Tecnologia

O Desafio B2C: lições de design de produto para o ecossistema de inovação do Ceará

Fonte: Pexels

O ecossistema de tecnologia do Ceará já tem méritos sólidos: entre o Complexo do Pecém e a cidade de Fortaleza, há empresas especializadas em soluções para logística. O próximo passo, porém, exige outra postura.

Para o Ceará poder dar um salto tecnológico e econômico, é preciso conquistar o mercado B2C (business-to-consumer). No B2C, não basta que o software funcione: ele precisa ser intuitivo, desejável e simples de ser usado por milhões de usuários. É aí que entra o design de produto, com UI/UX como protagonistas. O desafio do Ceará, portanto, é tornar-se referência em produtos que falem direto ao consumidor final.

O design como motor de crescimento econômico na área tecnológica

Pensar o design dos produtos de tecnologia é essencial para o mercado B2C. E, aqui, não falamos de design do ponto de vista estético, mas sim da lógica de construção de um produto.

Quer ver um exemplo? O que transformou o Spotify de serviço de streaming em fenômeno global não foi apenas o catálogo de músicas, mas uma interface em que descobrir, salvar e compartilhar sons se torna natural.

Uma experiência de usuário bem pensada faz com que o design “desapareça” e o usuário interaja sem perceber que está usando um produto. Não à toa, o Spotify tem hoje 713 milhões de usuários ativos mensalmente.

Outro bom exemplo da importância do design na tecnologia para o mercado B2C é o Duolingo. Em meados de 2025, o app contava com mais de 128 milhões de usuários ativos mensais (incluindo 70 milhões de usuários brasileiros) e mais de 10,9 milhões de assinantes pagos.

Como o Duolingo chegou nesses números? Com gamificação inteligente: streaks, pontos, mascote que conversa com o usuário e micrometas. O objetivo da empresa foi criar mais engajamento nos usuários com essas medidas de design: transformar tarefa em hábito, hábito em rotina, e rotina em comunidade.

Mas não são só de programas famosos que o setor de tecnologia cearense pode tirar lições. O mercado do entretenimento digital, no qual o design se torna produto, também possui referências relevantes.

Um exemplo é o jogo Fortune Tiger, um caça-níquel virtual criado pela PG Soft que usa a figura de um tigre da mitologia chinesa para construir a sua narrativa. Embora o tigre simbolize sorte e prosperidade na China, o ponto central aqui não é apenas a simbologia em si, mas a estratégia por trás da criação do mascote. Assim como o Duolingo transformou o Duo em um rosto e personalidade para a empresa, a provedora de jogos criou o “tigrinho” como personagem principal do slot.

A ideia aqui é que fica muito mais fácil para o público criar uma conexão com um mascote associado ao produto do que diretamente com o produto em si.

O próximo salto da tecnologia no Ceará

Se o Ceará aposta em programas para as pessoas comuns, seja em apps de mobilidade, lazer, consumo inteligente ligado à H₂V ou plataformas urbanas, então precisa aprender a combinar design e experiência do usuário para ter um produto globalizável.

Para que o Ceará se destaque na arena B2C, seus desenvolvedores e empreendedores precisam transcender a excelência técnica que já dominam no B2B. É preciso dominar o design capaz de criar produtos que causam uma conexão real com as pessoas. No Ceará, o próximo salto passa por aqui.

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