Câmara do Setor Automotivo debate impactos de híbridos e elétricos no mercado de seminovos
A Câmara do Setor Automotivo do Sistema Fecomércio Ceará realizou, nesta terça-feira (29), reunião voltada às transformações do mercado de veículos seminovos diante do avanço dos modelos híbridos e elétricos. Com o tema “O Futuro do Seminovos: Precificação, depreciação e risco na era dos híbridos e elétricos”, o encontro reuniu representantes do setor para discutir os desafios relacionados à avaliação, comercialização e giro de estoque.
A apresentação foi conduzida por Marcos Duarte, especialista em avaliação e consultoria automotiva e professor da Escola de Vendas Automotivas, iniciativa criada pela Câmara do Setor Automotivo em parceria com o Senac. Durante a exposição, ele destacou que a Tabela Fipe permanece como uma referência para o mercado, mas a definição do preço de um veículo também considera fatores como oferta e demanda, condições de conservação, custo de aquisição e tempo em estoque. Segundo o especialista, os valores da tabela podem apresentar defasagem de pelo menos 30 dias, enquanto determinadas negociações podem alcançar preços 20% ou mais abaixo da referência.
Ao comentar as transformações observadas no setor em 2026, Marcos Duarte destacou a velocidade com que novas tecnologias vêm chegando ao mercado e os impactos que elas podem gerar na precificação dos seminovos. “Em 2026, o mercado vem sofrendo mudanças. Hoje, a realidade é o avanço dos veículos elétricos, eletrificados e híbridos. O público quer tecnologia e carros mais acessíveis, mas ainda precisamos entender como isso vai influenciar o preço dos veículos usados. O mercado de carros zero-quilômetro está mudando rapidamente, e ainda não sabemos como será, futuramente, a precificação desses modelos quando chegarem ao mercado com dois anos de uso”, afirmou.
Segundo Marcos Duarte, a definição dos valores desses veículos dependerá também de fatores relacionados à evolução das baterias, à mão de obra especializada e aos custos de manutenção e reparo. “Precisamos aguardar um pouco mais para entender como será, de fato, a precificação desses veículos no futuro. A tecnologia está avançando rapidamente e precisamos observar os custos de mão de obra para manutenção e reparo. Ainda enfrentamos dificuldades com peças e pós-venda, e isso é um fator que precisa ser considerado”, acrescentou.

Com a chegada de novas tecnologias, a avaliação dos veículos também passa a considerar aspectos específicos dos modelos híbridos e elétricos, como a saúde das baterias, sistemas eletrônicos, disponibilidade de peças, manutenção e atualizações tecnológicas. A necessidade de equipamentos específicos para diagnóstico e de profissionais capacitados também foi apontada como um dos desafios para o setor.
“Dentro do Sistema Fecomércio Ceará, as câmaras empresariais têm um papel importante na aproximação com empresas, sindicatos e entidades dos diferentes segmentos. Esse diálogo nos permite identificar as necessidades do setor e construir iniciativas que contribuam para o desenvolvimento do comércio de bens e serviços no Estado. A Academia de Vendas Automotivas, desenvolvida pela Câmara do Setor Automotivo em parceria com o Senac, é um exemplo concreto desse trabalho e de como podemos transformar as demandas do setor em ações de qualificação e desenvolvimento”, afirma o presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Fernando Bittencourt
Senac Ceará inicia curso de capacitação para novos vendedores
A discussão sobre qualificação profissional também esteve relacionada a uma iniciativa recente da Câmara do Setor Automotivo. Em maio deste ano, o Senac Ceará, em parceria com entidades do segmento, lançou a Academia de Vendas do Setor Automotivo, que teve início com a formação de novos vendedores para atender às demandas específicas do mercado. A iniciativa surgiu a partir da identificação das necessidades dos empresários do setor e busca aproximar a formação profissional da realidade das empresas.
Com 200 horas de duração, o curso reúne conteúdos técnicos e comportamentais, além de simulações práticas de atendimento e vendas, oficinas comerciais, avaliações de desempenho e visitas técnicas a concessionárias e revendas. A formação foi estruturada para preparar profissionais diante das transformações do setor e ampliar a qualificação da mão de obra para o mercado automotivo.
