Agronegócio

Interesse em biocombustível e produção de alimentos é destaque em visita de delegação chinesa à Embrapa

Foto: Cristiane Vasconcelos

A produção brasileira de biocombustíveis e as pesquisas relacionadas ao tema estavam entre os assuntos tratados entre a equipe de pesquisa da Embrapa Agroenergia e integrantes da delegação chinesa do Instituto de Economia Agrícola e Desenvolvimento (IAED, sigla em inglês) da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS). Na terça-feira, dia 28 de julho, Shiping Mao, Lin Zhang, Jingfei Qian e Xinru Han, professores do Instituto, visitaram a Unidade e debateram sobre o contexto atual dos dois países na área, com destaque para a questão da relação entre produção de alimentos e produção de energia.

Foram apresentados dados relacionados ao crescimento, nos últimos cinco anos, da produção de milho no Brasil, com destaque para o uso dessa matéria-prima na produção de etanol. Hoje, a principal fonte segue sendo a cana-de-açúcar, contudo, principalmente devido às safrinhas, que podem chegar até duas por ano, o milho tem ganhado força nesse cenário.

Segundo a pesquisadora Thaís Salum, em 2025, o Brasil produziu 38 bilhões de litros de etanol, sendo que 9,4 bilhões tiveram como matéria-prima o milho, ou seja quase um quarto da produção total. Isso se deve ao aumento da produção de milho nos últimos anos, principalmente o milho de segunda safra. Nos últimos 20 anos a produção de milho no país mais do que triplicou. Apesar do aumento da produção, a pesquisadora mostrou que a área plantada só aumentou 1,7 vezes, no mesmo período, mostrando que temos potencial para aumentar a produção de etanol de milho sem precisar de grandes expansões na área cultivada.

Outros temas também fizeram parte da discussão, como governança, políticas públicas para biocombustíveis e para redução da emissão de carbono, matriz energética brasileira e produções de biodiesel e combustíveis avançados de aviação (SAF). Sobre este último, o pesquisador Guilherme Botelho destacou os esforços da pesquisa em novas matérias-primas alternativas, como os óleos de canola e macaúba.

Na China, segundo os representantes da delegação, ainda há variação nos índices de mistura de etanol na gasolina (2 a 10%), de província para província, o que demonstra um cenário menos planejado do que o brasileiro. Segundo o professor Xinru Han, o governo chinês tem buscado estratégias para garantir a segurança alimentar do país, o que faz com que a produção de biodiesel hoje na China ainda esteja baseada no aproveitamento de óleo de cozinha.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.