Saúde

Bets chegam ao ambiente de trabalho e acendem alerta para o RH

Apostas online alcançam milhões de brasileiros e podem afetar saúde mental, vida financeira e rotina profissional

No primeiro trimestre de 2026, 15,2 milhões de pessoas apostaram em plataformas autorizadas no país, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Os efeitos desse comportamento cada vez mais comum também aparecem no ambiente profissional. Um levantamento da VR identificou 976 dias de afastamento relacionados a transtornos envolvendo jogos e apostas em 37 casos entre 2022 e 2025. Os registros mais que dobraram entre 2024 e 2025.

Quando as apostas passam a comprometer a vida financeira e emocional, podem surgir reflexos como dificuldade de concentração, atrasos, faltas, conflitos e queda de produtividade. Para Kássia Sales, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Ceará (ABRH-CE), é nesse momento que o tema passa a interessar também à gestão de pessoas. “A empresa não deve controlar o que o colaborador faz com seu dinheiro ou tentar administrar suas escolhas fora do ambiente de trabalho. Mas, quando esse comportamento começa a produzir consequências profissionais, como queda de produtividade, atrasos, absenteísmo, conflitos, perda de concentração, ele passa a ser uma questão de Gestão de Pessoas”, afirma.

A diretora de Saúde e Bem-Estar da ABRH-CE, Mirna Tinoco, explica que alguns sinais merecem atenção, como dificuldade de controlar as apostas, preocupação constante com o jogo, aumento da frequência, tentativa de recuperar perdas e comprometimento das obrigações pessoais e profissionais. Ansiedade, irritabilidade, isolamento e alterações no sono também podem aparecer, com o endividamento sendo possível de ampliar esse quadro.

O estudo “A saúde dos brasileiros em jogo”, realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), pela Umane e pela Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental e divulgado em 2025, estimou em R$ 38,8 bilhões por ano as perdas econômicas e sociais associadas às apostas e aos jogos de azar no Brasil, considerando impactos como gastos com saúde, desemprego e afastamentos do trabalho.

Nesse cenário, a recomendação é que as empresas invistam em prevenção, educação financeira, formação de lideranças, canais de escuta e encaminhamento especializado, sem transformar o RH em fiscal da vida privada. “O papel do RH não é investigar, julgar ou expor. É criar um ambiente onde a pessoa se sinta segura para pedir ajuda”, destaca Kássia.

Para quem percebe que as apostas estão causando prejuízos ou para familiares que identificam sinais de uso problemático, o Ministério da Saúde oferece atendimento pelo SUS. Pelo Meu SUS Digital, é possível acessar a opção “Problemas com jogos de apostas?”, realizar um autoteste e, nos casos de risco moderado ou elevado, receber encaminhamento para teleatendimento especializado.

Sobre a ABRH-CE

A ABRH-CE é uma entidade sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento e à valorização de pessoas e organizações. Sob a presidência de Kássia Sales (triênio 2025–2027), a associação promove eventos de relevância para o mercado, como o CearáRH e o Prêmio Ser Humano, e atua por meio das regionais Cariri, Norte e Metropolitana de Fortaleza.

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