Greenpeace Brasil alerta que país tem políticas públicas climáticas insuficientes para evitar desastres nos municípios, como os de Minas Gerais
Organização lembra que desastres em decorrência de eventos climáticos não são naturais e podem ser evitados.
Dados oficiais do Portal da Transparência do Estado mostram redução de 96% de investimentos voltados à infraestrutura de enfrentamento às chuvas.
As cidades de Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, já registraram quase 50 mortes e mais de 20 desaparecidos desde o início da semana em decorrência dos impactos das intensas chuvas que ocorrem no estado. Para o Greenpeace Brasil, a ausência de políticas públicas de adaptação e mitigação efetivas para o enfrentamento às chuvas e demais eventos climáticos extremos contribuem para esse cenário devastador.
“Desastres em decorrência de eventos climáticos, sejam os de agora em Minas Gerais ou os vistos na Amazônia e nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul recentemente, não são naturais. Eles poderiam ser evitados com planos e políticas públicas de adaptação climática eficientes nos estados e municípios, com especial atenção para as comunidades periféricas, onde a vulnerabilidade e a falta de políticas públicas é ainda maior, refletindo o cenário de injustiça climática e racismo ambiental brasileiro”, afirma a Coordenadora de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Leilane Reis.
A ausência de investimentos compatíveis com a dimensão do problema nos municípios e estados destinados às ações e políticas climáticas também é uma barreira para evitar tais desastres. Dados oficiais do Portal da Transparência de Minas Gerais, por exemplo, apontam que houve uma redução de 96% de investimentos voltados à infraestrutura de enfrentamento às chuvas no estado: entre 2023 e 2025, os valores destinados a essa finalidade passaram de cerca de R$ 135 milhões para pouco menos de R$ 6 milhões.
“Sem financiamento adequado para políticas de adaptação e para a implementação de medidas preventivas, as consequências dos eventos climáticos tornam-se mais catastróficas.”, afirma Reis.
Diante do atual cenário de agravamento dos eventos climáticos, o Greenpeace Brasil classifica como fundamental que todos os Municípios avancem com o desenvolvimento de suas políticas e planos de adaptação climática, alinhados ao Plano Clima, com apoio dos Estados e do Governo Federal.
O avanço da crise climática versus o investimento ao enfrentamento à desastres no Brasil
O avanço das mudanças climáticas têm aumentado a cada ano a frequência e a intensidade dos eventos extremos. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mostram que as Regiões Sul e parte do Sudeste — incluindo o sul/litoral de São Paulo, Espírito Santo e parte de Minas Gerais, onde ocorreram os atuais desastres — registraram um aumento de cerca de 30% no acumulado de chuvas anuais no período de 1991 a 2020, em comparação com 1961 a 1990.
De acordo com o Sistema de Informações de Desastres no Brasil (S2iD), entre 1991 e 2023 foram registrados 26.767 desastres climáticos relacionados a chuvas no país. Entre 2020 e 2023, a média anual de registros foi duas vezes maior (200%) que a da década anterior (2010–2019) e 7,3 vezes maior (730%) que a observada na década de 1990. No período entre 1991 e 2023, as Regiões Sul (37%) e Sudeste (31%) concentraram quase 70% dos registros de desastres relacionados a chuvas.
