Política

Governo Trump completa 1 ano com ataques sistemáticos à democracia

Na terça-feira (20), Trump completou um ano como presidente dos Estados Unidos. O ano presidencial foi marcado pelo autoritarismo, desmantelamento do aparato público, violência das forças de segurança e perseguição aos seus oponentes. Uma pesquisa divulgada pela CNN dias antes mostrou que 58% dos cidadãos estadunidenses não avaliam o primeiro ano de administração Trump de forma positiva. De acordo com a pesquisa, 55% das pessoas ouvidas avaliam que as políticas do atual presidente pioraram as condições econômicas do país, e 64% acreditam que Trump não fez o suficiente para reduzir os preços de bens do dia a dia.

A pesquisa também mostra outro dado importante: a democracia americana aparece como a segunda maior preocupação nacional, atrás apenas da economia. Para 58% dos cidadãos do país, Trump foi longe demais no uso do poder presidencial e do Executivo. A preocupação é justificada, durante o primeiro ano de seu segundo mandato, Donald Trump criou inúmeras políticas autocráticas que desequilibraram os Poderes da República estadunidense, desrespeitaram a independência dos estados federativos e escalonaram a violência por parte das forças de segurança federais estadunidenses.

Em artigo publicado no O Globo, a jornalista e economista Miriam Leitão analisa como Trump utiliza o discurso antiimigração para criar um contexto no qual possa desestabilizar de forma direta os estados azuis, aqueles que tradicionalmente votam no Partido Democrata: “Assisti ontem ao discurso de Tim Walz, governador de Minnesota, no qual ele descreveu uma verdadeira guerra do governo federal contra o estado — que derrotou Trump nas três últimas eleições. Forças federais e a polícia de imigração foram enviadas a Minnesota e a outros estados pelo governo Trump em uma tentativa de esvaziar o poder de governadores democratas. São sinais claros de abalo institucional nos Estados Unidos, algo que é valioso não apenas para os americanos, mas para o mundo inteiro”, escreveu Leitão.

Em um texto publicado na Agência Pública, James Green, Presidente do Conselho Diretivo do Washington Brazil Office, analisa como têm acontecido as megaoperações de deportação nos Estados Unidos. Segundo ele, a militarização da aplicação das leis de imigração acontecem por meio do envio de agentes federais mascarados, muitas vezes operando em veículos descaracterizados, para as principais cidades que votaram em prefeitos democratas nas eleições recentes. “Para atingir esse objetivo, o governo realizou uma campanha de perfilamento racial, percorrendo áreas urbanas, abordando pessoas não brancas nas ruas e exigindo que elas comprovassem sua cidadania americana”, afirma Green.

O jornal O Globo reuniu 12 reportagens que ajudam a entender com  profundidade os últimos 12 meses da administração Trump. A edição de terça-feira (20) do podcast Café da Manhã, produzido pela Folha de S.Paulo, entrevistou Felipe Loureiro, professor de relações internacionais da USP, que analisou o personalismo e o autoritarismo desse segundo mandato e discute os impactos disso para os Estados Unidos e para o mundo.

editorial do jornal Estado de S.Paulo é categórico ao afirmar que Trump não se preocupa com a democracia. Ao citar a invasão militar estadunidense a Venezuela e as ameaças de invasão e interferência americana na América Latina, o jornal afirma que: “Ao relegar a democracia a um papel secundário, Trump não apenas mantém a Venezuela em um estado de profunda incerteza, como também abre espaço para que seus principais adversários geopolíticos – China e Rússia – ainda se sintam autorizados a agir de forma igualmente arbitrária em qualquer parte do mundo. O custo dessa postura tende a ser alto – e não só para a Venezuela”.

Fonte: Pacto pela Democracia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Twittar
Compartilhar
Compartilhar