Indústrias: papel importante na preservação hídrica

Indústrias: papel importante na preservação hídrica

Tão importante quanto tratar o esgoto doméstico é cuidar do descarte adequado dos efluentes industriais, preservando rios, mananciais e fontes de recursos hídricos. Adotar essa prática é fundamental e urgente.

 

Por Hélcio da Silveira*
As discussões em torno da água – acesso, utilização e preservação – estão cada vez mais presentes nos noticiários, nas escolas, nos meios acadêmicos e ambientais, algo bastante positivo para toda a sociedade e para o mundo.
Os esforços, no entanto, precisam ser maiores. O colapso hídrico já não é uma hipótese, mas sim uma realidade vivida por muitas regiões do globo e também do Brasil, o que demonstra que há muito a ser feito e é necessário o envolvimento urgente de todas as esferas da sociedade.
No Dia Mundial da Água deste ano, celebrado em 22 de março, a Organização das Nações Unidas (ONU) chama a atenção para a questão das águas residuais, de origem industrial. Isso nos alerta para a responsabilidade que os segmentos da indústria possuem, não somente com o uso racional dos recursos hídricos, mas com o tratamento e descarte corretos dos efluentes de produção.
Não se ignora a grande quantidade de dejetos dispensados irregularmente em rios e mananciais, que poluem as fontes de água que abastecem populações inteiras. Um exemplo clássico é o Rio Tietê, que carrega em suas águas toneladas de produtos químicos que matam qualquer chance de vida.
Os números são alarmantes. Estudos da ONU realizados em 2015 indicam que somente 20% das águas residuais são tratadas antes de seguirem para descarte. Pode-se imaginar o impacto que isto representa para o meio ambiente, ao ecossistema, à biodiversidade, à saúde humana e também à atividade econômica.
Claro que não se pode generalizar. Inúmeras indústrias possuem políticas ambientais estritas e consistentes. Mas é pouco. O Brasil precisa avançar na preservação dos recursos hídricos, tanto na iniciativa privada quanto em âmbito do poder público, no que se refere à criação e, principalmente, fiscalização e legislações pertinentes à urgência que o tema exige.
A exemplo do que ocorre em relação ao esgoto doméstico, cuja conscientização em torno do tratamento dos dejetos tem se intensificado, os setores produtivos possuem diversas tecnologias à disposição, que atendem às características de diferentes segmentos, com resultados bastante positivos. As Estações de Tratamento de Dejetos Industriais (ETDI) estão para as águas residuais, como as Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) estão para os efluentes domésticos, porém ainda necessitam de trabalho mais efetivo para sua utilização.
Práticas como essas favorecem o meio ambiente, além de contribuírem para a redução do consumo de água nos processos de produção, uma vez que permitem a reutilização da água tratada.
O consumo de água representa custos para a atividade produtiva. Reduzir sua utilização e tratar efluentes é cortar despesas e, mais do que isto: é contribuir para preservar a saúde e melhorar a qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente.

Hélcio da Silveira é Diretor da Mizumo – referência nacional em soluções para tratamento de esgoto sanitário e integrante do Grupo Jacto, com atuação em diversos setores industriais.

 

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