e precisa se recuperar da crise e das estratégias de internacionalização mal sucedidas.

Obviamente nos perguntam: os fundadores da Movimat podem voltar? Por força contratual, não, mas torcemos e apoiamos eventos do setor que valorizem a intralogística (movimentação e  armazenagem), cujo potencial de crescimento é ainda muito grande no Brasil em comparação com os eventos de nossos parceiros nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

O futuro será certamente daqueles que compreenderem melhor o mercado e oferecerem soluções como o IMAM sempre fez… soluções que atendem as necessidades dos visitantes (presenciais e/ou virtuais) e menos aos interesses de determinados grupos.

Hoje, quando visitamos outras feiras no exterior, perguntam-nos: o que aconteceu com o mercado brasileiro e latino americano de feiras de negócio? Por que a IMAM deixou a dianteira das feiras de negócio? Não importa, estamos aí para contribuir com o setor em nosso atual “Core Business” – treinamento e consultoria (presenciais e à distância) e conteúdos digitais nas áreas de Supply Chain, Estratégias e Gestão “Lean” e Desenvolvimento Organizacional (Academias).

Continuaremos assim participando presencial ou virtualmente dos principais eventos do setor no pais e no exterior e valorizando a Intralogística, Movimentação e Armazenagem.

*Reinaldo Moura é engenheiro e mestre em Ciências e Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo,   fundador e conselheiro do Grupo IMAM

 

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