Feira de emprego tem mais de 3 mil inscritos e evidencia expansão de empresas chinesas no Brasil
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Evento ofereceu 503 vagas em São Paulo; companhias relatam crescimento das operações e aumento da demanda por profissionais brasileiros |
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A expansão das empresas chinesas no Brasil começa a se refletir também no mercado de trabalho. Uma feira de recrutamento realizada no último sábado, em São Paulo, recebeu 1.563 pessoas, entre os 3.116 profissionais que haviam se inscrito previamente para participar do evento. Ao todo, foram oferecidas 503 vagas em companhias chinesas ou de origem chinesa com atuação no país. Criada em 2016 pela Associação Brasileira de Empresas Chinesas (ABEC), pelo Instituto Confúcio na Unesp e pelo IEST Group, a Feira nasceu com nove empresas participantes e 100 vagas abertas. Oito edições depois, o evento contabiliza um crescimento de 230% no número de empresas e mais de 400% na oferta de vagas A procura ocorre em um momento de forte crescimento dos investimentos chineses no Brasil. Segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), divulgado em maio, o país foi o principal destino mundial dos investimentos chineses em 2025, com US$ 6,1 bilhões, alta de 45% em relação ao ano anterior. Os aportes alcançaram setores como energia, mineração, indústria automotiva e mobilidade elétrica. Entre 2007 e 2025, os investimentos chineses no país somaram US$ 85,5 bilhões. O movimento também aumenta a demanda por profissionais brasileiros. Um dos exemplos é a J&T Express. Segundo Rodrigo Carvalho Evangelista, gerente de RH da empresa, em 2026, entre janeiro e agosto, a J&T já fechou 56 vagas bilíngues para posições de trainee, estagiário, analista, especialista e gerente, praticamente o triplo das 22 vagas bilíngues preenchidas em todo o ano de 2025. O avanço representa um aumento de 154% no fechamento desse tipo de vaga e vem acompanhado de mais agilidade: o tempo médio para o fechamento das posições bilíngues caiu 52% na comparação com o ano anterior. “Estamos tendo uma impressão muito positiva da feira em termos de qualidade e volumetria de pessoas interessadas. Isso vem muito em função do crescimento da empresa ao longo do tempo no Brasil. Esse crescimento reflete o aumento da demanda e das vagas para profissionais.” A J&T busca profissionais para áreas como RH, financeiro, administração, atendimento, redes e transportes, em posições que vão de auxiliares e trainees a coordenadores e gerentes. O conhecimento em mandarim é exigido para as melhores oportunidades, mas não em todas. Na Anjun, que participa da feira há mais de um ano, o crescimento da procura também foi percebido. A empresa está com mais de 60 vagas abertas, de posições de diretoria e coordenação a analistas e assistentes, com destaque para oportunidades que demandam profissionais com domínio de mandarim. “A nossa expectativa era de que este ano fosse maior do que no ano passado, e isso foi cumprido já nas primeiras horas do evento. Estamos conseguindo encontrar candidatos muito assertivos para as vagas que abrimos”, afirma Gisney dos Santos Rodrigues Filho, gerente de Marketing da Anjun. Na Shein, as oportunidades estão concentradas principalmente nas áreas de desenvolvimento de negócios, funções corporativas e logística. Interesse dos profissionais A expansão das empresas chinesas também desperta o interesse de profissionais que buscam novas possibilidades de carreira. O advogado tributarista catarinense João Pedro de Oliveira Gomes viajou exclusivamente para participar da feira e procurar uma oportunidade na área jurídica interna de uma empresa chinesa. “As empresas são muito abertas e facilitam o diálogo, mesmo se você ainda não tem fluência em mandarim ou inglês. Achei uma ótima oportunidade. Estou animado”, afirma. Para a arquiteta e urbanista Milena Freitas de Souza, de 28 anos, a feira possibilitou conhecer empresas chinesas ligadas a áreas como energia, sustentabilidade e agricultura. Desempregada no momento, ela conta ter encontrado oportunidades de interesse em praticamente todas as empresas pelas quais passou. “São muitas empresas e muitas oportunidades. O pessoal explica muito bem e parece acolher bem quem está vindo para conhecer e se candidatar.” Para o Prof. Dr. Luís Antonio Paulino, diretor do Instituto Confúcio, a expansão das empresas chinesas cria novas possibilidades de intercâmbio profissional entre os dois países. “À medida que as empresas chinesas ampliam suas operações no Brasil, cresce também a necessidade de profissionais preparados para atuar em ambientes cada vez mais conectados. Esse processo envolve não apenas o conhecimento da língua chinesa, mas também a compreensão das culturas e dos modelos de negócio dos dois países.” A feira, nesse sentido, funciona como um retrato de uma transformação ampla: enquanto empresas chinesas ampliam investimentos e operações no Brasil, cresce também o número de profissionais interessados em participar dessa expansão. Instituto Confúcio na Unesp A instituição foi criada por meio de um convênio entre a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e a Universidade de Hubei, com o apoio da “Fundação de Educação Internacional Chinesa”. Inaugurado em novembro de 2008, o instituto faz parte de uma rede internacional de mais de 500 Institutos Confúcio presentes em 146 países, que têm por missão o ensino e a promoção da língua e da cultura chinesa. É o órgão no Brasil autorizado pelo governo da China a aplicar os exames de proficiência de língua chinesa (HSK, HSKK e YCT). Atualmente, o Instituto Confúcio na Unesp está presente, além da capital paulista, em 12 cidades do interior de São Paulo onde a Unesp mantém unidades de ensino. Também está presente nas cidades de Manaus-AM e São Luís-MA, por meio de convênios assinados com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Acesse os canais oficiais do Instituto Confúcio na Unesp: Instagram e site. |
