Economia

Fundos registram captação líquida de R$ 184,7 bilhões no 1º semestre de 2026

Resultado mais que dobra em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado por renda fixa, ETFs e fundos estruturados

Os fundos de investimento encerraram o primeiro semestre de 2026 com captação líquida de R$ 184,7 bilhões, mais que o dobro dos R$ 84 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). O resultado é o segundo melhor para um primeiro semestre nos últimos cinco anos, perdendo apenas para 2024.

renda fixa liderou mais uma vez a preferência dos investidores e respondeu pela maior parte das entradas. Os fundos da categoria registraram captação líquida de R$ 108,4 bilhões entre janeiro e junho, acima dos R$ 78,2 bilhões alcançados no mesmo período do ano passado. O destaque ficou para os fundos de duração baixa crédito livre, com captação líquida de R$ 70,3 bilhões. Esses fundos investem em ativos de renda fixa, podendo manter mais de 20% da sua carteira em títulos de médio e alto risco de crédito no Brasil ou exterior.

Outro motor relevante para o crescimento da indústria foram os ETFs. A entrada líquida nesses fundos somou R$ 32,5 bilhões no primeiro semestre, ante R$ 5,1 bilhões no mesmo intervalo de 2025. O avanço foi impulsionado principalmente pelos ETFs de renda fixa, responsáveis por R$ 27,1 bilhões das entradas no período.

“Em um ambiente econômico marcado pela aversão ao risco e que deve continuar influenciado por fatores de incerteza, como a questão fiscal e as eleições presidenciais, a busca por previsibilidade tende a manter os investidores concentrados nos fundos de renda fixa”, afirma Pedro Rudge, diretor da Anbima. “Enquanto esse cenário persistir, essa categoria deve seguir como o principal vetor de crescimento da indústria.”

Além dos fundos de renda fixa e dos ETFs, FIPs (Fundos de Investimento em Participações) e FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) também se destacaram no período. As duas classes encerraram o semestre com entrada líquida de R$ 32,1 bilhões e R$ 30,6 bilhões, respectivamente. Já os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Agroindustriais) tiveram captação líquida de R$ 5,1 bilhões.

“Mesmo em um ambiente marcado por maior cautela, os fundos estruturados seguiram ocupando espaço relevante nas estratégias de diversificação de parte dos investidores, especialmente daqueles com horizonte de longo prazo”, afirma Julya Wellisch, diretora da Anbima. “Isso é positivo porque contribui para o financiamento de diferentes setores produtivos, fortalecendo a conexão entre o mercado de capitais e a economia real.”

Na ponta oposta, os multimercados fundos de ações continuaram pressionando os números da indústria. Os multimercados encerraram o primeiro semestre com resgates líquidos de R$ 9,9 bilhões, enquanto os fundos de ações registraram saídas de R$ 6,5 bilhões. Apesar dos resultados negativos, as retiradas foram significativamente menores do que as observadas no primeiro semestre de 2025, quando somaram R$ 65,2 bilhões e R$ 41,5 bilhões, respectivamente.

Entre os fundos de ações, os do tipo livre — que têm maior flexibilidade na definição de suas estratégias — registraram o maior volume de resgates no primeiro semestre, com saídas de R$ 6,9 bilhões.

Nos multimercados, o movimento foi semelhante: os fundos da categoria livre lideraram as retiradas, com resgates líquidos de R$ 9,6 bilhões.

Rentabilidades

Entre os fundos de renda fixa, os das categorias duração baixa grau de investimento e duração média grau de investimento, que investem no mínimo 80% da carteira em títulos públicos federais, empataram com a maior rentabilidade acumulada no primeiro semestre, de 6,8%, equivalente ao do CDI no período.

No grupo dos multimercados, o melhor desempenho foi o dos fundos de juros e moedas, com retorno de 6,4%. Embora o resultado tenha ficado abaixo do CDI, de 6,8%, superou o IHFA (Índice de Hedge Funds Anbima), que avançou 3,3% no período. Esses fundos investem em ativos de renda fixa, com exposição a riscos de juros, de índice de preço e de moeda estrangeira.

Já entre os fundos de ações, os do tipo mono ação, que concentram suas estratégias no papel de uma única empresa, lideraram a rentabilidade, com ganho de 13,2%. O desempenho foi superior ao do Ibovespa no semestre, que teve alta de 6,8%.

Confira todos os resultados no Boletim de Fundos

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