Agentes culturais e artistas discutem fortalecimento de festivais, casas de shows e selos durante Feira da Música
A Feira da Música promoveu uma série de debates sobre os desafios e as perspectivas do mercado musical independente. Os encontros reuniram artistas, produtores, representantes de festivais, casas de shows, selos, gravadoras e agentes culturais para discutir temas como sustentabilidade da cadeia musical, impactos das plataformas digitais, inteligência artificial, circulação artística, políticas públicas e fortalecimento dos circuitos independentes.
Mais do que os debates realizados nas mesas e painéis da programação, um dos principais resultados da edição da Feira da Música esteve nos encontros promovidos entre festivais, casas de shows, selos e agentes culturais de diferentes regiões do país. “Foram encontros, nos bastidores dos shows e nos espaços de convivência, importantes para o fortalecimento de articulações e conexões para o futuro da música independente”, destaca Ivan Ferraro, diretor-geral do evento.
O fortalecimento da rede de festivais independentes e a construção de uma articulação entre casas de shows brasileiras apareceram como alguns dos pontos centrais dos encontros. A programação também impulsionou aproximações entre selos musicais e entidades representativas do mercado fonográfico independente, além do diálogo entre festivais e associações do setor cultural.
Outro desafio levantado pelos participantes foi como equilibrar a presença dos grandes festivais sem comprometer o espaço destinado aos novos artistas e aos festivais independentes. Os encontros também discutiram os impactos do período pós-pandêmico no eixo cultural, marcado pela segmentação do mercado, pelo aumento da pressão digital e pelas dificuldades enfrentadas pelos profissionais que compõem o cenário musical, principalmente aqueles inseridos em festivais, casas de shows e na cadeia da música ao vivo.
Os debates também abriram espaço para reflexões sobre os impactos das plataformas digitais e das transformações tecnológicas na cadeia da música independente. Entre os questionamentos levantados pelos participantes esteve a existência de um “limbo de influência”, no qual a relevância digital muitas vezes substitui o desenvolvimento artístico, pressionando músicos e criadores a priorizarem a capacidade imediata de venda em detrimento da construção estética e criativa de suas trajetórias.
A importância do ativismo cultural e da manutenção da diversidade de formatos, linguagens e públicos dentro do cenário independente, além da necessidade de criar espaços voltados ao crescimento artístico e humano, e não apenas ao consumo acelerado de produtos culturais, também esteve entre os temas discutidos, incluindo reflexões sobre o fortalecimento da cena cultural de Fortaleza.
“A Feira da Música representa o ponto de partida para um programa de desenvolvimento da música no Ceará. Mais do que uma ação concentrada nos dias do evento, trata-se de um processo contínuo, que seguirá sendo construído a partir das articulações, encontros e discussões iniciadas durante o evento. Esse movimento de fortalecimento da música no estado é uma das ações mais importantes que surgem a partir desta edição”, destaca Ivan.
A Feira da Música é um festival correalizado pela Associação dos Produtores de Cultura do Ceará (Prodisc), com recursos do Ministério da Cultura (MinC), via Política Nacional Aldir Blanc (Lei Federal nº 14.399, de julho de 2022), e pela Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (Secultfor), via Teatro São José, em parceria com o Instituto Cultural Iracema, via Centro Cultural Belchior. Conta com apoio do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Secult Ceará), via Hub Cultural Porto Dragão e Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, e tem parceria com o Instituto Dragão do Mar. Com patrocínio da Caixa, é filiada à Abrafin e à Aface, além de contar com apoio da Mídia Ninja, Plataforma SOM, UBC e ABMI.
