Filme “Nova Terra” destaca representatividade com a atriz Lua Augusto em história sobre arte, identidade e encontros no Sertão Central
O que começa como uma experiência artística ganha outros significados em “Nova Terra”, longa-metragem dirigido pelo cearense Fram Paulo, que está em fase de finalização e tem estreia prevista para este segundo semestre de 2026. A história acompanha sete jovens artistas de teatro que decidem se afastar da rotina para montar uma peça no Sertão Central. O período de convivência, porém, transforma o projeto em uma experiência que ultrapassa os limites do palco e coloca os personagens diante de suas próprias histórias, conflitos e descobertas.
Entre eles está Mariana, personagem interpretada pela atriz Lua Augusto. Sua presença acrescenta à narrativa uma dimensão contemporânea sobre identidade e representatividade, especialmente por colocar uma artista trans no papel de uma personagem trans. No vídeo de apresentação do filme, Lua Augusto fala sobre a importância dessa experiência e sobre a necessidade de artistas trans e travestis ocuparem espaços no cinema não apenas como tema, mas também como profissionais responsáveis por dar vida às histórias. Como a própria atriz pontua, não se trata de ocupar o lugar de ninguém, mas de conquistar espaços que sempre deveriam estar abertos para o talento trans.
A personagem Mariana carrega uma armadura e uma inacessibilidade que funcionam como mecanismo de defesa contra o preconceito, e foi nessa intersecção entre ficção e realidade que Lua Augusto encontrou a verdade do papel. Mariana não aparece deslocada do universo construído pelo filme; ela faz parte do grupo de jovens que chega ao interior para criar uma obra teatral e passa a experimentar uma convivência intensa, em que as relações entre os integrantes se tornam tão importantes quanto aquilo que pretendiam colocar no palco.
A premissa de “Nova Terra” parte de uma situação aparentemente simples, mas o isolamento e o processo de criação abrem espaço para lembranças, questionamentos e conflitos pessoais. A arte deixa de ser somente o objetivo daquele encontro e passa a funcionar como uma maneira de os personagens compreenderem o lugar onde estão e também aquilo que carregam consigo.
A participação de Lua Augusto ganha um significado especial dentro desse conjunto ao dialogar com uma discussão cada vez mais presente no audiovisual sobre o chamado transfake, quando personagens trans são interpretados por atores cisgêneros. Em “Nova Terra”, a escolha do elenco permite que essa representação aconteça com legitimidade. A discussão, entretanto, está incorporada de forma orgânica à própria existência da personagem e à diversidade de experiências reunidas pelo grupo. A presença de Lua Augusto também reforça a valorização de profissionais que vivem e trabalham no próprio Ceará.

A história se desenvolve em meio a referências culturais do Sertão Central e à relação dos personagens com a paisagem. O filme foi rodado em Senador Pompeu e Quixeramobim, incluindo áreas associadas ao projeto Geoparque Sertão Monumental e locais de importância arqueológica, como a Pedra do Letreiro, conhecida pelas inscrições rupestres. A trajetória dos jovens também se aproxima das histórias dos povos originários, incorporando a chamada trilha sagrada dos povos da Mata Branca e referências à tradição oral ligada à Serra do Encantado.
Além das relações humanas, a narrativa engaja questões sobre a convivência com o Semiárido. Elementos como água, sementes e preservação surgem associados à sobrevivência e à continuidade da vida no sertão. Para o diretor Fram Paulo, esses símbolos dialogam com a necessidade de preservar saberes ancestrais em uma região historicamente marcada pelos períodos de estiagem.
Com cerca de 70 minutos, “Nova Terra” foi produzido pela Uzina Filmes, produtora fundada por Fram Paulo em Senador Pompeu, e contou com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) para sua etapa de finalização. A trajetória da produção revela a capacidade de produzir cinema de força poética e técnica fora da capital e dos grandes polos tradicionais.
A expectativa é que o longa seja lançado no segundo semestre de 2026, iniciando sua circulação pelas cidades onde foi produzido antes de alcançar outros públicos. Nesse percurso, a entrega de Lua Augusto como Mariana consolida a vocação de um cinema que nasce do interior cearense e permite que seus próprios artistas contem suas histórias.
SERVIÇO
Filme: Nova Terra
Instagram: @filmenovaterra (https://www.instagram.com/filmenovaterra)
