Chacina nos presídios – O Estado brasileiro está colhendo o que plantou?

Chacina nos presídios – O Estado brasileiro está colhendo o que plantou?

A tolerância com as facções criminosas dentro dos presídios está demonstrada a que serve e a quem se destina.

por Antonio Matos

 

Esta é uma pergunta que todos os brasileiros deveriam fazer para as autoridades constituídas. Um gargalo enorme oriundo da falta de políticas públicas voltadas para educação que, há séculos, promove desigualdade social. A falta de investimentos na produção inviabiliza a geração de emprego e inclusão social e deixa de promover melhor distribuição de renda, a fim de melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Embora vários segmentos ligados à segurança pública se mobilizam com propostas e sugestões para amenizar o problema, devemos lembrar que colhemos o que plantamos. É obrigação louvar a Constituição de 88 que nos devolveu a democracia, contudo, ao longo desses anos instalou-se no Brasil uma república instada aos vícios de comportamento com os tentáculos da corrupção, do poder e da dilapidação do patrimônio público, cujos agentes são os mesmos que lutaram pela democracia e abandonaram a ética, os bons costumes e, hoje, amam menos a pátria e só pensam conquistar vantagens no poder.
O estado brasileiro envergonhado apodreceu e suas vísceras podres estão expostas a nível nacional e internacional. Um estado que não consegue conter nem os seus presos, que desprezou o social e preferiu construir mais presídios a escolas. Uma questão urgente para as autoridades debaterem e encontrarem uma solução, além das muitas (que aqui não vamos enumerar).
A onda de “Carnificina nos presídios brasileiros” que toma conta do país, inclusive com a cobertura da mídia sensacionalista aos olhos inertes das autoridades, mostra a barbárie com a decapitação de cabeças e extração de órgãos dos detentos rivais é como se estivéssemos voltando a eras primitivas. Foi uma atitude de fraqueza das autoridades diante do crime organizado que há décadas se fortalece sem que nenhuma providência fosse tomada para conter a organização dos criminosos, mesmos que aprisionados. Nada foi feito no sentido de prevenção.
Infelizmente, tudo isso obteve repercussão internacional em horário nobre da TV, porquanto denúncia do absurdo que cresce pela impunidade e ineficiência do estado brasileiro. Só construir presídios ou separar facções criminosas dentro deles não resolve o problema. É preciso, principalmente, pensar o social, o educacional e o profissionalizante, aumentar o rigor das leis para diminuir a impunidade e mudar radicalmente o sistema, que na verdade é corrompido como vemos nas reportagens onde gestores de presídios são acusados e afastados de seus cargos por receberem propinas de bandidos presos e de facções criminosas. Isso é uma vergonha!, como diz o jornalista Casoy.
A tolerância com as facções criminosas dentro dos presídios está demonstrada a que serve e a quem se destina. Onde já se viu isso, cidadãos brasileiros! Somos reféns do crime organizado com a negligência e imperícia das autoridades e a frouxidão das leis. Como ressocializar uma pessoa que degola um ser humano e se vangloria pelos seus atos abomináveis? E o pior e mais terrível ainda: há pessoas que salvam em seus smartphones e aparelhos celulares essas cenas macabras já acostumadas a conviver com a barbárie e se transformam em promotores da banalização do crime.
Provavelmente aspectos psicológicos e antropológicos negativos de alguns brasileiros, o fato de se divertirem em redes sociais através das carnificinas e desgraças dos famigerados detentos na sociedade reclusa e desumana dos presídios brasileiros.
Consequentemente, por estarem sob a tutela e responsabilidade do Estado, as famílias das vítimas chacinadas nos presídios vão exercitar o direito às indenizações, notadamente porque as autoridades aplicam aos presidiários a mesma negligência que adotam para com os pobres e menos favorecidos cidadãos brasileiros.
Aí está posto um gargalo para o governo Temer, Ministério Público, a Justiça, a Polícia e os responsáveis pela segurança pública debaterem e resolverem.

 

António José Matos é jornalista, Consultor de Empresas e diretor administrativo do Jornal do Comércio do Ceará.

 

 

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