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Feira Brasil na Mesa surpreende visitantes e mobiliza pequenos agricultores familiares

Evento na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), termina neste sábado às 18 horas

“O que mais me impressionou aqui na feira é esse reconhecimento da diversidade de produtos, alimentos e dessa potencialidade que é a biodiversidade brasileira”, afirmou Silvana Bastos enquanto terminava de degustar a bebida fermentada de açaí, servida no estande de degustação de produtos da pesquisa – Estação Delícias Brasileiras montado no pavilhão principal da Feira Brasil na Mesa. O evento que marca as comemorações pelo aniversário de 53 anos da Embrapa segue até sábado, dia 25, na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), com entrada gratuita.

Coordenadora do programa de sociobiodiversidade do Instituto Sociedade, Cultura e Natureza, uma organização não governamental, Silvana estava entre as dezenas de visitantes que passaram pela feira na sexta-feira, dia 24. Ela estava iniciando sua visita e tinha acabado de percorrer os estandes dos expositores. “Eu, que trabalho com isso há pelo menos 20 anos, sei que verei novidades aqui, como a jujuba de cupuaçu, que eu ainda estou procurando — disseram que é uma delícia —, além dessas bebidas açaí e cupuaçu”. E completou: “A Embrapa está de parabéns por reconhecer essa riqueza e trazê-la aqui, como uma vitrine do que o Brasil é de verdade. E ainda possibilitando as rodadas de negócio entre empreendedores e empresas com a participação da Apex”, elogiou.

Essa possibilidade de interagir com outros empreendedores da agricultura familiar e potenciais parceiros é um dos benefícios de participar do evento como expositor, na opinião de Alana Gambarini. “Aqui a gente vê que participar do evento não é bom só para fazer vendas, mas também porque a gente faz muitos contatos, conversa com os pesquisadores, com outros produtores, com órgãos como a Apex e o Sebrae. E aí a gente tem muitas ideias e volta pra casa com as energias renovadas, com ideias para fazer outros produtos, adotar técnicas diferentes, fazer parcerias. Volta muito inspirada”, comenta animada.

Alana, a irmã Gabriela, também presente na feira, e o irmão são a segunda geração de uma família de agricultores familiares da cidade de Inconfidentes, em Minas Gerais. O pai começou a se interessar pela agricultura orgânica e se estabeleceu na região na década de 1990, bem antes de o Brasil ter a primeira lei definindo normas técnicas para a produção de orgânicos, que é de dezembro de 2003 (Lei Nº 10.831/2003). No estande decorado com pimentas, estão à venda molhos, temperos, geleias, antepastos e farinhas. Tudo cultivado e processado na propriedade e na agroindústria da família parceira da Embrapa.

No sítio na região da Zona da Mata Mineira, entre materiais desenvolvidos pela Embrapa, hoje plantam, por exemplo, uma variedade de páprica, o pimentão Brasilândia, que ainda não está disponível no mercado, objeto de pesquisas da Embrapa Hortaliças (DF). “A gente pegou sementes para fazer testes na nossa região, no sul de Minas, para ver como ia ser o desenvolvimento dela lá na nossa região e dentro do manejo orgânico. E foi um teste que teve muito sucesso, tanto na parte agrícola quanto no processamento”, detalha a produtora. “A gente fez a páprica em pó e o tempero tem uma cor maravilhosa. Só recebemos elogios”, completa. Também já cultivam a pimenta biquinho Moema, a pimenta dedo de moça Mari e a cenoura Paranoá, variedade gerada por uma pesquisa originalmente pensada para o cultivo orgânico.

Produtos à base de mandioca

Vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios na categoria produtora rural no Estado de Goiás, Marcilene Mariano, produtora rural da agricultura familiar de Luziânia (GO) tem, como carro chefe entre os produtos processados que comercializa os feitos à base de mandioca. “É a nossa linha de derivados que faz mais sucesso, mais que os doces, mais que as geleias”, conta. Sucesso comprovado pelo fato de os produtos já terem quase se esgotado no segundo dia da feira, que termina neste sábado, dia 25, às 18h. “Hoje nós temos produtos inusitados, como sorvete, palha italiana, bombom, mandiococada, que é a cocada de côco com mandioca e até o mandiocotone, um chocotone artesanal de mandioca”, enumera Marcilene. O sorvete é o queridinho porque é incrementado com caldas de frutas típicas do Cerrado: cagaita, tamarindo e caju do Cerrado. Todas essas iguarias podem ser encontradas em feiras e eventos, sobretudo no Distrito Federal e em Goiás.

Exemplo do que ocorre com muita frequência na agricultura familiar, a própria Marcilene atua em todas as frentes, desde os cultivos nas lavouras até a comercialização dos produtos. Trabalhou no desenvolvimento das receitas, coordenou os testes e cuida com muito apuro da criação da identidade visual dos rótulos dos produtos colocados à venda. Reconhecida com a premiação do Sebrae por ser inovadora e por adotar práticas sustentáveis no campo, Marcilene se diz realizada com sua trajetória. “Eu deixei o direito e fui para uma terra nua, sem água, sem luz, sem cerca, sem pasto. Lancei uma semente que hoje estou colhendo como um sonho realizado”, define.

Leandra Alvarenga é produtora de mirtilo no DF, em Sobradinho, desde 2019, quando decidiu cuidar da propriedade adquirida pelos pais anos atrás. Ela, o marido que era corretor de imóveis e a irmã decidiram iniciar um novo empreendimento. Tiveram que estudar muito para aprender a lidar com a terra pois nunca tinham trabalhado com agricultura. Sobre a opção pelo cultivo do mirtilo, explica que buscavam algo que pudesse ser atrativo. Depois de assistirem a uma palestra, optaram pelo cultivo da fruta, originária da América do Norte por, em suas palavras, ser “uma fruta que muita gente já ouviu falar mas poucas pessoas conhecem ou comeram e ninguém nunca tinha visto um pomar”. No Brasil, havia cultivos no Sul e no Sudeste. Descobriram que na UnB havia estudos sobre mirtilo. Decidiram então implementar um pomar e a partir das primeiras vendas surgiram demanda para produtos derivados. “A pesquisa encurta o caminho porque te traz inovação” acredita Leandra, “Sozinhos, a gente não tem o tempo, o recurso e o conhecimento suficientes”, finaliza.

Rogério Barbosa, cursa Gestão do Agronegócio na UnB como integrante do 60+, o programa de envelhecimento saudável da Universidade. Conhece a Embrapa de longa data e nutre grande admiração pelo trabalho da empresa. “Eu já esperava uma coisa extraordinária e superou muito as minhas expectativas” afirmou enquanto experimentava o café especial do Cerrado, “excelente, espetacular”, em suas palavras.

A Feira Brasil na Mesa segue aberta para visitação gratuitamente neste sábado, das 9h às 18h. 

Confira aqui os detalhes e a programação completa. 

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