Pesquisa

Inadimplência cresce 3% no Ceará em setembro, menos da metade da alta nacional, indica pesquisa FCDL-CE/SPC Brasil

Apesar do avanço no número de consumidores negativados, estado registra crescimento inferior à média brasileira; vendas do comércio varejista cearense também avançam acima do resultado nacional

 

O número de consumidores negativados no Ceará cresceu 3,0% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Apesar da elevação, o resultado ficou significativamente abaixo da média nacional, que registrou alta de 7,0%. O desempenho mostra que, embora a inadimplência tenha ganhado força no estado em relação aos meses anteriores, seu ritmo de crescimento permanece abaixo da metade do observado no país.

 

Os números integram a edição de outubro de 2026 do Radar do Varejo Cearense, publicação da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), em parceria com o SPC Brasil. O levantamento acompanha indicadores relacionados ao comportamento do consumidor e ao desempenho do comércio e oferece um panorama do cenário econômico para o varejo cearense.

 

A pesquisa também aponta aumento no valor médio das dívidas por consumidor negativado. Em setembro de 2026, o montante chegou a R$ 4.762, ante R$ 4.350 no mesmo mês de 2025, uma elevação de 9,5%. O indicador considera a soma de todas as dívidas atribuídas a cada consumidor negativado.

 

Em relação ao tempo de atraso, 32,0% dos consumidores negativados no Ceará acumulavam dívidas com atrasos entre um e três anos. Outros 9,8% estavam negativados havia menos de 90 dias, evidenciando que parte dos registros corresponde a situações mais recentes de inadimplência.

 

“Importa chamar a atenção para o fato de que a grande montanha de endividados, que só cresce, concentra bilhões de reais que passaram a despertar o interesse dos investidores. Os valores que ali se concentram fazem falta aos caixas das empresas e declaram a morte dos consumidores. O desafio do momento é recuperar essa massa, oferecendo não somente redução de seus débitos, mas também descontos sobre o valor principal e, indo mais longe, oferecendo-lhes recursos que lhes permitam regularizar sua vida financeira e voltar a consumir”, avalia Freitas Cordeiro, presidente da Federação das CDLs do Ceará.

 

Variação anual do número de negativados no Ceará (set-26 ante set-25): 3,0%

 

Variação anual do número de negativados no Brasil (set-26 ante set-25): 7,0%

Dívidas em atraso avançam 9,5%, abaixo da média nacional

 

O número de dívidas em atraso no Ceará cresceu 9,5% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado ficou abaixo da média brasileira, que registrou avanço de 13,6%.

 

O setor bancário concentra a maior parcela das dívidas registradas no estado, respondendo por 59,0% do total. Na sequência, aparece o segmento de água e luz, responsável por 17,1%.

 

Outro dado que chama a atenção é a reincidência: 92% dos consumidores negativados em setembro já estavam negativados ou haviam passado por essa situação em algum momento dos 12 meses anteriores. O percentual reforça a importância de medidas de recuperação financeira e renegociação de débitos para evitar a permanência dos consumidores no ciclo de inadimplência.

 

Comércio cearense mantém desempenho acima do nacional

 

Em paralelo ao avanço da inadimplência, os indicadores de atividade comercial apontam um desempenho positivo no Ceará. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do comércio varejista estadual cresceram 0,7% em agosto de 2026, na comparação com julho.

 

No acumulado de janeiro a agosto, o varejo registrou alta de 3,9% no Ceará, mais que o dobro do crescimento nacional, de 1,7%.

 

No varejo ampliado, que inclui atividades como a comercialização de veículos e materiais de construção, o avanço foi de 0,9% na comparação mensal. No acumulado do ano, as vendas cresceram 3,6% no estado, também acima da média brasileira, de 1,7%.

 

Os resultados mostram um cenário de contrastes na economia cearense: de um lado, o aumento da inadimplência e do valor médio devido pelos consumidores; de outro, a expansão das vendas do comércio em ritmo superior ao nacional. Embora os dados apontem crescimento da pressão sobre o orçamento de parte das famílias, a evolução do varejo indica que a atividade comercial estadual segue apresentando desempenho relativamente favorável.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.