O Ceará registrou a abertura de 73.664 Microempreendedores Individuais (MEIs) entre janeiro e julho de 2026, alta de 27% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Mapa de Empresas, do governo federal. Com isso, o estado atinge o número de 365.230 MEIs ativos.
Para Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, o crescimento está relacionado, entre outros fatores, à possibilidade de formalização simplificada oferecida pelo MEI, que permite ao trabalhador obter CNPJ, emitir nota fiscal e acessar serviços financeiros específicos.
“O MEI funciona como uma porta de entrada para a formalização de muitas atividades econômicas. Quando observamos um crescimento dessa magnitude, temos um indicativo de que mais pessoas estão transformando atividades individuais em negócios formalizados. A partir daí, surgem novas necessidades de gestão, organização financeira e planejamento para a continuidade dessas empresas”, afirma.
A capital cearense concentrou a maior parte dos novos registros. Foram 36.953 MEIs abertos em Fortaleza entre janeiro e julho, o equivalente a cerca de 50% das novas formalizações no estado. Caucaia aparece na segunda posição, com 4.086 novos MEIs, enquanto Maracanaú registrou 2.771. Juntos, os três municípios responderam por aproximadamente 59% das novas formalizações realizadas no Ceará no período.
O número de encerramentos de empresas desse tipo também aumentou, mas em ritmo inferior ao das aberturas. Entre janeiro e julho de 2026, foram extintos 38.246 MEIs no Ceará, contra 34.740 no mesmo período de 2025, uma alta de 10,1%. Com isso, o estado acumulou saldo positivo de 35.418 MEIs no período, resultado da diferença entre novos registros e extinções.
“Depois da formalização, o desafio passa a ser transformar o registro em um negócio sustentável. Para isso, o empreendedor precisa acompanhar receitas e despesas, controlar o fluxo de caixa, separar as finanças pessoais das empresariais e planejar o capital necessário para manter a operação. Esses cuidados são especialmente importantes em negócios nos quais o próprio empreendedor concentra grande parte das funções administrativas”, explica Artur.
Varejo tem presença entre empresas ativas
O comércio varejista é um dos pontos de conexão entre o perfil dos pequenos empreendedores e a atividade econômica observada no estado. Para Artur, a presença expressiva do setor evidencia a importância de uma gestão financeira próxima da operação.
“O pequeno varejista trabalha com uma dinâmica muito ligada ao fluxo diário de vendas, reposição de estoque, pagamento de fornecedores e formação de preços. Ter clareza sobre o fluxo de caixa e sobre a necessidade de capital de giro é fundamental para que o empreendedor consiga manter a operação e aproveitar oportunidades de crescimento”, afirma.
No Sicredi, o volume registrado na carteira de crédito para empresas varejistas no Ceará chegou a R$ 61,67 milhões em julho de 2026. Para Artur, a proximidade com os empreendedores é um dos diferenciais do modelo cooperativo de crédito.
“O papel da cooperativa é compreender a realidade de cada empreendedor e oferecer soluções adequadas ao momento do negócio. Para o MEI e para o pequeno varejista, isso pode envolver desde serviços financeiros e orientação para organização do caixa até soluções de crédito e investimento, sempre considerando a capacidade financeira e os objetivos da empresa. A ideia é construir uma relação de longo prazo que acompanhe a evolução do negócio”, afirma.