CNC reduz para 5,3% estimativa de crescimento do varejo em 2020

Setor termina 2019 com terceira alta anual consecutiva, impulsionada por inflação e juros baixos, segundo dados de dezembro da PMC, divulgada nesta quarta-feira (12/02) pelo IBGE


A Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC) reduziu a expectativa das vendas no varejo ampliado, em 2020, de +5,4% para +5,3%. Já no varejo restrito – que exclui os ramos automotivo e de materiais construção –, o indicativo é de alta de 3,5%. As projeções tiveram como base os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de dezembro, divulgada nesta quarta-feira (12/02) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o economista da CNC responsável pela análise, Fabio Bentes, as vendas neste ano deverão manter a atual tendência de alta, ancoradas no Produto Interno Bruto (PIB) e nos indicadores que medem o consumo das famílias. “Fatores como a permanência da inflação baixa e a expectativa de que a taxa básica de juros seja mantida no piso histórico fazem com que esperemos um maior ritmo de atividade econômica em 2020”, afirma.

Crescimento em 2019

De acordo com a PMC, o volume de vendas do varejo acumulou alta de 1,8% em 2019, chegando ao terceiro resultado anual positivo do setor após as perdas significativas decorrentes da recessão encerrada em 2017. No conceito ampliado, também foi registrada a terceira alta seguida: +3,9% em relação a 2018. Para Bentes, a evolução real das vendas confirmou o processo de recuperação do varejo em 2019, tendência reforçada pela retomada do emprego formal no setor, no ano passado (+111 mil vagas). Apesar disso, o economista da CNC chama a atenção para o fato de que, mesmo com a reação do consumo nos últimos anos, o atual volume de vendas do varejo ainda se encontra 6,5% abaixo daquele registrado às vésperas da recessão em novembro de 2014: “O setor deverá superar plenamente a crise somente no início de 2021”.

Entre os dez segmentos pesquisados, destacaram-se positivamente o comércio automotivo (+10,0%); as farmácias, perfumarias e cosméticos (+6,8%); e as lojas de utilidades domésticas (+6,0%). As vendas reais dos ramos de móveis e eletrodomésticos (+3,6%) e de materiais de construção (+4,3%), com ritmos de expansão acima da média, também ajudaram a impulsionar as vendas no ano passado. O destaque negativo ficou por conta do segmento de livrarias e papelarias que, ao sofrer retração de 20,7%, registrou seu pior resultado anual na série histórica, iniciada há 16 anos.

Segundo Bentes, por trás dos bons resultados de 2019, há ainda a contribuição positiva do comportamento da inflação. No acumulado do ano passado, os preços dos bens de consumo duráveis se mantiveram estáveis em relação a 2018, bem como os bens semiduráveis registraram a menor taxa de inflação anual (+0,6%) desde 1998 (-1,0%). “Claramente, a predominância dos segmentos mais demandantes do crédito como indutor do consumo decorreu da maior expansão de crédito dos últimos oito anos”, acrescentou o economista da Confederação.

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