A democracia exige vigilância permanente
O Estado brasileiro não pode admitir que grupos criminosos ocupem espaços onde deve prevalecer exclusivamente a autoridade da lei.
A direção do Jornal do Comércio do Ceará não poderia deixar de expressar sua profunda indignação diante da notícia divulgada às vésperas do início do processo eleitoral de 2026 no Brasil, segundo a qual a Polícia Civil do Distrito Federal investiga um grupo suspeito de planejar atentados contra prédios públicos e ações violentas destinadas a semear o medo e comprometer o ambiente democrático.
Caso as investigações confirmem as suspeitas, estaremos diante de uma das mais graves ameaças ao Estado Democrático de Direito desde a redemocratização do País. Não se trata apenas da apuração de crimes comuns. Trata-se de uma afronta direta aos valores fundamentais da República, à convivência pacífica entre os brasileiros e ao direito de cada cidadão de exercer livremente sua vontade nas urnas.
A democracia é construída sobre o diálogo, o respeito às diferenças, a alternância legítima do poder e a supremacia da Constituição. Quando indivíduos ou organizações recorrem ao extremismo, ao ódio, à intimidação ou à violência como instrumento político, rompem com qualquer compromisso civilizatório e colocam em risco conquistas alcançadas ao longo de décadas de lutas pela liberdade.
O Brasil conhece, por experiência própria, os elevados custos da intolerância e da radicalização. Nossa história demonstra que toda tentativa de substituir o debate democrático pela força termina produzindo sofrimento, instabilidade e atraso institucional. Nenhuma ideologia, nenhuma bandeira e nenhum projeto de poder justificam o uso do terror como instrumento de ação política.
É preciso afirmar com absoluta clareza: eleições não são campos de batalha. O ato eleitoral é o momento mais elevado da manifestação da soberania popular. O voto livre, consciente e protegido é a essência da democracia. Quem pretende intimidar a população por meio da violência ou do medo ataca não apenas as instituições públicas, mas também cada eleitor brasileiro.
Neste momento, cabe reconhecer a importância do trabalho desenvolvido pelas forças de segurança e pelos órgãos de investigação, que atuam preventivamente para impedir que ameaças dessa natureza avancem. Ao mesmo tempo, é indispensável que todas as apurações sejam conduzidas com rigor técnico, respeito ao devido processo legal e plena observância das garantias constitucionais, para que os responsáveis, caso confirmadas as acusações, respondam perante a Justiça.
Não se pode ignorar o papel das plataformas digitais na circulação de conteúdos extremistas. As redes sociais trouxeram extraordinários avanços para a comunicação, mas não podem servir de abrigo para organizações criminosas, discursos de ódio, incentivo à violência ou planejamento de atos terroristas. A liberdade de expressão constitui um dos pilares da democracia, porém jamais pode ser confundida com licença para promover crimes ou incentivar atentados.
O Jornal do Comércio do Ceará reafirma sua confiança nas instituições democráticas brasileiras e manifesta seu apoio incondicional à defesa da Constituição, da paz social e da ordem pública. Divergências são naturais e enriquecem a democracia. O extremismo violento, a intimidação e qualquer forma de terrorismo político jamais encontrarão legitimidade em uma sociedade que valoriza a liberdade e o Estado de Direito.
As eleições de 2026 precisam ser lembradas pela força do voto, e nunca pelo medo. O Brasil merece uma campanha pautada pelo respeito, pela civilidade e pela confiança nas instituições. Essa é a única vitória capaz de honrar a Constituição e assegurar um futuro de paz para as próximas gerações.
