Políticas equivocadas do Governo Federal podem quebrar o país

 

(Por Antonio Matos)

 

O vilão, como sempre foi  o assalariado, o funcionalismo público e o aposentado. Os governos erram, os governos gastam mesmo fazendo propaganda de contenção de despesas. No alvorecer do governo Bolsonaro surge a pergunta: a quem interessou as primeiras medidas tomadas pelo governo que já acarretam prejuízos para o País? Dentre elas: 1. O corte do aumento do salário mínimo de R$ 1.006,00 para R$ 998,00, inclusive, já havia sido aprovado pelo Congresso como medida de ganho e valorização; 2. O corte no subsídio dos produtores de leite do Brasil; 3. O retrocesso no subsídio à agricultura e da energia; 4. A perda do mercado de frango dos países árabes por inabilidade de gestão do Executivo. Setores que merecem incentivos e com certeza trazem divisas para o país.

Em campanha eleitoral o discurso é um, logo após assumir tudo muda. O afago e as benesses ao rentismo são prioridades e, na verdade, se rendem aos pés dos maiores oligopólios do mundo. Quando as cobranças vêm a público, ao final, não querem ser culpados. Um come o feijão, o outro leva a fama. Hipocrisia, não?

Mesmo assumindo um quadro de austeridade o governo não hesita em gastar, vejam a compra de 30 carros para segurança do presidente Jair Bolsonaro, não parece um tanto quanto exagerada?

A reforma da Previdência do novo governo, já demonstra a que veio. Ficou evidenciado que os mais pobres e o funcionalismo público estão sendo convocados para pagar a conta no lugar daqueles que lucram a vida toda, sem nenhuma intromissão de governos, desde a época da proclamação da república.

Esse projeto de aposentadoria elaborado pela equipe econômica do governo Bolsonaro, em sua maioria não contempla a realidade brasileira, é uma proposta extremamente dura e foca apenas o âmbito econômico sem levar em conta o lado social que deve ser o papel primordial do sistema previdenciário. Se aprovada pelo Congresso Nacional sem mudanças o trabalhador vai precisar contribuir 40 anos para receber 100% da média da aposentadoria.  Aumento do tempo de contribuição, regime de capitalização, experiência herdada dos chilenos que, no final, com o passar dos tempos, hoje reduziu as aposentadorias em 30% naquele País.

A proposta prevê também que os idosos em situação de vulnerabilidade passem a receber R$ 400 do Benefício de Prestação Continuada(BPC), a partir de 60 anos, até que somente aos 70 tenha acesso ao salário mínimo. Muitas pessoas nessa idade dependendo da região em que moram e o trabalho que exercem, já estão com o pé na cova. Não era isso que o presidente Bolsonaro quando candidato pregava aos seus eleitores, principalmente do estado do Piauí que em seus discursos de campanha considerava o estado com pouca expectativa de vida. Dá pra acreditar?

São essas e outras medidas que o governo federal pretende impor à sociedade brasileira, e escapar do entulho moral pelo qual ele mesmo mergulhou quando veio à tona as denúncias que envolvem o partido do presidente Bolsonaro (PSL) sobre uso de laranjas na eleição passada.

Outra denúncia grave que não sai da mídia é sobre o motorista que era lotado no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro, eleito usando a bandeira da ética e da moralidade. O motorista é acusado de movimentar somas milionárias oriundas da verba de gabinete do deputado, quando parlamentar carioca, sendo que até o presente momento nada foi explicado sobre o caso Queiroz e nenhuma medida civil ou criminal foi arrolada.

Hoje o governo tenta escapar da irresponsabilidade e do despreparo que apresenta, para ele o instituto dos direitos adquiridos, que vá para o ralo, em nome de uma falsa modéstia.

A fala do presidente que veio a público logo a após a vitória das eleições em 2018, denota a sua pouca experiência, principalmente no trato de questões internacionais. A primeira foi a atitude de imitar o presidente Tramp anunciando que ia mudar a embaixada brasileira da cidade de Tel Aviv para Jerusalém, capital de Israel. A troco de quê, criar um problema diplomático com países árabes, um dos nossos contumazes compradores, principalmente de nossas commodities (frango, etc.), que inclusive já foi abalada?

Outra questão importante: o tão falado viés ideológico muito debatido na campanha eleitoral, mas que em clima de relações exteriores precisa ser melhor avaliado, afinal de contas o maior comprador dos nossos produtos é a China comunista, maior parceiro comercial do Brasil. Uma ruptura econômica com a China seria um desastre total para a nossa economia. Recentemente a China anunciou a compra de 10 bilhões de toneladas de soja dos EUA, justamente o nosso maior concorrente, esse que o governo Bolsonaro puxa o saco. Dá pra acreditar?

É fato que a diplomacia brasileira com o chanceler Ernesto Araújo(indicado por Olvao de Carvalho) é de uma incompetência sem precedentes. Nos recentes episódios que envolvem a Venezuela faltou habilidade e maturidade política que justamente o país tinha no passado. Nesse atual contexto  o Brasil deveria desempenhar o papel de destaque que representa na America do Latina, ter uma atuação de mediador da crise para o bem do povo da Venezuela e do Brasil e os países vizinhos, e não dá palanque para um lado do conflito inviabilizando assim o seu papel que como disse deveria ser de destaque por ser o maior pais da região.

O governo Bolsonaro precisa também nesse momento, demonstrar independência em relação a pastores evangélicos que ficam o tempo todo colocando pitaco nas ações do governo. É comum o tal Silas Malafaia, em redes sociais, com aparência de desequilíbrio, criticar até o vice-presidente general Mourão por relatar que o aborto é um problema de saúde pública, como se reunisse condições para discutir assunto de tamanha monta. Dá pra acreditar?

Os pastores protestantes, que na época da eleição pregavam a ética e conceitos em família, vislumbrando cargos ou ministérios, escorregam em delitos morais que em suas pregações demonstram um falso moralismo (leia-se o caso do ex-senador Magno Malta, flagrado com a boca na botija, sem contar os escândalos em família que não condizem com a postura de líder evangélico). Desse o Bolsonaro escapou.

Já o filósofo cristão (?) Olavo de Carvalho, apontado como guru do Bolsonaro, perde força pela sua postura de desqualificar o ensino filosófico nas escolas brasileiras, inflama seus adeptos ao confronto de ideias que não levam a nada, nem ninguém a lugar nenhum, inclusive por serem eles desqualificados usuários do Youtube.

Esses atores terão que prestar contas com os nossos jovens no futuro, pois serão os mais prejudicados com esse modelo retrógado de se fazer política em que só atende o interesse de uma parcela de abastados visionários do mal que se preocupam apenas em resguardar suas riquezas ou conspirar para que elas se ampliem cada vez mais, em prejuízo de grandes contingentes de pessoas humanas.

Fica a indagação: como foi possível o eleitor não perceber que o “antipetismo” iria jogá-lo num fosso profundo, retirando direitos principalmente da cidadania. Na época, existiam alternativas mais centradas e comprometidas com o social e as classes produtoras do país, mas, infelizmente, foi feito um trabalho de desconstrução de valores por intermédio de líderes religiosos, usuários de internet e agentes ligados à ultradireita com apoio de formadores de opinião internacionais.

Os resultados da lavagem cerebral feita na cabeça dos eleitores brasileiros estão à vista de todos. Diziam que eleitores nordestinos não sabiam votar, contudo, percebemos o quanto foi incoerente o voto da grande maioria do eleitor sulista em sufragar nas urnas tantos incompetentes que hoje batem boca no Senado e na Câmara Federal sem nenhum preparo intelectual ou parlamentar, o que comprova o ódio e a disputa naquela casa como se ainda estivéssemos em campanha eleitoral.

É papel do Congresso Nacional saber coibir o avanço dessas forças retrógradas que apontam para o retrocesso político da nação, não obstante os constituintes de 1988 que zelaram pelo advento da retomada de nossa tão jovem democracia, hoje ameaçada pelas forças malignas da política logradas de incompetência, ódio e fúria dos reacionários e oportunistas de plantão que trabalham contra o povo brasileiro.

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Antônio José Matos de Oliveira é jornalista, consultor de empresas,  diretor administrativo do Jornal do Comércio do Ceará e membro da Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba – ACLA Capistrano de Abreu.

Um comentário em “Políticas equivocadas do Governo Federal podem quebrar o país

  • 19 de abril de 2019 em 12:09
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    Meus cumprimentos ao nobre jornalista Antonio Matos pela veracidade do seu brilhante texto, esclarecedor, que na oportunidade abre os olhos dos leitores do Jornal do Comércio do Ceará em relação as ameaças dessa Reforma da Previdência e, sobretudo, das palhaçadas desse governo que em poucos meses de má gestão já demonstra ser incapaz para gerir os rumos da nação brasileira.

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