Pesquisa revela: no Ceará, 85% dos estudantes de Anos Finais têm relações de amizade positivas na escola
Levantamento ouviu cerca de 207 mil adolescentes matriculados na rede pública do estado
No Ceará, os estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) destacam a importância das relações afetivas e do respeito na escola: 85% afirmam ter amigos ou amigas com quem gostam de estar e, entre os de 6º e 7º anos, 80% consideram que os profissionais respeitam e valorizam os estudantes, de acordo com respostas coletadas pelo MEC (Ministério da Educação) em parceria com o Itaú Social, Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação).
O levantamento estadual, que ouviu cerca de 207 mil participantes, faz parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências, que traz as percepções dos estudantes sobre suas identidades, diversidades e obstáculos à participação, estimulando gestores, professores e comunidades a promoverem escolas mais inclusivas e transformadoras.
“As vozes dos adolescentes do Ceará são um chamado para construirmos escolas que respondam às suas necessidades e aspirações. Esses dados nos mostram que, ao ouvirmos, podemos criar políticas educacionais mais conectadas a esta fase do desenvolvimento humano e à realidade local”, diz a superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes. As respostas foram coletadas junto às turmas do 6º e 7º anos e do 8º e 9º anos, permitindo comparar as percepções entre as diferentes faixas etárias.
Conteúdos considerados essenciais e atividades indispensáveis
Dentre os conteúdos e conhecimentos considerados importantes para o desenvolvimento, os estudantes do 6º e 7º anos apontam Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza como prioridade (49%), seguidos por esportes e bem-estar (42%) e artes e cultura (31%). Vislumbrando a escola do futuro, práticas esportivas e aulas práticas, com projetos mão na massa, empatam em primeiro lugar (41% cada), seguidas por atividades com tecnologia e mídias digitais (39%).
No grupo de 8º e 9º anos, esportes e bem-estar aparecem em primeiro lugar (39%), seguidos pelas disciplinas tradicionais (38%). Educação financeira e autoconhecimento, além de autocuidado e saúde mental, empatam com 28%. Quanto às atividades essenciais na escola do futuro, aulas práticas, com projetos mão na massa, atividades com tecnologia e mídias digitais e práticas esportivas são sinalizados por 39% dos participantes, enquanto as atividades de participação estudantil surgem com 25%.
Nas formas de aprender que ajudariam no desenvolvimento, 37% dos estudantes do 6º e 7º anos do Ceará priorizam fazer visitas, passeios e trabalhos fora da escola, índice que sobe para 43% entre os de 8º e 9º anos. Trabalhos em grupo caem de 33% no grupo mais novo para 27% no mais velho.
Como os estudantes veem a convivência escolar
Na avaliação de melhorias para a convivência, os cearenses priorizam jogos, competições e olimpíadas (45% dos de 6º e 7º anos e 47% dos de 8º e 9º anos). Entre os mais novos, atividades sobre bullying, racismo e prevenção de violências aparecem com 35%, seguidas pela necessidade de melhoria dos espaços da escola para convivência (32%) e garantia de segurança na escola e no entorno (31%). Já entre os de 8º e 9º anos, melhorar os espaços da escola lidera com 35%, seguidos por atividades sobre bullying, racismo e prevenção de violências (31%) e ações para melhoria da qualidade de vida (30%).
Sobre a Escuta das Adolescências
O levantamento realizado no Ceará faz parte de uma iniciativa nacional que ouviu mais de 2,3 milhões de adolescentes em todo o Brasil, marcando um passo importante na elaboração de uma política pública voltada especialmente para os Anos Finais do Ensino Fundamental. Os dados reforçam a necessidade de escolas que dialoguem com as experiências e expectativas dos estudantes, promovendo uma educação mais prática, participativa e conectada à vida cotidiana.
