Setembro Amarelo: dor crônica também afeta saúde mental e qualidade de vida
Especialista alerta para a relação entre dor persistente, alterações emocionais, isolamento social e perda de autonomia
Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da saúde mental, diferentes aspectos que interferem no bem-estar precisam entrar em discussão. Entre eles está a dor crônica, condição que pode ultrapassar os limites físicos e afetar a rotina, os relacionamentos e a saúde emocional de quem convive com ela.
Dor persistente pode dificultar atividades simples, comprometer o sono, reduzir a disposição para exercícios e até levar ao afastamento de situações sociais. Quando esses impactos se prolongam, também podem surgir sentimentos de frustração, ansiedade, irritabilidade e desânimo. Por isso, o cuidado com pacientes que convivem com dores recorrentes precisa considerar a pessoa de forma integral.
Para a fisioterapeuta e sócia do Instituto Movis, Nívia Paula, é importante que o paciente não normalize um incômodo que persiste por semanas ou meses. “A dor crônica pode modificar a forma como a pessoa se relaciona com o próprio corpo e com a rotina. Muitas vezes, ela deixa de fazer atividades que gosta, reduz a prática de exercícios e passa a evitar determinados movimentos. Esse processo pode afetar a autonomia e também o estado emocional. É importante investigar a origem da dor e buscar acompanhamento adequado”, explica.
Condições como artrose, dores na coluna, tendinites e outras alterações musculoesqueléticas podem estar associadas a quadros persistentes de dor. Em alguns casos, o paciente passa a limitar seus movimentos para evitar desconforto, mas a redução excessiva da atividade física também pode contribuir para perda de força e mobilidade, dificultando a recuperação.

A fisioterapia pode fazer parte desse processo ao trabalhar aspectos como mobilidade, fortalecimento, controle da dor e recuperação funcional. A avaliação individualizada ajuda a identificar limitações e estabelecer estratégias compatíveis com a condição e os objetivos de cada paciente.
“O tratamento precisa considerar o que aquela pessoa consegue fazer naquele momento e quais atividades deseja recuperar. Nosso papel é ajudá-la a retomar movimentos e funções de forma progressiva e segura. Em muitos casos, recuperar a capacidade de realizar uma atividade cotidiana representa uma mudança importante na qualidade de vida”, explica Nívia.
Outro ponto de atenção é o impacto da dor sobre o sono. Noites mal dormidas podem aumentar o cansaço e dificultar a realização das atividades diárias, criando um ciclo que interfere na percepção da dor e na disposição para o tratamento.
A especialista reforça, no entanto, que a fisioterapia não substitui o acompanhamento psicológico ou médico quando necessário. O cuidado deve ser integrado, principalmente quando existem sinais de sofrimento emocional.
“Quando percebemos que a dor está acompanhada de isolamento, alterações importantes de humor, perda de interesse pelas atividades ou sofrimento emocional, é fundamental ampliar o olhar e encaminhar o paciente para outros profissionais. Saúde física e saúde mental estão relacionadas e precisam ser cuidadas em conjunto”, destaca.
Serviço
Instituto Movis
Endereço: Av. Pontes Vieira, 2340 – 4º andar – sala 407 – Dionísio Torres, Fortaleza – CE
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