Bugaboo Studio cria solução para aproximar pesquisas científicas e oportunidades de negócio no Ceará
Transformar produção científica em informação acessível e conectada ao mercado é a proposta de uma nova solução desenvolvida pela Bugaboo Studio, integrante do ecossistema do NINNA Hub. A ferramenta utiliza inteligência artificial para mapear papers, projetos e profissionais ligados a áreas de tecnologia, organizando conteúdos de forma prática para pesquisadores, empresas e agentes do ecossistema de inovação.
A ideia surgiu a partir de uma dificuldade vivida pela própria startup no acompanhamento de pesquisas e tendências relacionadas ao seu segmento. Segundo Tiago Guimarães, founder da Bugaboo, o volume de conteúdo técnico e a complexidade da linguagem acadêmica tornavam esse processo pouco viável no dia a dia. “Eu tinha uma dificuldade muito grande de ficar fazendo acompanhamento dos papers científicos no mercado em geral. E aí tive a ideia de criar um crawler, uma coisa que varre nesses campos e busque essas informações e me resuma, de forma mais eficiente para eu conseguir escolher”, afirma.
A partir dessa necessidade, a Bugaboo estruturou uma solução capaz de automatizar a busca por conteúdos científicos, sintetizar os principais pontos de cada material e reunir informações relevantes para leitura mais ágil. O produto também foi pensado para mapear o que vem sendo pesquisado no Ceará, ampliando a visibilidade de estudos e profissionais que, muitas vezes, permanecem restritos ao ambiente acadêmico. “O paper científico geralmente tem pelo menos 50 páginas e eu não posso ficar passando de arquivo em arquivo. Então ele já faz esse filtro de forma prática”, diz Tiago.
Com foco em áreas ligadas à tecnologia e inovação, a solução foi alimentada com termos técnicos relacionados a segmentos estratégicos para o desenvolvimento científico e econômico local. Além de resumir os estudos, a ferramenta também busca identificar os profissionais envolvidos nas pesquisas e apontar possibilidades de desdobramento prático a partir dos projetos analisados. “Dentro da solução, a gente também está desenvolvendo os critérios dizendo quem são as pessoas que trabalharam naquilo, porque é importante a gente saber quem são esses profissionais. Ir até eles e compreender melhor, e também para a partir daquele projeto, pensar que tipos de produtos podem ser criados”, explica o founder.
O produto foi pensado para atender tanto ao ambiente acadêmico quanto ao setor produtivo. De um lado, contribui para dar mais visibilidade às pesquisas e aos pesquisadores, organizando o conhecimento produzido e tornando-o mais compreensível para públicos externos. De outro, oferece a pequenos, médios e grandes empresários uma forma mais prática de acessar estudos, identificar tendências e visualizar aplicações de mercado para tecnologias e descobertas desenvolvidas no estado.
Para Michael Dhyani, head de inovação aberta do NINNA Hub, a iniciativa mostra como uma dor real pode virar solução com impacto para o ecossistema. “Quando uma startup transforma uma dificuldade em produto, ela amplia sua capacidade de gerar valor e de conectar dois mundos que estão separados mas que podem ser conectados, como academia e mercado”, destaca. Com a iniciativa, a Bugaboo espera reforçar a aposta em ferramentas que ajudam a traduzir conhecimento científico em oportunidades concretas de inovação.

